NOSSA MISSÃO: “Anunciar o Evangelho do Senhor Jesus à todos, transformando-os em soldados de Cristo, através de Sua Palavra.”

Versículo do Dia

Versículo do Dia Por Gospel+ - Biblia Online

sábado, 16 de dezembro de 2017

A Bíblia e a história do Natal


Para entendermos a história do Natal, precisamos voltar no tempo. Não voltar apenas alguns milhares de anos até o nascimento de Jesus, mas precisamos fazer todo caminho de volta, até os nossos primeiros pais, Adão e Eva. Deus os colocou no exuberante e perfeito jardim do Éden. Eles tinham tudo o que precisavam. Era perfeito. Então, eles pecaram. Como consequência, Deus os baniu. Agora, Adão e Eva viviam sob a maldição. Mas, enquanto Deus pronunciou a maldição, trovejando desde o céu, Ele também lhes deu uma promessa.
Deus deu a Adão e Eva a promessa de uma Semente, uma Semente que nasceria de uma mulher. Aquela Semente retificaria tudo o que estava errado. Ela tonaria íntegro tudo o que havia sido quebrado. Essa Semente traria paz e harmonia onde discórdia e conflitos assolavam como um mar agitado pela tempestade.
No Antigo Testamento, o terceiro capítulo do primeiro livro, Gênesis, fala sobre conflito e inimizade. Adão e Eva, que conheciam apenas a experiência da tranquilidade, agora estariam presos em conflito amargo. Até mesmo o solo se tornaria um desafio. O ser afligido pelos espinhos seria o lembrete constante. Como dizem os poetas: “a natureza é vermelha no dente e na garra”[1]. Mesmo a Semente prometida entraria nesse conflito, lutando contra a Serpente, o grande arruinador. Mas Gênesis 3 promete que a Semente venceria a Serpente, assegurando a vitória final e inaugurando a paz contínua.
A Semente, no entanto, demoraria a vir.
Adão e Eva tiveram Caim e Abel, e nenhum destes era a Semente. Quando Caim matou Abel, Deus deu Sete a Adão e Eva, um pouco de graça em um mundo muito atribulado. Mas Sete não era a Semente. Seguiram-se mais filhos. Gerações vieram e gerações passaram.
Depois, Abraão surgiu no palco do mundo. Deus chamou esse homem nos tempos antigos para fazer dele e de sua esposa, Sara, uma grande nova nação que seria um farol de luz para um mundo perdido e sem esperança. Novamente, Deus fez uma promessa a esse casal de uma Semente, um filho. Eles pensaram que era Isaque. Mas Isaque morreu.
Essa história repetiu-se de geração em geração, antecipando aquele que viria, o qual retificaria todas as coisas e traria a paz. Até uma viúva chamada Noemi e sua nora também viúva, Rute, entraram nessa história. Elas estavam em circunstâncias desesperadas. Não havia redes sociais para registrar o declínio de tais pessoas marginalizadas no mundo antigo.
Sem maridos e filhos, sem direitos e recursos, as viúvas viviam de refeição em refeição. Elas viviam por um fio de esperança. Então, veio Boaz e a história clássica do mocinho que encontra a mocinha. Boaz conheceu Rute e eles se casaram. Em pouco tempo, assim como a cortina caiu sobre a história bíblica de Rute, um filho, uma semente, nasceu para Rute. Esse filho seria um restaurador da vida, um redentor. Mas ele era apenas uma sombra da Semente por vir. Ele também morreu.
O filho nascido de Rute e Boaz recebeu o nome de Obede, que teve um filho chamado Jessé. Jessé teve muitos filhos, e um deles era pastor. Uma vez esse pastor pegou um punhado de pedras e derrubou um gigante. Ele enfrentou leões. Ele também era um músico. Para surpresa de todos, até mesmo de seu pai, esse filho de Jessé, bisneto de Rute e Boaz, foi ungido rei de Israel.
Enquanto Davi estava no trono, Deus deu outra promessa diretamente a ele. Esta era outra promessa sobre um filho. Deus disse que o filho de Davi seria rei para sempre e que o seu reino não teria fim. Essa era a promessa de Deus.

#1 Uma referência ao mundo natural às vezes violento, em que os animais predadores cobrem os dentes e as garras com o sangue da sua presa enquanto os matam e devoram. – N.T.
Por: Stephen Nichols. © Ligonier Ministries.Website: ligonier.org. Traduzido com permissão. Fonte: Tracing the Story of Christmas.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Mulher, por que choras?

Ovelha, estamos no final de mais um ano e todas estamos com as forças extenuadas nesta época em que muitas atividades são finalizadas e os prazos são apertados e cobrados. Temos inúmeras comemorações e encontros extraordinários, o que acaba espremendo ainda mais o nosso já limitado tempo.
Esta semana, soube de alguém que realmente estava esgotada, ela não conseguia parar de chorar enquanto me falava de todo o esforço para realizar sua agenda dentro das datas previstas, mas, além disso, ela está realmente passando por um período de significativa dor na alma.
Após dez longos anos de relacionamento afetivo, ela finalmente se casou, e sabe o que precede um casamento sonhado, não sabe? Muitas decisões importantes, como, por exemplo, encontrar onde morar, solucionar tensões e pequenos desacordos, organizar a vida financeira que será conjunta, planejar novas aquisições e planos a dois para toda uma vida juntos, entre outras coisas. Mas não foi bem assim que aconteceu com essa amiga. Após um mês casados, ele, o marido, achou que aquilo, o casamento, não era para ele e partiu.
Partiu o coração dessa mulher em infinitos pedaços cor-de-rosa. Com sua alma verdadeiramente estilhaçada, seu coração sem forças para reagir, tudo o que ela tem feito é regado por lágrimas, e ela mal pode enxergar seu futuro enquanto se esforça por estancar o choro. A vida planejada e almejada naufragou.

O que fazemos com a dor?

É bem difícil caminhar junto com uma pessoa que está em meio à dor e ao sofrimento, o sentimento de impotência é real e gigantesco. Mas foi assim, em meio aos soluços, sem palavras para explicar ou para consolar aquela dor intensa, que segurei nas mãos desta amiga, olhei em seus olhos vermelhos e orei a Deus. Supliquei ao Senhor que nos dirigisse e que sua graça nos ensinasse aquilo de que precisávamos para sermos resgatadas do fundo escuro do poço da dor.
Eu não sei qual é a sua dor hoje. Pode ser que seus olhos estejam lendo estas linhas através das lágrimas que insistem em brotar de seu coração, mas se você ainda está aí insistindo em ler este texto, talvez isto seja para você.

Olhando firmemente para o autor e consumador de nossa fé, Jesus[1]

Quando o nosso Senhor nos revelou suas promessas, ele fez delas o farol iluminado que nos resgata nos naufrágios. Ler e orar as promessas de Deus nas escrituras nos asseguram que podemos naufragar nas grandes tempestades sem nos afogarmos na dor.
Muitas vezes, seremos levadas para locais turbulentos, onde não poderemos confiar em nossas próprias forças nem em nenhuma outra força humana, então restará apenas a força sobrenatural do Espírito Santo que nos sustentará. O Deus que sustenta o mundo com o poder de sua palavra[2] não será capaz de sustentar nossa alma em meio ao inferno da dor?
Nestes dias de escuridão e dor intensa, Deus está nos preparando, está nos moldando à imagem de Jesus Cristo, que sofreu por nós na cruz, derramou todo o seu sangue para que tivéssemos vida. Vida, ovelha, vida em abundância. Eu sei que quando a alma dói, a mente não consegue pensar com clareza e nosso corpo fica indolente, tudo adoece em nós. Quem nos consolará? Quem nos entenderá? Quem?
É necessário lembrar-se de que, em tempos de crise, Deus está conosco e a nossa dor não paralisa a vida do espírito em nós. Enquanto andamos no caminho, enquanto estamos vivendo o cotidiano da vida, Deus está operando transformações em nossa alma eterna, ele não para de trabalhar em nós. Transformações estão acontecendo em você por meio de seu sofrimento. Jesus conhece como sofremos porque ele mesmo sofreu nossas dores[3], ele também foi rejeitado, humilhado, envergonhado, passou pela dor e solidão, por isso veio como homem, para provar e conhecer nossas dores e tentações[4]. Jesus foi o primogênito entre os irmãos a entrar no céu e preparar lugar para nós.

Qual a dimensão da sua dor?

Eu não conheço o comprimento, a largura, a altura e a profundidade da sua dor, mas o Senhor conhece, ele tem um tempo determinado[5] para sua dor cessar, e há tempo para ser humilhado e para ser exaltado[6]. Em tudo isso Deus está cuidando de você.
O sofrimento vai fazer de você alguém que provou o poder de Deus, e essa experiência é única e pessoal, somente entre você e o seu Senhor. Provada e renovada, você será uma mulher capacitada a amar e a consolar com a autoridade de quem foi depurada pelo fogo.
Avante, ovelha!
Talvez o tempo de hoje seja o seu momento de entregar-se aos cuidados de Deus e esperar.
A dor vai acabar, ovelha, você apenas está sendo purificada pelas mãos do Ourives.
Salmo 30
Eu te exaltarei, ó SENHOR, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim. SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. SENHOR, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura. Salmodiai ao SENHOR, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome. Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira. Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã. Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado. Tu, SENHOR, por teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha; apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado. Por ti, SENHOR, clamei, ao Senhor implorei. Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade? Ouve, SENHOR, e tem compaixão de mim; sê tu, SENHOR, o meu auxílio. Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. SENHOR, Deus meu, graças te darei para sempre.

Leituras que podem ajudar:
Deus é Soberano, de A. W. Pink, Editora Fiel
Se você não sabe quem Deus é não pode saber o que ele é capaz de fazer em sua vida, leia esse livro. Saber que Deus é soberano e, o tempo todo, governa todas as coisas vai fazer você descansar nos cuidados dele.
Bom Demais para Ser Verdade – Encontrando Esperança num Mundo de Ilusões, de Michael Horton, Editora Fiel
O autor nos mostra que temos que viver pela fé, crendo que as promessas de Deus para nós não falham e cooperam para nos transformar em verdadeiros cristãos.
Um Coração Inabalável – Experimentando o consolo de Deus nas tempestades da vida, de Elyse Fitzpatrick, Editora Fiel
Caminhando com Deus em Meio à Dor e ao Sofrimento, Timothy Keller, Vida Nova
Este livro responde a quatro perguntas sobre sofrimento. Keller tem um olhar distinto que surpreende e encanta o leitor.

[1] Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia. Hebreus 12.2
[2] Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. Hebreus 1.3
[3] Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Isaías 53.3-4
[4] Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados. Hebreus 2.17-18
[5] Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz. Eclesiastes 3.1-8
[6] Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. 1 Pedro 5.6-7

Por: Renata Gandolfo. © Voltemos Ao Evangelho. Website: VoltemosAoeEangelho.com. Todos os direitos reservados. Revisor: Renata Cavalcanti. Original: Mulher, por que choras?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

As bases bíblicas dos direitos humanos

Os cristãos têm algo de diferente a acrescentar ao debate?

É importante que os cristãos se perguntem se eles têm algo de diferente a acrescentar a esse debate. Alguns cristãos negam todo o conceito dos direitos humanos, crendo que nós temos apenas responsabilidades e deveres referentes uns aos outros. Outros estão preocupados com o fato de o conceito de os direitos humanos estar se tornando tão dominante que as responsabilidades humanas estão diminuindo. Outros ainda acreditam que a ideia atual de direitos humanos contém, dentro de sim, um componente cristão essencial que é dever da igreja preservar, bem como a missão de propagar. Para avaliar essa discussão, precisamos fazer algumas perguntas fundamentais. De onde vêm os direitos humanos? Do que eles consistem? Se os cristãos têm algo diferente para contribuir com ele, o que é?
Será bom começar a dar as nossas respostas com Thomas Paine. Embora ele seja deísta, e, portanto, longe de ser um cristão ortodoxo, seu pai era quacre, e sua mãe, anglicana, de modo que ele teve suficiente instrução cristã para saber que os direitos do homem remontam à criação do homem. Ele escreveu em 1791:
O erro daqueles que raciocinam por meio de precedentes tirados da antiguidade, com respeito aos direitos do homem, é que eles não vão longe o bastante. Eles não fazem todo o caminho. Param em algum dos estágios intermediários de cem ou mil anos […] Porém, se continuarmos, devemos chegar ao lugar certo; chegaremos ao tempo em que o homem veio da mão do seu Criador. O que ele era na época? Homem. Homem era o seu elevado e único título e um maior não lhe pode ser dado.

A origem dos direitos humanos Thomas Paine está certo. A origem dos direitos humanos é a criação. Os seres humanos nunca os “adquiriram”, nem algum governo ou outra autoridade os conferiu. Nós os temos desde o princípio. Nós os recebemos junto com nossa vida da mão do nosso Criador. Eles são inerentes à nossa criação. Eles foram concedidos a nós por aquele nos fez.
Esse é um princípio importante a ser compreendido, pois a cosmovisão relativista e secular da nossa era pós-moderna ameaça deixar a tradicional comunidade dos direitos humanos com pouca base em seu apoio aos direitos humanos. Gary Haugen, ex-diretor das Nações Unidas para investigação do genocídio em Ruanda e que já foi presidente da International Justice Mission [Missão Justiça Internacional], resume o problema dizendo que o movimento dos direitos humanos está enraizado na cosmovisão judeu-cristã e em seu compromisso com os absolutos éticos. Com a chegada do pós-modernismo e do relativismo cultural, esse compromisso está à deriva. Ele comenta:

Desde a Segunda Guerra Mundial, a tradicional comunidade dos direitos humanos assumiu uma corajosa plataforma pela justiça devido a uma intuição moral ardente que está alicerçada, conscientemente ou não, no compromisso judeu-cristão com os absolutos éticos. Os ativistas dos direitos humanos dos anos 1990, contudo, são os filhos de uma filosofia secular de relativismo moral, multiculturalismo e pluralismo radical. Consequentemente, quando a pressão estiver para explodir no novo mundo desordenado do próximo século, o movimento dos direitos humanos internacional pode achar cada vez mais difícil continuar a navegar sem uma bússola moral, para evitar a confusão moral ou para evitar ser capturado pela moda política da época.
Michael Ignatieff, professor Carr de Direitos Humanos na Universidade de Harvard, concorda com isso: “Os direitos humanos têm se tornado o principal artigo de fé de uma cultura secular que teme não crer em nada mais. Eles se tornaram a língua franca do pensamento atual, como o inglês se tornou a língua franca da economia global”.
A preocupação de Ignatieff é que, na ausência de absolutos morais, os direitos humanos possam se tornar um tipo de religião secular, a estrutura de referência última para os problemas morais na esfera global. No início de um artigo sobre direitos humanos como idolatria, ele comenta:
Devo argumentar que os direitos humanos são mal interpretados, se forem vistos como uma religião secular. Eles não são um credo; não são metafísica. Transformá-los nisso é torná-los uma espécie de idolatria: o humanismo cultuando a si mesmo. Elevar as alegações morais e metafísicas feitas em favor dos direitos humanos pode ter a intenção de aumentar seu apelo universal. De fato, isso resulta no efeito contrário, gerando dúvidas entre grupos religiosos e não ocidentais, os quais não estão precisando de credos seculares ocidentais.
Assim, aquelas pessoas que têm uma fé religiosa procurarão em seus ensinos religiosos fundamentais os pontos de vista sobre os direitos humanos, sejam esses ensinos encontrados no Corão ou na Bíblia, por exemplo. Essa é uma das razões pelas quais os muçulmanos têm tido, às vezes, problemas com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para alguns deles, não há nada universal na linguagem da Declaração. Ela está enraizada na linguagem e na filosofia do Ocidente, e sua ênfase no individualismo e na autonomia humana. Realmente, quando a Declaração Universal estava sendo preparada, em 1947, a delegação da Arábia Saudita levantou uma objeção em particular ao artigo 16 sobre escolha livre de casamento e ao artigo 18, relativo à liberdade de religião. Esse tipo de crítica ainda é encontrado de vez em quando na relação entre o islamismo e os direitos humanos ocidentais.
Desejar ser protegido de abusos ou ter acesso a socorro legal ou à instrução não implica que você necessite se tornar ocidental no seu modo de se vestir, na sua maneira de falar ou na sua atitude. Michael Igniatieff diz a esse respeito:
As mulheres em Kabul que procuram os escritórios ocidentais de direitos humanos em busca de proteção contra as milícias do Taliban não querem deixar de ser mães e esposas muçulmanas; elas querem associar o respeito às suas tradições com instrução e cuidados médicos profissionais proporcionados por uma mulher. Elas esperam que essas organizações as livrem de serem espancadas e perseguidas por reivindicar tais direitos.

Uma linguagem moral e uma linguagem política

É importante, então, sermos interculturais na nossa discussão dos direitos humanos. Por um lado, não podemos sucumbir ao relativismo cultural que pode permitir a uma nação fugir dos seus compromissos relativos aos direitos humanos sob a alegação de ter uma cultura diferente. Mas, por outro lado, não podemos impor os valores da nossa própria cultura ocidental ao restante do mundo. O que o Ocidente pensa como universal, o restante do mundo pode pensar como ocidental e pode se sentir muito livre para criticar.
A linguagem dos direitos humanos é uma linguagem moral no sentido de ser uma tentativa de descrever o certo e o bom. Mas também é uma linguagem política. Apelar para os direitos humanos não põe fim a uma discussão. Na maioria das vezes, dá início a uma. Os direitos humanos não representam um trunfo moral. Além dos direitos humanos, há a necessidade de alguma estrutura moral da qual eles possam tirar sua autoridade e que forneça seu fundamento. Sem essa estrutura, eles existem num vácuo moral e correm o risco de se tornarem autorreferentes.
A natureza dos direitos humanos depende do nosso conceito do que significa ser humano. Por que as pessoas não devem ser torturadas? Por que nos preocupamos em que as pessoas sejam alimentadas e instruídas? O que há de especial em sermos humanos que exige a nossa atenção sempre que vemos outros vivendo em sofrimento? Porém, no século 21, os direitos humanos não apenas são colocados em destaque quando pessoas são ameaçadas ou lhes são negados os meios de vida com uma qualidade adequada. Eles devem ser entendidos essencialmente quando nos propomos a criar a vida humana. Por essa razão, os direitos humanos também estão no centro dos debates sobre clonagem e engenharia genética. Uma vez que a Bíblia focaliza no propósito divino para os seres humanos, ela tem muito a dizer sobre esse tema. Três palavras parecem resumir o que ela tem a dizer: “dignidade”, “igualdade” e “responsabilidade”.
• Trecho retirado do livro Os Cristãos e os Desafios Contemporâneos (Editora Ultimato).

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Lembretes para o cotidiano

“Ergam os olhos e olhem para as alturas. Quem criou tudo isso? Aquele que põe em marcha cada estrela do seu exército celestial, e a todas chama pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão imensa a sua força, que nenhuma delas deixa de comparecer!”
(Is 40.25-26)

Deus nos convoca para algo que, com freqüência, cai no esquecimento: “Ergam os olhos e olhem”. O que temos visto? Dependendo de onde moramos, podemos dizer que só vemos poluição, trânsito congestionado, violência e injustiça.

Olhar como resposta a um convite divino pode nos dar perspectivas mais sensíveis e se desdobrar em relações e posturas diferenciadas. Mesmo quando ao redor há destruição, prova de nosso descuido, conseqüência de nosso egoísmo, podemos melhor nos conscientizar sobre as mortes que o pecado gera. Podemos nos voltar a Deus humildemente, saboreando sua graça, a redenção em Jesus, e nos inspirar a criar com espontaneidade, com formosura e com a alegria de quem tudo começou -- o Criador.

Nem sempre separamos tempo para contemplar a criação, para nos tornar verdadeiros adoradores. E, quando não adoramos o Criador, acabamos por adorar falsos ídolos.

Eugene Peterson, em seu livro “A Maldição do Cristo Genérico”, nos alerta: “Nada nessa criação existe meramente para ser estudado, analisado, entendido; cada elemento, a ‘obra’ de cada dia, existe, antes de tudo, para ser recebida como uma ‘nota’ integrante e coerente dos ritmos totalmente abrangentes do oratório da criação, na qual respiramos o mesmo ar que Deus soprou sobre o abismo; e, do mais profundo de nossos pulmões -- nossa vida --, cantamos e dançamos para a glória de Deus”.

Parece que nos tornamos mais técnicos que celebrantes. Acumulamos informações, discutimos acadêmica ou teologicamente, mas talvez o comentário de Jesus para nós não seria diferente daquele dirigido aos samaritanos: “Vocês adoram o que não conhecem” (Jo 4.22). Em nosso dia-a-dia, vivemos como seres fragmentados, continuamos a pregar Jesus na cruz (com os pregos da nossa ignorância), sem desfrutarmos do significado de sua morte e ressurreição -- uma vida nova, livre e abundante, cuja inteireza cativa outros. Como diz Franky Schaeffer, em “Viciados em Mediocridade”: “Na maior parte do tempo os cristãos vivem na tensão entre suas atividades espirituais e o resto da sua vida. Entretanto, o cristianismo deveria ser uma experiência libertadora que abre nosso entendimento para apreciar mais do mundo de Deus. Somos aqueles que foram libertos para ver o mundo como realmente é, desfrutando e nos divertindo com a diversidade e a beleza da criação”.

A campanha do vencedor das eleições americanas, Barack Obama, teve como “slogan” principal: “Sim, nós podemos”. Será que podemos viver um ano novo no novo ano? Podemos, efetivamente, fazer diferente? Toda boa mudança, toda diferença geradora de vida só pode ser realizada a partir de Deus. Ele nos muda, para que possamos agir de maneira diferente. Tudo vem do Pai das luzes (Tg 1.17). Nele podemos viver um dia de cada vez, com reverência à vida.

Se Deus é pessoal até com as estrelas, que ele chama pelo nome, quanto mais conosco! Saibamos, pois, ouvir sua voz, que é cheia de majestade, faz dar cria às corças e desnuda os bosques (Sl 29.4, 9). Que o Espírito de Deus nos ajude a parar, contemplar, adorar e proclamar as maravilhas do Criador, cuidando da criação, cultivando espaços de silêncio e reflexão.


Tais Machado, paulistana, é psicóloga clínica e professora em seminários teológicos. É secretária nacional de capacitação da Aliança Bíblica Universitária do Brasil.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ódio, zombaria e perseguição!

Através de uma das redes sociais, recebi um vídeo que narra uma estorinha interessante: - um vagalume sendo sempre perseguido por uma serpente; em uma dessas situações, ele para e diz para a cobra: "Senhora serpente posso lhe fazer três perguntas? Depois pode me devorar à vontade!"; diante da anuência da perseguidora, perguntou ele:

1 – Por acaso, senhora cobra, eu faço parte da sua cadeia alimentar?" e ela respondeu "não";

2 – "então, senhora serpente, diga-me, já lhe fiz alguma maldade?" e ouviu o segundo "não";

3 – perguntou ele, finalmente, "por que, então, a senhora me persegue?" e ouviu dela: "porque você brilha!"

Isso me remete a uma afirmação do Senhor Jesus a nosso [seus seguidores] respeito: "VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO" (Mt. 5 14); todavia ele não nos deu um atestado de imunidade contra problemas e deixou isso claro:

"No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (Jo. 16 33).

Quanta aflição passou aquele vagalume! Mas, ele, embora não humano e nem cristão, teve bom ânimo ao enfrentar a sua perseguidora.

Voltando à "estorinha do vagalume" complementou o narrador: "Se estão lhe perseguindo, se estão falando de você, se estão lhe criticando é porque você está no caminho certo, é porque você está brilhando, é porque você é uma pessoa de Deus; então não ligue porque o bem sempre vence o mal; nunca se esqueça disso: o bem sempre vence o mal."

O Senhor Jesus disse isso aos seus discípulos: "Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo" (Mt. 10 22). Ele, também, nos falou, no Sermão do Monte, uma palavra abençoadora:

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós" (Mt. 5 10-12).

Em seguida o Senhor Jesus disse: "Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (v. 44) – sempre que cito este versículo, eu comento que "pela graça de Deus eu não tenho inimigos e nem perseguidores."

Mas, nem por isso eu devo deixar de amar ao próximo, pois o Mestre Jesus ensinou: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento.

O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mt. 22 37-40).

Ainda a respeito do amor ao próximo diz-nos a Palavra de Deus: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão [ao próximo] a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão" (1 Jo 4 20-21).

É considerado, por nós cristãos, o "versículo chave" da Palavra de Deus o seguinte dizer do Senhor Jesus: "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo. 3 16).

Eu encontro, na primeira carta de João, a palavra gêmea deste texto: "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos" (1 Jo. 3 16).

Assim, devemos prosseguir em nossa jornada de fé, no cumprimento da missão do "IDE fazer discípulos, ensinando-os a guardar todas as coisas que o Senhor Jesus ordenou" (Mt. 28 19-20); "pregando o evangelho a toda criatura" (Mc 16 15), e sendo "testemunhas de Cristo até aos confins do mundo" (At. 1 8).

Temos que fazer assim, sem a preocupação com o julgamento que o mundo faz dos nossos atos, ou com a sua indiferença; sem querer, também, pagar a crítica, a zombaria, o ódio e a perseguição com a mesma moeda.

O apóstolo Pedro e os demais Apóstolos, em seu julgamento, perante o Sinédrio, porque ensinavam sobre o Senhor Jesus, e foram proibidos, afirmaram: "Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens" (At. 5 29).

Temos que agir, visando a salvação do próximo, conforme o Apóstolo Paulo recomendou a seu discípulo Timóteo:

"Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, QUER SEJA OPORTUNO, QUER NÃO, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina" (2 Tm. 4 1-2).

– [outra versão, a "Tradução Revista e Corrigida", diz "A TEMPO E FORA DE TEMPO."]

Pense nisto!

São Paulo - SP

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Como uma mãe cristã deve orar com os seus filhos descrentes

Muito da rotina diária de uma mãe passa despercebido. Os filhos, especialmente quando são mais jovens, são bastante ingratos e negligenciam muito do que as mães fazem, o que pode ser um grande desencorajamento para as mães. Esse desânimo aumenta na medida em que as mães se encontram sobrecarregadas pelas almas de seus filhos e veem pouquíssimo fruto espiritual a partir de seus esforços.
Aqui está uma palavra de encorajamento para todas as mães cristãs para que prossigam em suas tarefas diárias de serviço às suas famílias; para que permaneçam firmes nas disciplinas espirituais com seus filhos que parecem ter pouco efeito. Essa palavra de encorajamento vem do grande Charles Spurgeon, quando ele reflete sobre o impacto que a sua mãe dedicada à oração teve sobre ele enquanto era um menino não-convertido:
Nas noites de Domingo, enquanto ainda éramos crianças pequenas, era o costume dela ficar em casa conosco. Então, sentávamo-nos ao redor da mesa, líamos versículo a versículo e ela nos explicava as Escrituras… Depois, havia uma oração de mãe, e nunca nos esqueceremos de algumas das palavras daquela oração, mesmo quando o nosso cabelo estiver grisalho. Lembro-me, em uma ocasião, de ela orar assim: “Agora, Senhor, se meus filhos continuarem em seus pecados, não será por ignorância que eles perecem, e minha alma dará um testemunho rápido contra eles no dia do juízo, se eles não se apegarem a Cristo”. Aquele pensamento de minha mãe testemunhar contra mim atingiu a minha consciência e comoveu o meu coração.
Mães, espero que vocês sejam regularmente encorajadas e honradas pelos seus maridos e filhos, pois há muito a ser honrado pelo modo como vocês se sacrificam e cuidam de suas famílias. Contudo, vocês podem não se sentir honradas como queriam. Vocês podem não estar vendo o fruto espiritual que desejam em seus filhos. Tomem essas palavras poderosas de Spurgeon e prossigam nas tarefas diante de vocês nesta semana. Orem por seus filhos. Orem com os seus filhos. Orem de tal forma que comuniquem o seu amor incondicional e a sua aceitação, mas não escondam a preocupação pelas almas deles, que vocês ainda podem sentir se eles estão longe de Cristo. Vocês nunca sabem o quanto as suas palavras de clamor a Deus pela salvação das suas almas podem impactá-los nos próximos anos.
Citação mais recentemente encontrada em The Brokenhearted Evangelist [O Evangelista de Coração Quebrantado], escrito por meu querido amigo, Jeremy Walker.

Brian Croft é o pastor efetivo da Auburndale Baptist Church em Louisville, Kentucky. 

domingo, 10 de dezembro de 2017

O nascimento virginal de Cristo

Juntamente com o grande teólogo e filósofo Anselmo da Cantuária, fazemos a pergunta Cur deus homo? Por que o Deus-homem? Quando olhamos para a resposta bíblica a essa pergunta, vemos que o propósito por trás da encarnação de Cristo é cumprir a sua obra como o Mediador designado por Deus. É dito em 1 Timóteo 2.5: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu…”. Agora, a Bíblia fala sobre muitos mediadores com um “m” pequeno ou minúsculo. Um mediador é um agente que se interpõe entre duas partes que estão distantes e necessitam de reconciliação. Mas quando Paulo escreve a Timóteo sobre um Mediador solitário, um Mediador único, com um “M” maiúsculo, ele está se referindo a esse Mediador que é o intercessor supremo entre Deus e a humanidade caída. Este Mediador, Jesus Cristo, é de fato o Deus-homem.
Nos primeiros séculos da Igreja, com o ofício de mediador e o ministério da reconciliação em vista, a igreja precisou lidar com movimentos heréticos que perturbariam o equilíbrio desse caráter mediador de Cristo. Nosso único Mediador, que permanece como um agente para reconciliar Deus e o homem, é aquele que participa tanto na divindade como na humanidade. No Evangelho de João, lemos que foi o eterno Logos, o Verbo, que se fez carne e habitou entre nós. Foi a segunda pessoa da Trindade que tomou sobre si uma natureza humana para operar a nossa redenção. No século V, no Concílio de Calcedônia, em 451, a igreja precisou lutar contra um ensino estranho chamado de heresia monofisita. O termo monofisita é derivado do prefixo mono, que significa “um”, e da raiz phusis, que significa “natureza” ou “essência”. O herético Êutico ensinou que Cristo, na encarnação, tinha uma única natureza, que ele chamou de “natureza teantrópica”. Essa natureza teantrópica (que combina a palavra theos, que significa “Deus”, e anthropos, que significa “homem”) nos dá um Salvador que é um híbrido, mas sob cuidadoso exame seria visto como aquele que não era Deus nem homem. A heresia monofisita obscureceu a distinção entre Deus e o homem, dando-nos uma humanidade deificada ou uma deidade humanizada. Foi contra o pano de fundo dessa heresia que o Credo de Calcedônia insistiu que Cristo possui duas naturezas distintas: divina e humana. Ele é vere homo (verdadeiramente humano) e vere Deus (verdadeiramente divino, ou verdadeiramente Deus). Essas duas naturezas estão unidas no mistério da encarnação, mas é importante de acordo com a ortodoxia cristã que entendamos que a natureza divina de Cristo é plenamente Deus e a natureza humana é plenamente humana. Assim, essa pessoa que tinha duas naturezas, divina e humana, era perfeitamente adequada para ser nosso Mediador entre Deus e os homens. Um concílio anterior da igreja, o Concílio de Nicea em 325, declarou que Cristo veio “para nós homens e para a nossa salvação”. Ou seja, a sua missão era preencher a lacuna que existia entre Deus e a humanidade.
É importante observar que, para Cristo ser nosso Mediador perfeito, a encarnação não foi uma união entre Deus e um anjo, ou entre Deus e uma criatura inferior como um elefante ou um chimpanzé. A reconciliação necessária era entre Deus e os seres humanos. Em seu papel como Mediador e o Deus-homem, Jesus assumiu o ofício de segundo Adão, ou o que a Bíblia chama de último Adão. Ele entrou em uma solidariedade corporativa com a nossa humanidade, sendo um representante como Adão em sua representação. Paulo, por exemplo, em sua carta aos Romanos faz um contraste entre o Adão original e Jesus como o segundo Adão. Em Romanos 5, versículo 15, ele diz: “…porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos”. Aqui observamos o contraste entre a tragédia que veio sobre a raça humana por causa da desobediência do Adão original e a glória que vem aos crentes por causa da obediência de Cristo. Paulo continua a dizer no versículo 19: “Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”. Adão tinha a função de mediador, e ele falhou miseravelmente em sua tarefa. Esse fracasso foi corrigido pelo sucesso perfeito de Cristo, o Deus-homem. Lemos depois, na carta de Paulo aos Coríntios, estas palavras: “Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual. O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial” (1Cor 15.45-49).
Vemos então o propósito do primeiro advento de Cristo. O Logos tomou sobre si uma natureza humana, o Vebo se fez carne para realizar a nossa redenção cumprindo o papel de perfeito Mediador entre Deus e o homem. O novo Adão é nosso campeão, nosso representante, que satisfaz as exigências da lei de Deus e obtém para nós a bênção que Deus prometeu às suas criaturas se obedecêssemos a sua lei. Como Adão, não conseguimos obedecer à lei, mas o novo Adão, nosso Mediador, cumpriu perfeitamente a lei por nós e obteve para nós a coroa da redenção. Esse é o fundamento para a alegria do Natal.


Por: R.C. Sproul. © Ligonier Ministries. Website: ligonier.org. Traduzido com permissão. Fonte: Born of the Virgin Mary.
Original: O nascimento virginal de Cristo. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Quais são 10 recursos práticos ao fazer visita em um hospital?

Ontem, eu dei uma aula no Seminário Teológico Batista do Sul sobre visitação hospitalar. Lembrei-lhes como a visita pastoral se tornou uma arte perdida na geração mais jovem de pastores e que o medo está entre as muitas razões para a negligência desse ministério. A visita pastoral, especialmente nos hospitais, aumenta esse medo ainda mais. Há o temor de ser exposto à doença. Há o temor de “O que dizer? O que fazer? Como fazer? E se eu ver algo que me faz desmaiar?”. Se esse for você, permita que estes 10 recursos práticos o capacitem para essa tarefa e ajudem a minimizar qualquer medo que possa ter afastado você dessa tarefa tão nobre e importante.
1) Faça perguntas. Antes de ir, prepare as perguntas que deseja fazer. Faça perguntas que o informem sobre a doença e o tratamento deles e que possam levar a conversas mais espirituais.
2) Leia as Escrituras. Quando você não sabe o que dizer ou fazer, é sempre bom e útil pegar a sua Bíblia e ler as Escrituras. Certifique-se de levar uma para o hospital com você.
3) Ore o evangelho. Quando o evangelho é orado, o evangelho é ouvido. Esta é sempre uma boa maneira de orar tanto pelo crente como pelo descrente no quarto. Deus, Homem, Cristo, Resposta.
4) Declare o caráter e as promessas de Deus. Primeiramente, declare quem Deus é para os doentes, e depois lhes anuncie as promessas desse Deus.
5) Confie no plano de Deus. Deus trabalhará quando você sair em fé e ir. Deus trabalhará em você e através de você e lhe dará as palavras a serem ditas no momento certo.
6) Deixe um recado. Se você não conseguir ver as pessoas que foi visitar, deixe um recado para elas. Isso lhes permite saber que você veio e fornece algo para encorajá-los muito tempo depois que você se for.
7) Ouça bem. Resista à tentação de resolver problemas. Simpatize, não racionalize. Apenas ouça, não resolva.
8) Toque com discernimento. O toque físico pode ser uma forma muito eficaz de quebrar as barreiras da insegurança que o paciente sente, mas faça-o sábia e adequadamente.
9) Olhe-os nos olhos. Um bom contato visual comunica interesse, cuidado e um espírito confortável, algo que uma pessoa doente precisa sentir de seu visitante.
10) Prepare o seu coração. Prepare-se para o que você pode experimentar e que esteja indo por amor e não pelo dever. Pessoas doentes no hospital têm muita intuição sobre se você realmente deseja estar lá, ou não.

Para leitura adicional: Visite o Doente.
Por: Brian Croft. © Practical Shepherding, Inc. Website: practicalshepherding.com. Traduzido com permissão. Fonte: What are 10 practical tools to hospital visitation?

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Superstições: amuletos trazem sorte?

Quando eu era Coordenador Geral de Inspeções [Brasil e Exterior], do Banco Real, um colega me procurou e disse: "Quando você for enviar sua equipe para auditar as Unidades nos Estados Unidos, por favor, peça a um deles para me trazer uma nota [cédula] de dois dólares americanos para que eu sempre a tenha, como amuleto, na carteira, pois ‘chama’ mais dinheiro, muito dinheiro!"

Pensei com os meus botões: "se isso não passasse de superstição, mera crendice popular, não haveria pobres no mundo, sequer classe média, pois pouco custa andar com uma cédula, de pequeno valor, a mais no bolso".

Nesta semana, recebi, por uma rede social, de três pessoas diferentes, uma borboleta azul com os dizeres: "Diz a lenda que se você enviar uma borboleta para os amigos tudo de bom ‘volta’ em dobro. Aceite, é de coração" (sic). Dei boas risadas [em dobro].

Tive asma dos dois aos vinte e um anos e fui vítima de várias "simpatias" que as "comadres" receitavam; uma vez, lembro-me, cortaram as minhas unhas, colocaram em um saquinho de pano, furaram um buraco no tronco de uma frondosa árvore, após medirem a minha altura; colocaram o embrulhinho lá, fecharam-no com a própria lasca que fora tirada antes: "quando eu passasse daquela altura, ficaria curado" (sic) – por muitos anos eu dava boas risadas, logo após às crises asmáticas, e dizia: "por certo, eu ainda não cresci!"

Nós, cinco irmãos, e toda a criançada da vila na qual morávamos, tivemos caxumba na mesma semana; vizinhas chamaram uma "benzedeira" que, com agulha e linha, cosia um pequeno saquinho de pano branco [igual ao das unhas] e dizia: "O quê que eu corto?", e as crianças tinham que responder: "caxumba" – na minha vez, eu dei uma risada e respondi "macumba" e saí correndo para brincar.

Todos nós ficamos curados, no tempo certo da doença, inclusive eu que, desde a primeira infância, não gostava dessas crendices populares; na época eu não sabia, hoje sei, que "é Deus quem sara todas as nossas enfermidades" (Sl. 103 3).

A Palavra de Deus nos afirma, nos dá segurança, e nos alerta, pela pena do Apóstolo Paulo:

"Ora, o Espírito [Santo] diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos vêm de homens hipócritas e mentirosos (...) Se você transmitir essas instruções aos irmãos, será um bom ministro de Cristo Jesus, nutrido com as verdades da fé e da boa doutrina que tem seguido. Rejeite, porém, as fábulas profanas e tolas, e exercite-se na piedade" (1 Tm. 4 1-2, 6-7).

Diz, ainda, a Escritura Sagrada: "Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina [como hoje]; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os MITOS (1 Tm. 4 3-4).

O mundo atual prefere viver no "engano", nas superstições, nas "simpatias", na fé em objetos de pau, de gesso, de pedra, de bronze, etc., e a Palavra de Deus é clara sobre isso:

"Os ídolos deles, de prata e ouro, são feitos por mãos humanas. Têm boca, mas não podem falar, olhos, mas não podem ver; têm ouvidos, mas não podem apalpar, pés, mas não podem andar; e não emitem som algum com a garganta. Tornem-se como eles aqueles que os fazem e todos os que neles confiam" (Sl. 115 11).

É abominação, é afronta a Deus depositar a fé na matéria, nas lendas, nas fábulas, nas superstições, nas "simpatias", quando Ele já fez, para nós, TUDO o que é necessário para a vida, para a salvação, para a cura, para a libertação, para uma vida digna diante d’Ele e da humanidade.

Ele ENTREGOU o seu Filho unigênito [sem pecado algum] para DAR a sua própria vida em nosso lugar – os pecadores, os injustos, os incréus somos nós [e eu sei que sou o pior], mas foi ELE e tão somente Ele quem morreu e ressuscitou para que a humanidade só receba o bem, o consolo, o conforto, a salvação, a misericórdia, que "se renova toda manhã", conforme diz a Bíblia:

"Lembro-me da minha aflição e do meu delírio, da minha amargura e do meu pesar. Lembro-me bem disso tudo, e a minha alma desfalece dentro de mim. Todavia, lembro-me também do que me pode dar esperança: graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. Renovam-se a cada manhã; grande é a sua fidelidade" (Lm. 3 19-23).

Se o Senhor Jesus já deu a sua vida por nós para quê [e por quê} recorrer a crendices populares, sem fundamento?

Em assim fazendo anulamos o que já recebemos [a salvação pela graça, mediante a fé em Cristo]; crucificamos o Senhor Jesus, novamente, a cada ato [esotérico] como esses (Hb. 6 4-6).

Pense nisto!


São Paulo - SP

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Cruz, sofrimento e espiritualidade

“...Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios.” (1Co 1.23).

Vivemos numa sociedade que abomina a realidade do sofrimento. Por todos os meios tenta negar a sua existência. Muitos são os meios empregados, desde a alienação das drogas lícitas e ilícitas, às técnicas psicológicas e às indústrias do cosmético e entretenimento. Também religiões tradicionais falam do absurdo do sofrimento como uma contradição da existência humana em face de seu propósito em ser feliz.

A cultura contemporânea acusa o Cristianismo de ter glorificado o sofrimento, dizem que não faz bem para a alma ser confrontada, por meio da cruz, com os lados desagradáveis da vida. Por isso, infelizmente, no contexto cristão, ou pelo menos, que se faz passar por cristão, não poucas expressões eclesiásticas também anatematizam o sofrimento e a imagem da cruz. Reputam o sofrimento sempre como uma ação demoníaca, ou na maioria das vezes, oprimem os fieis reputando à falta de fé e de obediência à Deus o sofrimento experimentado. Claro, os demônios tem poder limitado e limitada liberdade para impingir certos tipos de sofrimentos. A incredulidade e a desobediência também trazem consigo os sofrimentos que lhes são próprios. Mas, o fato é que, o sofrimento faz parte da contingência humana.

Todos seremos acometidos pelo “absurdo” do sofrimento, da contradição unilateral dos elementos desta existência que escapam à nossa vontade ou controle. Se o sofrimento fosse apenas uma simples questão de falta de fé ou desobediência, o que teríamos a dizer de Paulo, Estêvão, Pedro e todos os mártires que regaram o chão da Igreja com o seu sangue?

Precisamos redescobrir a espiritualidade da cruz como linguagem para entender e integrar o sofrimento como parte essencial na formação de nosso caráter, mas também como marca de genuinidade de nossa fé vivida na contramão dos valores e das medidas deste mundo. Os cristãos antigos perguntavam menos pela razão do sofrimento. Para eles, fazia parte de sua existência no mundo. Mas eles viam na cruz uma ajuda para passar pelo sofrimento sem perecer. A cruz os fortalecia e lhes dava a esperança de que não haveria sofrimento definitivo.

Ainda que a cruz termine na morte, ela aponta para a ressurreição, para a transformação do pior sofrimento possível em nova vida, em vida indestrutível. Assim entendemos que o sofrimento entendido na perspectiva da cruz de Cristo é a realidade que cruza e contraria diariamente nosso caminho e nossa vida para quebrar as ideias erradas que construímos em relação a nós mesmos, corroborando assim para a nossa maior identificação com Cristo. É aquela nova criação para a qual valem outras medidas, que não as de uma existência puramente mundana, que precisa se orientar pelas leis desumanas deste mundo caído.

O mundo, com suas medidas e seus parâmetros de desempenho, reconhecimento e felicidade, já não tem poder sobre nós. O sofrimento recebido na sabedoria da cruz é um sinal da graça de Deus e um protesto contra as nossas tentativas de redimir-nos a nós mesmos e de comprar a nossa salvação com o desempenho próprio. O sofrimento nos coloca em nosso lugar: criaturas incapazes que dependem da Graça de Deus. Se não fossem as contradições da vida e se tudo fosse só sucesso, facilmente nos idolatraríamos a nós mesmos, como tantos fazem por aí, como “Narcisos” incensando a própria vaidade.

Por mais absurdo que possa soar aos nossos ouvidos aburguesados, a espiritualidade da cruz é a chave para a verdadeira vida. Longe de nós desejarmos o sofrimento, ou atraí-lo, ou produzi-lo gratuitamente (isto seria uma blasfêmia e negaria a própria verdade e utilidade da cruz no gracioso plano redentor do Pai). Mas longe de nós também negar ou não acolher a realidade do sofrimento, categorizando-o como absurdo.

Aprendamos dos antigos cristãos:

“Teu Senhor não foi pregado no poste da cruz? Tu deves imitar o teu Senhor! Se amas teu Senhor, então morre a mesma morte que ele e faze o caminho do apóstolo: ‘O mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.’ (Gl 6.4). Por mundo entenda: elogio humano, poder e sucesso exterior, fama, riqueza, luxúria, bebedices e glutonerias, fofocas e maledicências...Crucifica-te para estas coisas” (João Crisóstomo).

“E, assim, quando sofrer, que seja por fazer o bem, ou, para te fazer bem” (Tertuliano).

Não existe Cristo sem crucificação. Não existe cristão sem Cruz!

Nos laços da cruz gloriosa,


É ministro da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP) e professor de Teologia Pastoral e Bioética no Seminário Presbiteriano do Sul, de Filosofia na Faculdade Internacional de Teologia Reformada (FITREF) e de História das Missões no Perspectivas Brasil.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Carisma e caráter na Igreja

É possível que quando pensamos em uma igreja viva associamos a uma igreja dinâmica, engajada, repleta de atividades, programações e oportunidades a todas as faixas etárias, que tenha uma liderança visionária, que mobilize e motive as pessoas. Por outro lado, pela influência de uma tradição carismática e pentecostal, muitas vezes se pensa numa igreja viva aquela em que os cultos são fervorosos, a palavra seja pregada com poder e haja manifestações especiais do Espírito Santo. Realmente, essas podem ser descrições de igreja viva, pelo menos no que se refere à sua organização, funcionamento, atividades e culto.

Mas é nisso que se resume a ideia de igreja viva? Uma igreja genuína, autêntica e cheia de vida é a mesma coisa que uma organização dinâmica, eficaz e engajada? É possível identificar traços de uma igreja viva?

Os reformadores do século 16 e a teologia reformada até os dias de hoje falam de uma igreja verdadeira e a definem como igreja onde se prega a Palavra verdadeira, os Sacramentos são administrados fielmente e a disciplina é exercida com eficácia. À medida que o movimento reformado se estabelecia como movimento religioso e eclesiástico independente da igreja romana da época, e muitos outros movimentos de reforma iam surgindo, alguns defendendo uma ruptura mais radical com as práticas e formas da igreja medieval, foi preciso os reformadores estabelecer os parâmetros de uma verdadeira igreja.

Hoje, diante da multiplicação de igrejas, movimentos, comunidades e grupos religiosos cristãos evangélicos, muitos dos quais com grande projeção nas mídias, arrojo de ações e imagens, fortalecimento institucional, e outros indo na contramão dessas tendências, optando por informalidade e valorização das relações em vez das estruturas, é preciso refletir sobre a igreja viva.

Rick Warren (A igreja com propósito) e Christian Schwarz (O desenvolvimento natural da igreja) entendem que a igreja cresce naturalmente e se não está crescendo há algo de errado, por isso, todo pastor deve perguntar não “como fazer a igreja crescer?”, mas “o que está impedindo a igreja de crescer?”. Essa visão demonstra uma ideia de que a igreja é organismo vivo e se não cresce é porque ela está enferma. No entanto, revela também um conceito de crescimento principalmente numérico. Mas essa visão de crescimento foi desafiada muitos anos atrás por autores latino-americanos, dentre os quais Orlando Costas, que defendia um crescimento mais holístico da igreja pelas dimensões numérica, orgânica, conceitual e diaconal. Desse modo, os sinais de uma igreja viva não podem ser constatados somente pelo crescimento numérico e pelo seu funcionamento.

Na realidade, pelos conceitos atuais de crescimento e revitalização de igreja, um dos requisitos essenciais de uma igreja é sua visão, missão e uma liderança qualificada. No entanto, o conceito bíblico de igreja viva e saudável está mais na ação e evidência do Espírito Santo na vida das pessoas. Mas, mesmo quando se fala de ação e presença do Espírito Santo na igreja, nossas tradições eclesiásticas e doutrinárias divergem quanto ao modo de entender presença do Espírito.

A passagem de Atos 2.42-47 é frequentemente usada para ilustrar e fundamentar a igreja saudável. Os primeiros convertidos perseveravam na doutrina, partiam o pão, na reunião para comunhão, oração e adoração, na manifestação do poder pelos sinais e prodígios, na assistência aos necessitados por meio da partilha dos bens e do serviço diaconal, e cresciam em número.

Os ensinos de Paulo em Romanos, 1 Coríntios e Efésios sobre os dons espirituais são também usados para descrever uma igreja viva. Nessa igreja, cada membro exerce o seu dom ou ministério para a edificação do corpo. Mas como vemos na carta aos Coríntios, aquela igreja demonstrava a presença de diversos dons, porém, ela possuía também diversas fraquezas, problemas e divisões. Por isso, não é só a presença do carisma que revela a presença do Espírito e a essência de uma igreja viva. Paulo insiste muito na unidade e no discernimento do corpo.

Mas uma igreja viva não é só aquela que realiza o ministério por obra do Espírito Santo. É também a igreja cujos membros andam no Espírito e demonstram o fruto do Espírito em suas vidas. Se, assim como John Stott que sonha com uma igreja bíblica, adoradora, acolhedora, que sirva e que espera, eu puder sonhar e desejar uma igreja viva, eu gostaria de ver mais amor, alegria, paz, bondade, benignidade, longanimidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio – o fruto do Espírito – na vida dos membros, nas estruturas, ações, pregações e ministérios da igreja. Uma igreja que equilibra o carisma com o caráter.


Pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento e diretor acadêmico da Faculdade Teológica Sul-Americana, em Londrina (PR).

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Sem vergonha de ser cristão, honesto e feliz

“Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias.” (Sl 34.13)

“Faz escuro, mas eu canto.” (Lutero)

No coração do evangelho vemos a centralidade da alegria de Jesus na missão de Deus. Um sentimento de alegria que gera festa: é o pastor que reencontra a ovelha perdida; é a mulher que exulta quando a moeda perdida é encontrada; é o pai que vai ao encontro do filho perdido para homenageá-lo com a graça, em festa e grande alegria; alegrai-vos comigo, diz Jesus a cada feito. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz” (Gonzaguinha). Poetas e cantores proclamam a alegria de viver. Saint-Exupéry dizia: “O maior prazer é o prazer de conviver com os outros”. A ética do cuidado começa e finaliza, portanto, na alegria do bem, na felicidade e no prazer de participar do bem-estar de todos, na denúncia de privilégios de poucos e exclusão de muitos.

O que se deseja, no mais secreto do coração, como bem supremo é, de fato, ser “feliz”? Jesus Ben Sirac, o autor do Eclesiástico, ensinou que, afinal de contas, todos queremos ser felizes, e a felicidade é o grande fim em si mesmo, o grande desejo humano. Assim também dizia o salmista: “Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dia” (Sl 34.13).

Antes de contrair a doença mortal da ambição, quando o homem (humano) se sentia feliz, tranquilo e seguro, sem ganância de poder, sem pensar numa felicidade comercializável, que permite vender a graça como uma mercadoria num balcão, o salmista já dizia: “Pela tarde vem o pranto, e pela manhã gritos de alegria”. O mais alto ideal cristão está aqui: felicidade, bem-aventurança eterna. E Deus cuida de seus filhos e filhas por meio de nós. Sejamos felizes por isso.

A felicidade não se compra, mas é sempre buscada. Como uma “ave peregrina”, um passarinho que pousa às vezes em nossa janela, mas que escapa no momento exato em que queremos domesticá-lo, como nos lembra um ensinamento oriental. Damos muitas voltas pelo mundo: buscamos “ter”, “saber” e “poder”. Contudo, por meio desses poderosos verbos auxiliares da propriedade, da sabedoria corrompida, da potência, buscamos ser felizes (L.C.Susin). No entanto, dificilmente alcançamos esse fim. A manhã nunca chega por esses meios. Permanece a noite tenebrosa que assustava Lutero. Os corais angelicais já devem começar seu encantamento aqui na terra: “Faz escuro, mas eu canto”.

Concretamente, dá pra ser feliz num mundo sem compaixão? A felicidade está essencialmente ligada à alegria e ao prazer, ao sentimento jubiloso de gozo, à plenitude passageira, mas profunda, em que o prazer faz vibrar o ser humano na sensação positiva da vida em gozo pleno.

A felicidade está ligada ao prazer de um sorriso, como o da criança que brinca feliz com a areia sem pressentir que já é um esboço do que vai ser: “Homem (que) pode ver um mundo num grão de areia e um céu numa flor silvestre, segurar o infinito na palma da mão e a eternidade em uma hora” (William Blake). Tantos conteúdos para a “alegria de viver”! A ética mais rudimentar e mais sincera é a que envolve o prazer como forma de ser feliz. Aí está a primeira liberdade e o primeiro amor à vida, a primeira consciência da honestidade. Creio que Kant poderia ter dito isso, se não disse, em sua ética exigente de sinceridade, de verdade contra a hipocrisia ou a ambiguidade, da colocação do dever acima de tudo: é um prazer ser honesto! É um prazer não compartilhar com a corrupção reinante e não aceitar que um governante nos chame de “imbecis” e que seus aliados políticos sejam inatacáveis quando distribuem esmolas para o povo (Lula e Sarney).

Haverá outras formas de se expandir a felicidade, como, por exemplo, a felicidade de se dedicar a uma causa de justiça, de trabalhar em favor da cooperação e da solidariedade com os que não têm nada, de aprender da gente do povo, que vive feliz em sua sabedoria sem ganância, de fazer alguém feliz e até de sofrer pela gente amada. Porém são como que degraus sobre a estrutura básica do prazer. A primeira alegria é a de viver. O mais alto ideal ético, o de viver em comunhão, não dispensa, mas exige o prazer. Jesus ensinou, e nós devíamos assinar em baixo.


• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. www.derv.wordpress.com

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Advento: O Rei virá

“Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel” (Is 7.14).

Iniciamos neste domingo o novo ano litúrgico da igreja cristã, o tempo do advento. O advento é um tempo litúrgico que pode ser divido em duas partes. Nas duas primeiras semanas (dois primeiros domingos), as ênfases bíblicas se concentram nas promessas e nas profecias quanto a vinda do Messias, o desejado das nações. Os textos propostos para a reflexão da igreja se encontram em quase sua totalidade no Antigo Testamento, a partir de Gênesis 3.15. A partir da terceira semana a liturgia nos propõe a expectativa mais iminente da vinda do Messias, aqueles sinais mais claros, como o da visita do anjo na anunciação à Maria e etc. Todavia, o advento também tem um ar escatológico, pois, tendo já ocorrido na história a realização da promessa e das profecias, a plenitude do tempo já chegou (Gl 4.4) – os dias que agora vivemos são aqueles que em sóbria expectação, na alegria da salvação consumada na cruz, aguardamos o retorno glorioso de Jesus Cristo para a consumação do plano da redenção.

O advento é, portanto, para a igreja e cada crente, um tempo muito rico e que deve ser aproveitado como que saboreando a história sagrada nas páginas da Bíblia. O calendário litúrgico não tem outra razão de ser, bem como as suas festas, do que plasmar na alma e na mente dos adoradores as verdades centrais da fé. O tempo litúrgico é uma espécie de credo celebrado, cantado e confessado.

Voltando ao advento, como igreja devemos usufruir da pedagogia proposta para dar os seguintes passos na fé:

1. Aprofundar a nossa certeza e a nossa confiança nos registros bíblicos quanto ao nascimento humano, virginal, sobrenatural e histórico de Jesus Cristo, o Deus humanado, como diria Bernardo de Clairvaux. Os relatos distam de 3.000 a 700 anos antes de Cristo mais ou menos, em se tratando de Antigo Testamento. Essa esperança vem de longe, de tempos imemoriais, e foi exatamente essa esperança que sustentou a fé do povo de Deus em meio as muitas vicissitudes. Quanto mais a nós, que já não vivemos da promessa, mas que temos a realidade, quanta esperança e quanta força não podemos haurir?

2. O Advento quer demover dos nossos corações os elementos culturais e as muitas outras influências mundanas que nos impedem de dar ao Natal o seu sentido verdadeiro. Pelo Advento, ao cantar os hinos que apelam para que a velha história seja contada, ao visitarmos os textos iminentes da encarnação do Verbo, ao entrarmos no lugar onde Maria estava (pela narrativa bíblica), quando o anjo a visitou, somos despertos para a consciência de que Cristo é a única razão de ser do Natal. Se é verdade que existe um espírito de Natal, ele não pode se esgotar em palavras e sentimentos de paz, solidariedade, altruísmo, compartilhamento e boas obras, geralmente tudo de ocasião e efêmero. O Espírito Natal é o Espírito de Cristo que veio ao mundo para salvar pecadores. Que veio ao mundo para salvar todos quanto nele creem. Sem Cristo, o Natal não faz sentido.

Conheço pessoas que não se sentem bem com as festas de fim de ano, sobretudo o Natal. Sofrem com certa melancolia, são atacadas por uma nostalgia desconfortável, que parece dizer que perderam algo ou não aproveitaram como deveria uma parte da própria vida e etc. Talvez, algumas lembranças doces da infância e de pessoas queridas que não mais se encontram entre nós possam mesmo provocar em nossa alma uma saudade doída. Todavia, quando se tem bem presente de que no Natal o que ganhamos não pode mais ser perdido, que nunca mais irá embora e nem nos deixará partir, quando redescobrimos que o Senhor estará sempre presente, não havendo espaço para saudades, então as nossas carências todas são respondidas e supridas na alegria do Emanuel.

Então, para que serve o Advento? Para preparar o nosso coração tão sobrecarregado e tão distraído pelas muitas preocupações da vida. O Advento é uma espécie de memorando ou lembrete antecipado para nos recordar que o Rei está chegando, que Ele em breve virá.

Parafraseando o grande Agostinho, quem não amou a primeira vida do Rei, não suportará quando Ele regressar. Da primeira vez, Ele veio em fragilidade, pequenez, dependendo da ajuda de suas criaturas para sobreviver à nossa miserável condição. Ele se expôs no presépio, na irresistível beleza de uma criança nos braços da mãe. Cheio de graça, no tempo devido, se expôs voluntariamente no alto da cruz, agora deixando transparecer nele a fealdade do nosso pecado e a punição imputada. Quem não o amou nessa vinda primeira, quando em nossa vulnerabilidade, fez-se próximo, tão próximo que foi chamado de Filho do Homem, não o amará, antes, se encherá de medo, terror e angústia quando Ele vier sobre as nuvens, em glória, para exercer a vingança e levar consigo os que lhe pertencem.

Aproveitemos o Advento para abastecer o nosso coração de pios e santos afetos por Àquele que, vindo, trouxe-nos a salvação, e, quando voltar, nos dará a sua glória para sempre.

• Luiz Fernando é Ministro da Palavra na Igreja Presbiteriana Central de Itapira, Coordenador do Departamento de Teologia Pastoral do Seminário Presbiteriano do Sul, Professor de Teologia no mesmo seminário e professor de Teologia no Seminário Teológico Servo de Cristo, SP e Faculdade Teológica Batista de SP.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Há solução para o pecado que as máscaras escondem

Frequentemente julgamos a vida a partir de valores mais externos, contábeis e visíveis do que pelas coisas do coração. Corremos, assim, o risco de nos encantarmos com histórias, livros e pessoas que não encantam a Deus, aprovando aquilo que Ele desaprova e desaprovando o que Ele aprova.

A sociedade nos leva a crer que somos aquilo que aparentamos e, não raras vezes, somos julgados pelos nossos títulos, realizações, influência, aparência e tantas outras credenciais que tentam definir nossa identidade.

A razão para tal postura sociocultural é a natureza pecaminosa humana e sua tendência a esconder-se de Deus e da verdade. Desde Adão, que fugiu ao ser convocado por Deus em Gênesis 3, nos tornamos seres construtores de máscaras, agindo com ar de espiritualidade enquanto os interesses do coração e a satisfação do ego tornam-se o centro da vida.

Qual a sua máscara?

O uso de máscaras é prática comum em diversas culturas, festas e apresentações teatrais ao longo da história. Dentre a diversidade de significado e função, máscaras são frequentemente usadas para esconder a verdadeira face ou projetar uma aparência diferente. De igual modo, somos uma sociedade inclinada ao uso de máscaras, tanto para esconder a verdade como para projetar uma imagem idealizada. Máscaras de pureza em vidas sem compromisso com a santidade; máscaras de amor em relacionamentos marcados pelos interesses pessoais; máscaras de compromisso em casamentos internamente destruídos; máscaras de tolerância, que escondem planos vingativos; máscaras de espiritualidade em decisões puramente políticas e interesseiras; máscaras de exortação em sermões que não correspondem com a própria vida; máscaras de misericórdia, sem coração compassivo ou qualquer interesse em aliviar a dor do aflito.

Na busca por um coração íntegro talvez a oração mais marcante na Palavra tenha sido proferida pelo salmista: “Sonda-me ó Deus, e conhece o meu coração: prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23, 24).

No Reino de Deus a verdade é o fundamento de toda avaliação. Não por acaso a Palavra nos diz que ela nos libertará. A ausência da verdade, por outro lado, nos mantem cativos às mesmas masmorras psíquicas e comportamentais de sempre. De quando em quando, precisamos ser chocados com a verdade sobre as nossas vidas, que faz depor as máscaras, reconhecer o estado do coração e buscar misericórdia e transformação em Cristo. Estes choques de realidade geralmente acontecem no encontro com a Palavra de Deus.

Deus não se impressiona com seus feitos
O elemento principal com o qual Jesus nos avalia é bem menos visível, menos contábil e certamente menos observado por aqueles que nos cercam, pois Ele nos conhece no íntimo, sem máscaras, manipulações ou enganos. A Palavra usa expressões como “coração puro” (Sl 51:10), “de todo o teu coração” (Mt 22:37), “integridade do coração” (Sl 78:72), e “santidade ao Senhor” (Ex 29:6) para nos fazer entender que Deus nos avalia mais pelas coisas do coração do que pela nossa roupagem.

Sim, Jesus conhece o secreto da sua vida. Ele certamente não se impressiona pelas grandes construções que levantou, realizações aplaudidas por multidões ou teses defendidas debaixo dos holofotes. O Carpinteiro de Nazaré olha direto para o seu coração e vasculha a sua alma. E é justamente neste campo que seremos encontrados, fieis ou não.

A racionalização, a fuga e a hipocrisia: inimigas da santidade

Há vários elementos humanos que nos preterem de buscar um coração puro. São os inimigos da santidade, contra os quais devemos lutar. Três deles são a racionalização, a fuga e a hipocrisia.

O problema central da racionalização é que ela nos distancia da verdade. Leva-nos, tão somente, a construirmos as razões que justificam o nosso pecado, não nos confronta e jamais nos ajuda a termos corações transformados. Se você convive com alguém que sempre racionaliza seus problemas pessoais, há uma alta chance de que ele venha a repeti-los muitas e muitas vezes. A soberba e orgulho são aliados da racionalização, pois ajudam a pensar que o outro é sempre inferior e, consequentemente, participante maior em nosso próprio erro. Tolstoi, no livro Celebração da Disciplina, argumenta que todos pensam em mudar a humanidade, mas poucos pensam em mudar a própria vida. E a racionalização é um sério elemento que nos impede de buscarmos uma vida confrontada e transformada pela verdade.

A fuga, assim chamemos, trata o pecado como um objeto distante e jamais o observa de perto. Tal mecanismo provoca constantes evasivas no pensamento e discurso quando se trata de avaliar o próprio coração. Corações em fuga jamais lidam com seus erros de forma objetiva, pois há sempre outra pessoa, circunstância ou motivo que deve ser o foco de atenção e para onde se transfere a responsabilidade primária do pecado. O problema da fuga, bem como da racionalização, é que nos distanciamos da verdade, andando sempre nas adjacências dos nossos erros, sem jamais vê-los confrontados.

O caminho para um coração santo inicia na Palavra que nos encoraja, ensina, confronta, conduz à retidão e alinha nossos pensamentos, impedindo a racionalização improdutiva ou a fuga irresponsável. Sendo assim, a busca por uma vida cristã autêntica faz-nos olhar para Deus e torna-nos sensíveis ao pecado, “para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus, inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp. 2:15).

A hipocrisia, por sua vez, é quase sempre resultado de um coração soberbo e olhar altivo, que impede de perceber que o pecado apontado e combatido no outro corresponde, muitas vezes, à tendência do nosso próprio coração. Um coração hipócrita é aquele que é duro, rápido e assertivo para apontar o pecado alheio, com expressão de surpresa e repúdio, mas se mantem em silêncio com os próprios pecados, tratados com extrema tolerância. Salomão enfatiza que Deus se entristece profundamente com tal conduta, pois o Senhor aborrece olhos altivos (Pv 6:17). Gálatas 5 nos revela que as obras da carne estão todas no mesmo pé de igualdade. Os pecados contra a pessoa de Deus (idolatria, feitiçaria), contra o próprio corpo (prostituição, impureza, lascívia, bebedeiras e glutonarias) e contra o outro (inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções e invejas) igualmente nos distanciam do Senhor.

Devemos lutar não apenas contra a prostituição e a idolatria, como claramente se faz na Igreja de Cristo, mas também contra a arrogância, a murmuração, o orgulho, a malícia, a avareza, a inveja, a altivez, a jactância, o desrespeito e o atrevimento.

É certo, porém, que não podemos purificar nosso próprio coração. Dentre tantas verdades marcantes do Cristianismo, uma das principais é que dependemos de Deus. Que o Senhor nos leve a orar com sinceridade e humildade, a cada dia, como o salmista: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro em mim um espírito inabalável” (Sl 51:10).

 Ronaldo Lidório é doutor em antropologia e missionário da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais e da Missão AMEM. É organizador de Indígenas do Brasil -- avaliando a missão da igreja e A Questão Indígena -- Uma Luta Desigual.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Na ONU, Brasil vota pela erotização infantil, mas medida não é aprovada

O controle dos pais sobre o modo como as crianças serão expostas à educação sexual na sala de aula foi debatido na semana passada numa comissão das Nações Unidas dedicada ao tema da infância.
A proposta era que, após a leitura do Terceiro Comitê da 72ª Sessão, fosse aprovada uma resolução recomendando que crianças pequenas pudessem ser expostas a aulas sobre sexo sem a necessidade de os pais serem informados. Entre os favoráveis estava o Brasil.
A maneira como votou cada país pode ser visto aqui. Y (sim) é para barrar as resoluções e N (não) é para sua aprovação.
Contudo, após a manifestação contrária dos Estados Unidos, que sob o governo Trump tem impedido o avanço das agendas liberais, os países do continente africano votaram em massa uma emenda contrária. A exceção foi a África do Sul, que ficou ao lado dos países europeus, que sugeriram a mudança.
Sendo assim, a autoridade dos pais sobre a educação sexual dos filhos está, temporariamente, garantida.
O Center for Family and Human Rights, uma ONG pró-vida, explica que o bloco africano e a pequena nação caribenha de Santa Lúcia orquestraram a votação que barrou – com 90 votos a favor da mudança e 78 contrários – as três resoluções abusivas.
Os africanos, liderados pelo Egito, foram inflexíveis, deixando claro que se oporiam a qualquer resolução das Nações Unidas que não levassem em conta a necessidade de “orientação dos pais e dos responsáveis legais”.
Santa Lúcia foi a primeira a propor uma alteração em parágrafos que falavam sobre crianças e adolescentes, que para a ONU são pessoas a partir dos 10 anos de idade.
“Os pais e a família desempenham um papel importante na orientação das crianças”, disse a delegada de Santa Lúcia na Assembleia Geral, insistindo que a linguagem original da resolução não era “adequada”, pois colocava a opinião dos pais em pé de igualdade a das crianças e dos professores.
Ela lembrou a todos do tratado da própria ONU sobre os direitos da criança, que reconhece o papel dos pais no direcionamento da educação de seus filhos.
Visivelmente frustrados, os delegados europeus e latino-americanos pediram uma votação sobre essas emendas. Acabaram vendo prevalecer a vontade dos países mais conservadores.
A União Europeia disse que não “virou a página” sobre educação sexual, indicando que o tema voltará a ser votado. Na mesma linha, os delegados da América Latina chamaram o texto final de “altamente problemático”.
O representante do Canadá disse: “não podemos aceitar isso”. Um delegado australiano afirmou que eles estavam “extremamente decepcionados”.
O delegado da Noruega foi o mais transparente, deixando claro que não podiam aceitar a premissa da emenda porque “as crianças devem decidir de forma livre e autônoma” sobre assuntos que envolvam saúde sexual e reprodutiva.
O representando egípcio, falando em nome dos países africanos, respondeu com igual transparência: “Nossa cultura africana respeita os direitos dos pais” e “rejeita as tentativas de alguns países de impor seu sistema educacional sobre nós”.
Os Estados Unidos e o Vaticano se pronunciaram, enfatizando o papel dos pais na educação sexual e rejeitaram o aborto como um componente da saúde sexual e reprodutiva.
As agências das Nações Unidas continuarão promovendo “educação abrangente sobre sexualidade” através de seus escritórios em todo o mundo. A falta de consenso sobre a questão na comissão frustrou as tentativas de legitimar a erotização precoce como um programa oficial da ONU. Com informações ONU e Center for Family and Human Rights

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