NOSSA MISSÃO: “Anunciar o Evangelho do Senhor Jesus à todos, transformando-os em soldados de Cristo, através de Sua Palavra.”

Versículo do Dia

Versículo do Dia Por Gospel+ - Biblia Online

sábado, 4 de novembro de 2017

Ansiedade à luz de Jesus no Sermão do Monte MT 6: 25-34

Você é ansioso? Você se sente assim por vezes? Eu sim, e cada vez mais tenho aprendido e preciso descansar em Jesus, confiando a ele toda a minha vida.

A ansiedade como outro qualquer mal estar emocional tem sido o que mais dá lucro a indústria farmacêutica, uma pesquisa muito recente mostra que a Industria farmacêutica lucrou 12% a mais este ano.

E o que é ansiedade senão um medo de perder algo ou deixar de ganha-lo? Perdemos o que temos e deixamos de ganhar aquilo que não temos. As pessoas, neuroticamente ficam com pensamentos acelerados antevendo que podem perder o sempre, preocupam-se se vão ou não passar no vestibular, ser acometido por uma doença estar fadado a ficar sempre sozinho sem uma companheira, um companheiro.

Ansiedade no original grego nesse contexto significa "estrangulamento", sufocar, tirar as nossas forças.

De acordo com a OMS 50% das pessoas que passam pelos hospitais são vitimas da ansiedade.

O tempo é um mal estar social que pode conduzir a ansiedade. Hoje ao esperar o metrô, no meu caso no Metrô Butantã, tem um reloginho que conta em forma decrescente 2;00 m, 1:59, 1:58m para o trem vir , um aplicativo diz que hora ônibus encosta no ponto; os semáforos vermelho vão ficando paulatinamente verdes , formas que os homens encontram de lidar com a ansiedade sem saber que isso os fazem ainda mais ansiosos, pois na falta destes artifícios quem sobre é a mente a alma e o corpo..

A proposta de solução de Jesus é "Observai" – (Vs 26) olhar ao redor, ver o que está acontecendo, ver os movimento da vida e o que Deus tem feito ao redor, "Se Deus assim pois veste". Eu gosto muito da analogia do transito. Quem dirige sabe. A gente tá de olho no retrovisor mas não pode descuidar da frente, e na frente a gente olha o carro do lado, do outro, a seta, se é que dão (risos) e mesmo assim somos capazes de cometer erros. A vida é assim a gente olha pra frente, não esquecendo do que passou. Olha pra os planos, pro futuro, mas com o pé aqui e agora TENTANDO não ser tão ANSIOSO.

Deus cuida de nós. Vivi uma época que em casa chegamos a dividir um ovo para três , lembro que colocávamos farinha de mandioca para dar mais sustança e passávamos aquele dia. Hoje eu já diria como Paulo, estou treinado em qualquer circunstancia, sei comer, sei passar necessidade. Mas o que IMPORTA de tudo isso é que DEUS nunca nos deixou.

Hoje Deus quer pacificar o seu coração e a sua alma, então viva um dia de cada vez....lance, como relata I Pedro, toda a ansiedade sobre ele pois ele tem cuidado de nós. Afrouxe o cinto respire fundo e permita-se ser amparado e amparada pelo cuidado de Deus sobre a sua vida.

O suposto "deus" grego CRONOS (cronologia) nos faz correr e adoecer com o tempo e antecedendo as coisas.

Mas um outro ponto é que Jesus diz que Ansiedade é um problema de fé e espiritualidade Vs 32 "Os Pagãos" (ou seja aqueles que não levavam Deus a sério é que se preocupam com essa coisas de alimento e roupas e etc.

Ênfase de Jesus dá nesse texto especificamente, claro que Pedro dá outra abordagem e ainda Paulo outra, mas neste especifico é que ficamos ansioso não por causa de pessoas mas sim de coisas.

O capitalismo, no desdobramento do Consumismo - de 1950 para cá, consumimos 5 vezes mais. – O consumismo pode ser uma chaga mortífera. Lembro-me de um filme, onde A atriz Principal era Demi Moore, não recordo o nome. Ela vivia uma fachada de vida luxuosa e seu vizinho não alcançando aquele padrão foi e se suicidou.

70% dos assuntos que nos deixam ansiosos NUNCA irão acontecer, isso está provado estatisticamente.

Jesus ainda diz que a ansiedade é fruto da incredulidade. "Inquieteis" vs 34. Conta-se que o Papa Joao XXII no concilio vaticano II, disse aos presentes, irmãos precisamos nos CONVERTER. Foi um tal de bispos e cardeais desmaiarem e outros se queixarem dizendo como esse homem vem dizer para que nós que temos 50 anos de fé crista se converter?

Jesus diz que ansiedade é inútil – não e pode acrescentar um côvado. Vs 27. Não dá pra por 15 centímetros de altura, a não ser de salto alto.

É dinheiro que te deixa ansioso? Eu aprendi uma coisa com Ed Rene Kivitz – sempre doar, nem que seja 1 real, mas exercitar assim generosidade, evitando a mesquinharia e solapando o egoísmo e a ANSIEDADE em ter mais.

Deus tem cuidado de VOCE. Você sabia que temos uma bactéria letal em nós que se nosso organismo não responder, somos mortos em menos de 24 horas. O PAI guarda a mim e a você.

Ultima proposta pegar é o vs 33 deste capitulo onde King James Version. Holy Bible. ".Shall be" "Todas a coisas "DEVERÂO" acontecer segundo essa tradução do Século XV.

E irmãos eu acredito claramente que precisamos mudar a nossa mente, nossa trajetória, dar um giro de 180º e voltar para onde era melhor, voltar para CRISTO.

Que o Senhor nos ajude.

Marcio Albuquerque é Psicanalista em São Paulo - cel 11959925030 - mail marcio.albuquerque@usp.br

Um abraço, em Cristo.Marcio Batista De Albuquerque
Osasco - SP 

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

CAMPANHAS NAS IGREJAS E BÍBLICO?

Então perguntamos onde está o fundamento bíblico para se realizar campanha? Com toda certeza, no Evangelho de Cristo não há ordenança para as chamadas “campanhas” que os homens promovem hoje na maioria das igrejas. Nas escrituras não há uma só passagem que venha fundamentar o emprego da campanha na igreja.
Sinceramente não consigo olhar para as chamadas campanhas na igreja evangélica hoje sem questionar dois pilares que são fundamentais na realização de qualquer tarefa, alvo ou projeto que alguém possa estabelecer.

Os quais são: objetivo e resultado.

Perguntas estas que com certeza podem dar sentido a esta breve reflexão. Mas por favor, não pensem que sou algum tipo de Mister M querendo revelar os segredos dessa magia que superlotam os templos semanalmente. É que chega uma hora onde é necessário expor algumas vísceras para serem desinfetadas, e isto costuma fazer bem ao corpo. Por isso, tenho o prazer de convidar você para pensarmos juntos.

Você já se perguntou qual o objetivo de determinada liderança quando lança uma campanha nos moldes do tipo: sete passos para..., semana da vitória, semana do impossível, etc.? Pois eu já!

Certa feita eu perguntava a um pastor qual a necessidade em propor um serviço dessa natureza na igreja. Imediatamente ele me disse que era preciso trabalhar a fé do povo e que as campanhas são um excelente meio para isto, pensamento este que não parece ser diferente da maioria. O que de fato contraria o ensino de Rom.10:17 onde diz: “que fé vem pelo o ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”, e não pelo o mérito de qualquer campanha.

Observem que as tais campanhas nunca terminam, pois quando uma chega ao fim do seu ciclo, outra já é anunciada no mesmo dia.

Não tenho dificuldades em dizer que as infinitas campanhas na verdade são instauradas para gerar um processo de fidelização de fiéis; ou seja, você estabelece sete semanas disso ou daquilo e terá como recompensa neste período sempre as mesmas pessoas fidelizadas em seus cultos, garantido assim bom número de expectadores e contribuições. Para instituições que visam fama e fins lucrativos a idéia é fenomenal, pois se trata de uma jogada de marketing violenta! Porém não atende a nenhuma das expectativas do Reino que, por sua vez, propõe relacionamento e governo de Deus em nós, propostas estas que as campanhas evitam mostrar.

Outro ponto a ser observado e que é lamentável, são os prêmios do ego oferecidos nas ditas campanhas semanais, os quais são: cura física, conquistas de casa própria, carros, promoção no emprego, pagamento de dívidas, entre outros; o que faz milhões de evangélicos marcharem incansavelmente semana após semana aos templos em busca dessas coisinhas; bem diferente do que Paulo ensina em colossenses 3:1-3 quando orienta a igreja a pensar e buscar o que vem de cima, onde Cristo está assentado.

Será que não é hora de analisar por que não existe campanha para se buscar o dom do amor? Campanha pela paz, que é um fruto do Reino? Ou porque não se faz a campanha pela justiça? Penso que os irmãos deveriam questionar e pensar um pouco mais a respeito destas coisas.

E quanto ao resultado das campanhas; desculpe-me quem discorda, mas não vejo saldo expressivo para o Reino. Primeiro porque as pessoas vivem em busca das “bênçãos” supracitadas; atividades estas que não habilitam ninguém ao Reino de Deus. Segundo que as tais campanhas criam pessoas peritas no que Deus faz, mas indoutas em quem Deus é; devido às distorções e pobreza da teologia apresentada. E o terceiro mal, é que se tem uma geração de viciados em campanhas, de maneira que, não é difícil ver a migração de fiéis para outras denominações por faltar campanha em sua igreja, ou por considerar a mesma desinteressante. E este comportamento tem feito muitos líderes repetir a mesma campanha do colega, gerando assim uma proposta única e lamentável de Igreja.

Enfim, penso que as campanhas são intermináveis porque intermináveis são os desejos deles por platéias e contribuições.

📚Autor: Gilaelson Santos

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Os verdadeiros reformadores

Semper reformanda tem sido deturpado. É um dos slogans mais abusados, mal utilizados e incompreendidos dos nossos dias. Os progressistas capturaram e mutilaram o lema do século XVII e têm exigido que nossa teologia, nossas igrejas e nossas confissões estejam sempre mudando para que se adaptem à nossa cultura em constante mudança. No entanto, semper reformanda não quer dizer o que eles pensam que significa.
Semper reformanda não significa “sempre mudando”, “sempre transformando”, ou mesmo “sempre reformando”. Antes, significa “sempre sendo reformado”. Quando foi usado pela primeira vez, semper reformanda era parte da declaração mais ampla ecclesia reformata, semper reformanda (a igreja reformada e sempre sendo reformada). Para tornar a declaração mais clara, a expressão secundum verbum Dei (segundo a Palavra de Deus) foi acrescentada mais tarde, compondo a declaração “A igreja reformada e sempre sendo reformada segundo a Palavra de Deus”. Ela surgiu de uma preocupação pastoral de que nós, como povo de Deus, sempre fôssemos reformados pela Palavra de Deus, de que a nossa teologia não fosse meramente conhecimento teórico, mas que a nossa teologia fosse conhecida, amada e praticada em toda a vida. Em palavras simples, que a nossa teologia reformada de acordo com a Palavra de Deus estivesse sempre reformando as nossas vidas.
De modo fundamental, a teologia reformada é a teologia fundamentada e formada pela Palavra de Deus. Pois é a Palavra de Deus que forma a nossa teologia, e somos nós que somos reformados por essa teologia enquanto voltamos constantemente à Palavra de Deus todos os dias e em cada geração. Na sua essência, é isso que a Reforma do século dezesseis foi, e é isso que ser Reformado significa: confessar e praticar o que a Palavra de Deus ensina. A Palavra de Deus e o Espírito de Deus reformam a igreja. Dito isso, meros homens não são os verdadeiros reformadores, mas antes são mordomos e servos da reforma de Deus.
Nesse sentido, Martinho Lutero, João Calvino e outros não foram reformadores. Lutero e Calvino não se manifestaram ousadamente para reformar a igreja; humildemente, eles se submeteram à verdade reformadora da Palavra e ao poder reformador do Espírito. A Palavra e o Espírito reformaram a igreja no século dezesseis, e desde então eles têm reformado a igreja. Lutero e Calvino foram os que ajudaram a apontar a igreja de volta para a Escritura, e para a Escritura somente, como a autoridade infalível para a fé e a vida.
A Reforma não terminou, nem jamais terminará, porque a reforma — a Palavra de Deus e o Espírito de Deus reformando a sua igreja — nunca terá fim. A Palavra de Deus é sempre poderosa e o Espírito de Deus está sempre trabalhando para renovar as nossas mentes, transformar os nossos corações e mudar as nossas vidas. Portanto, o povo de Deus, a igreja, sempre estará “sendo reformado” segundo a Palavra imutável de Deus, não de acordo com a nossa cultura em constante mudança.

*Burk Parsons é pastor na Saint Andrew’s Chapel, em Sanford (Flórida), e editor da revista mensal Tabletalk, publicada por Ligonier Ministries.


terça-feira, 24 de outubro de 2017

A missiologia cristã sob o movimento Reformado

A Missiologia é uma área de estudo da Teologia relativamente recente, com origem na primeira metade do século XX. Surgiu como demanda teológica das discussões sobre estratégias da evangelização, realizadas pela Conferência de Evangelização em Edimburgo (1910). O intenso esforço missionário protestante dos séculos XIX e XX (chamado de “O Grande Século das Missões”), os problemas culturais e sociopolíticos (apontados pelo antigo Terceiro Mundo em relação ao missionarismo moderno), as guerras e a condição humana no Ocidente, etc. foram situações que pediram reflexão teológica das missões em geral, envolvidas diretamente com as questões dos novos contextos. A Missiologia aparece como um dos resultados da Teologia no esforço de corresponder a tais problemas.

Das estratégias de evangelização às discussões da primeira metade do séc. XX, houve uma convergência para a busca de entendimento da natureza missionária da Igreja , as implicações sociais da evangelização e sua contextualização. Áreas do conhecimento científico, como a Sociologia, Antropologia Cultural, Linguística e outras, serviram de instrumentais teóricos e metodológicos para o estudo da Missiologia. A América Latina, por ter sido por muito tempo campo do missionarismo protestante moderno, desde meados do século passado, tem realizado esforços próprios de pensar a missão da Igreja a partir de seu próprio contexto, gerando no seio evangélico mais do que uma missiologia, e, sim, uma Teologia de natureza missionária, com ênfase na contextualização de seu conteúdo e método, o que chamamos de teologia evangélica latino-americana.

A Reforma Protestante como Prática Missional Integral e Libertadora


A Reforma Protestante do séc. XVI foi acusada de não envolver a evangelização dos povos não cristãos, principalmente aqueles do chamado “Novo Mundo”, para onde foram os Jesuítas e outras ordens monásticas levar o cristianismo católico. Isto, de fato, ocorreu, e, entre justificativas teológicas, principalmente aquelas orientadas pelas ideias da eleição e da predestinação, estavam a necessidade de concentração de esforços para o estabelecimento do movimento de Reforma na Europa. Outra razão foi a não superação da ideia de cristandade pelo movimento protestante inicial e a manutenção da relação entre Igreja e Estado, tão criticada pelos anabatistas, que levou a estabelecer inicialmente o protestantismo somente em lugares em que os governantes se tornavam protestantes.

Se considerarmos a evangelização em seu sentido restrito, de proclamação oral do evangelho visando a conversão de pessoas para o cristianismo, certamente concluiremos que a Reforma Protestante teve pouco envolvimento evangelizador. Mas, sob o ponto de vista de uma nova evangelização, em seu sentido lato, abrangente, de transformação da vida e da realidade sócio-histórica, a partir do encontro com a graça de Jesus Cristo por meio das Escrituras, verificaremos que o movimento protestante, desde suas origens, mostrou-se caracteristicamente missional. Foi justamente no espírito de missão que a Reforma Protestante se deu. Por outro lado, fica o entendimento de que ações realmente missionárias provocam profundas transformações, verdadeiras reformas, em todo o contexto em que elas são realizadas.

A Europa da época dos reformadores era organizada na forma de cristandade, o que não significa que todas as pessoas eram de fato cristãs. A Reforma não somente contribuiu para colocar a Bíblia nas mãos do povo, mas estimulou seu livre estudo, ensinando que o Espírito Santo ilumina a todos para essa tarefa, indistintamente. O culto foi descentralizado e ganhou novos significados, com ênfase nas Escrituras, no ensino e na pregação. A salvação pela graça em Jesus Cristo foi a descoberta mais libertadora dos reformadores. Foi a verdade das verdades no movimento protestante, suficiente para desmantelar o clericalismo que prevaleceu na Igreja medieval. A corrupção teve no sistema de indulgências um terreno fértil para se propagar; por meio da dominação política e social da Igreja que se autocompreendia como detentora do poder de salvação.

A salvação pela graça de Jesus Cristo foi a verdade mais missional e libertadora, aplicada pela Reforma Protestante àquela situação religiosa e sociopolítica da Europa medieval. A libertação, sob tais bases teológicas, não se ateve somente às questões religiosas, mas foi também política e social, a ponto de ser considerada uma das forças da mudança cultural que ocorreu na Europa e originadora da modernidade.

Conclusão


A Missiologia, contemporânea, possui como uma de suas tarefas mais urgentes, recuperar a importância da Reforma Protestante, a partir dos novos contextos sócio-históricos e culturais latino-americanos, visando a sua necessidade de transformação. É preciso, entretanto, não somente de um círculo de interpretação adotado pela Missiologia latino-americana, mas da condição de Ecclesia Reformata et Semper Reformanda est, lema e propósito originário da Reforma, de suspeitar e não reproduzir os aspectos antitestemunhais do evangelho do Reino que se deram no incurso do movimento de Reforma e no posterior desenvolvimento do protestantismo. No entanto, como orientação missional, o caráter amplamente libertador da Reforma, a tornou fundante, não somente do protestantismo enquanto vertente cristã, mas da própria missão protestante que, em função de tais bases históricas e teológicas já apontadas, exige ser libertadora e integral, não menos do que isto.

• Regina Fernandes Sanches é mestre em teologia e práxis, especialista em história e cultura Afro-brasileira e atuante na educação teológica desde 1995.

Nota:
Texto escrito a partir da participação da autora em “Diálogos na Web 500 Anos Reforma Protestante”, uma iniciativa da Aliança Evangélica. Publicado originalmente pela Aliança Evangélica e também graças à parceria entre Aliança Evangélica, Ultimato e Basileia.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

04 motivos porque o conhecimento teológico é fundamental ao jovem na universidade

Quando um filho entra numa universidade somos tomados por um misto de sentimentos. Se por um lado vibramos por ver aquele que amamos entrando no mundo acadêmico, por outro nos preocupamos, visto que muitos conceitos e valores comportamentais disseminados nas universidades opõem-se aos valores bíblicos cristãos. 
Outro dia eu escrevi algumas razões porque os jovens evangélicos estão se desviando na universidade (aqui). Hoje, visando ajudar pais e professores e pastores na educação e qualificação  de seus adolescentes e jovens, elenco quatro motivos porque o conhecimento teológico é fundamental ao jovem universitário, senão vejamos:
1-) O conhecimento teológico é fundamental ao universitário pelo fato de ajudá-lo a combater de forma efetiva a ideia secularista e ateísta da inexistência de Deus.
2-) O conhecimento teológico é fundamental ao universitário pelo fato de de ajuda-lo a combater de forma racional e lógica a ideia Darwinista da evolução.
3-) O conhecimento teológico é fundamental ao universitário pelo fato de poder ajudá-lo a contrapor-se aos conceitos gramscistas defendidos por professores cujo doutrinamento esteja fundamentado no marxismo cultural.
4-)  O conhecimento teológico é fundamental ao universitário pelo fato de poder ajudá-lo diante do relativismo inerente a pós-modernidade, capacitando-o à luz das Escrituras a contrapor-se aos valores de um mundo absorto em maldade.
Isto posto, penso que tanto a igreja como pais precisam fazer pelo menos quatro coisas:
1-) Elaborar grupos de estudo bíblico onde de forma efetiva possam discutir as doutrinas fundamentais à fé cristã.
2-) Reformular a chamada Escola Bíblica dominical, oferecendo aos alunos uma classe específica em que possa oferecer aos alunos ferramentas que se contraponham aos ideais marxistas e gramscistas.
3-) Criar um módulo de ensino onde a "cosmovisão protestante deva ser ensinada tratando portanto de assuntos nevrálgicos ao nosso tempo.
4-) Promover espaços para aconselhamento bíblico e cristão ajudando o jovem a relacionar-se com a cultura sem contudo ser dominado por ela.
Pense nisso!
Renato Vargens

Morrer e viver para Cristo

Uma das maiores belezas do cristianismo é a correspondência entre o senhorio absoluto de Cristo sobre a criação (conforme disse Abraham Kuyper, “não há um centímetro sobre o qual Jesus não proclame: é meu”) e  a adoração total que Deus requer de nós – “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento” (Lucas 10.27). Ou seja, assim como Deus é íntegro e está profundamente comprometido conosco até, literalmente, a morte (Filipenses 2.8), ele quer que nossa resposta a ele também se aproxime cada vez mais dessa integridade. Essa integridade não é periférica, não é mero detalhe que agrada a Deus e pronto, mas é sobretudo onde residirá nossa saúde mental e emocional, em oposição ao pecado que fragmenta a vida e a identidade.
Ainda que muitas vezes nem pensemos nisso, conhecemos bem o efeito fragmentador do pecado. Nossa mente está firme em um propósito específico, mas, quando chega a hora, fazemos exatamente o oposto (Romanos 7.19). Desejamos a paz, mas nutrimos todo tipo de sentimentos horríveis contra pessoas que amamos (Tiago 3.14-16). Dizemos que seguimos a Cristo, mas na prática nos contentamos com padrões muito baixos (1Coríntios 10.10). Além disso, todo o sistema de pensamento apóstata, como dizia Cornelius Van Til, está calcado na fragmentação. É como se o homem exteriorizasse sua fragmentação interior – bem plantada na rebeldia contra Deus desde o Éden – construindo todo um mundo de falsas oposições. E muitas dessas falsas oposições fazem parte de nós sem serem confrontadas.
Uma delas persiste há pelo menos cinquenta anos e diz respeito diretamente à identidade da esposa. É a ideia de que a mulher dedicada à família perderá toda a sua relevância pública. Deixará de contribuir significativamente para o mundo, emburrecerá, será alienada, passiva, escrava da necessidade dos outros. O feminismo se levanta com ira contra essa imagem estereotipada, construindo outra não menos estereotipada da mulher que se “empodera” desprezando o cultivo da intimidade conjugal, a maternidade e a vida interior. Em reação, algumas igrejas aderem a uma idealização da mulher no lar, vetando ou desencorajando o desenvolvimento de suas potencialidades no mundo lá fora. Nos dois casos, a vida no lar é vista como inimiga de qualquer atividade exterior.
A Bíblia nos apresenta um panorama muito melhor, que anula as falsas oposições como essa. Atividades exteriores não são proibidas, mas há prioridades – que, aliás, valem tanto para a mulher quanto para o homem. Se, de acordo com Paulo (1Timóteo 3.1-5), o candidato a líder da igreja deve liderar bem sua própria casa, isso significa que a casa vem primeiro. Além disso, pede-se que o homem se sacrifique não pela carreira nem pela igreja, mas pela esposa (Efésios 5.25). Acima da família, a primazia é de Deus: não como conceito tranquilizador, não como símbolo de valores conservadores, não como fonte de bênçãos materiais; mas como o Senhor de tudo o que existe, inclusive da identidade pessoal. Não há como fazer qualquer coisa no mundo, nem cuidar da família, nem trabalhar fora, nem ajudar a igreja, sem os passos interiores do reconhecimento de pecados, do arrependimento sincero, do perdão, da santificação e da adoração ao Deus verdadeiro.
Debaixo desse único Senhor, nutridos por seus ensinamentos e sua constante graça, a vida e o eu se unificam. As falsas oposições se desmancham. Cuidar da casa em um sentido prático (comida, limpeza, arrumação) passa a acompanhar o cuidado em um sentido mais profundo (o aprendizado do relacionamento, dos dons, dos limites – em suma, do amor). Pensar o mundo em casa, no trabalho e na igreja se afinam: a vida intelectual se torna uma só, subjugada à Palavra (2Coríntios 10.4-5), não mais disputada por falsos mestres. As conversas entre família ajudam a viver melhor, pois a sabedoria de Deus está presente no coração, nas palavras e nas ações. O cuidado é máximo para que nenhuma outra palavra humana tome a dianteira da Palavra de Deus (Romanos 3.5).
Há muitos irmãos a levar uma vida dividida. Imaginemos uma mulher cristã que é professora universitária de sociologia. Ali, ela mergulha nas águas de uma cosmovisão naturalista e cientificista, sem conseguir confrontar diretamente a ideia de que os homens são produto do meio e não há valores eternos e imutáveis. Sempre que ela dá aulas, essa ideia passa aos alunos como veneno de gosto agradável. No domingo, ela troca de “canal”, ouve de bom grado a pregação e acata viver de acordo com pressupostos bíblicos.
Qual a solução para reencontrar sua integridade? Abandonar o emprego? Não necessariamente! Talvez ela chegue a essa conclusão em determinadas fases da vida: o marido já sinalizou que prefere sustentar a casa sozinho; os filhos estão pequenos e precisam dela; ela prefere fazer um trabalho voluntário não remunerado na igreja. Se ela conseguir manter a prioridade do lar – e sim, muitas vezes essa prioridade demandará mais tempo em casa – , o emprego não será empecilho. O problema central é interior: essa pessoa pode até ser uma cristã sincera, mas está vivendo uma vida dupla. Enquanto ela não confrontar com a Palavra a ideia de que o homem é produto do meio, essa ideia vai “dar uma rasteira” em seu desejo de servir a Deus, evitando que ela se responsabilize plenamente por sua vida. Ela se verá como um joguete de forças maiores que, em seu coração, competem contra Deus e a farão tropeçar no momento em que ela mais precisará agir em conformidade com a fé. Ela deverá apresentar seu corpo como sacrifício vivo a Deus, todos os dias, para ter a mente transformada em direção ao reconhecimento da vontade divina como boa, agradável e perfeita (Romanos 12.1-2). Mesmo se isso significar perder simpatias, arruinar sua reputação no meio universitário e arriscar toda a carreira – o que, para ela, parecerá morrer.
Mas não é exatamente isso que a Palavra diz (Romanos 6.10-14)? Morramos sem medo, pois estaremos vivas – vívidas, inteiras – para Cristo!

Fonte: Voltemos ao Evangelho

*  Norma Braga Venâncio é doutora em Literatura Francesa pela UFRJ e mestranda em Teologia Filosófica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (Universidade Mackenzie). Publicou A mente de Cristo: conversão e cosmovisão cristã pela editora Vida Nova. É casada com André Venâncio e mora em Natal, RN.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os cinco solas e o legado da Reforma Protestante

Lutero, o grande reformador, foi feliz ao ler Romanos 1:16 e 17 e perceber que a salvação é pela fé, e que o “justo vive pela fé”. Em 31 de outubro comemora-se 500 anos de quando Lutero, indignado com a venda de indulgências e com a falta de compreensão e de ensinamento bíblico, enviou as 95 teses a seus líderes na Igreja Católica. Lutero combateu as indulgências falando da graça e da salvação pela fé: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).
A Reforma tem cinco pilares, os cinco “solas” (somente): Sola Scriptura (Somente a Bíblia e toda a Bíblia); Solus Christus (Somente Cristo); Sola Gratia (Somente a Graça); Sola Fide (Somente a Fé); Soli Deo Gloria (Somente a Deus Glória). E o lema da Reforma éEcclesia Reformata et Semper Reformanda Est”, ou seja, “Igreja reformada, sempre se reformando”. O legado da Reforma é que devemos crer e ensinar esses cinco pilares, que são fundamentais para a saudade da igreja e da fé cristã.
O povo de Deus deve pregar e ensinar que a Bíblia é a Palavra de Deus, e que somente ela é a regra de fé e prática da vida do cristão, e que todo cristão deve vive e ser orientado pela meditação e leitura das Sagradas Escrituras.
O povo de Deus deve adorar somente a Jesus, o Cabeça da Igreja, o Salvador e Senhor de nossas vidas, e assim toda honra, glória e louvor devem ser dados a Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Essa adoração exclusiva a Jesus Cristo expulsa o misticismo, o sincretismo, a compra de indulgências e a idolatria. Para os reformados só há adoração a Jesus Cristo, Senhor e Salvador de nossas almas.
O povo de Deus deve ser alimentado pela graça de Deus. Somos chamados ao Seu Reino através da graça, o favor imerecido que nos oferece a salvação por meio da fé, que nos comunica que Deus fez tudo em nosso lugar, e que Ele nos ama com amor eterno. A Reforma nos deixou esse legado: somos salvos pela graça e não por obras ou por “qualidades” pessoais.
A Reforma reafirma a certeza e segurança de que somos salvos pela fé, e que vivemos pela fé confiados na graça de Deus e no sacrifício de Jesus. Esse sacrifício pagou por nossos pecados, nos absolveu da condenação eterna e da ira do Senhor, e nos redimiu por completo. Por isso, o povo de Deus vive pela fé e não pelas coisas que se veem.
A glória por tudo isso pertence somente a Deus, pois o Senhor não divide Sua glória com ninguém. A Reforma lembrou os cristãos que fomos criados para a glória de Deus e que devemos viver para a glória de Deus.
O movimento da Reforma tirou a Igreja do desvio de rota em que estava e a trouxe de volta para o caminho. No decorrer dos séculos, a Igreja precisa continuar deixando a Reforma acontecer, para que as práticas que não estão dentro dos padrões bíblicos sejam reformadas e que o povo de Deus se volte para a Palavra. Esse movimento nos convida a analisarmos a caminhada da Igreja de Jesus a partir dos referenciais dos cinco solas continuamente.
É tempo de celebrar os 500 anos da Reforma Protestante, louvar a Deus pelo cuidado com a Igreja, e orar para que continuemos sempre em reforma, para cumprir a missão do Senhor com fidelidade.
  • Jeferson Rodolfo Cristianini é pastor da PIB Bauru.

domingo, 15 de outubro de 2017

SOLA GRATIA

Um dos pilares da Reforma Protestante do Século XVI foi o Sola Gratia. A salvação é uma obra de Deus do começo ao fim. Deus planejou, executou e consumou nossa salvação. Aquilo que foi planejado na eternidade e realizado na história será consumado na segunda vinda de Cristo. O apóstolo Paulo diz que somos salvos pela graça, mediante a fé (Ef 2.8). Deus nos tirou das entranhas da morte espiritual, nos ressuscitou juntamente com Cristo e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça. Destacaremos quatro pontos importantes sobre essa maiúscula verdade:
Em primeiro lugar, Deus nos salvou não por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A salvação não é uma conquista das obras, mas uma oferta da graça. Não somos salvos pela obra que realizamos para Deus, mas pela obra que Deus realizou para nós, na pessoa do seu Filho. A salvação não é uma medalha de honra ao mérito, mas um presente imerecido de Deus. Em vez de Deus aplicar em nós o seu justo juízo, aplicou-o em seu Filho, como nosso substituto, concedendo-nos gratuitamente sua bondade.
Em segundo lugar, Deus nos salvou não pelo nosso esforço, mas pelo sacrifício de seu Filho. A salvação não é resultado de esforço humano, mas da ação divina. Não é fruto do trabalho humano, mas do sacrifício de Jesus na cruz. Não é consequência das obras que realizamos, mas da generosa oferta da graça. A salvação não é um caminho que abrimos da terra ao céu, mas o caminho que Deus abriu do céu à terra. Esse caminho é Jesus. Só ele pode nos reconciliar com Deus. Só por meio dele, podemos ter vida eterna. Não há nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos, exceto o nome de Jesus.
Em terceiro lugar, Deus nos salvou não pelos nossos predicados morais, mas por sua imerecida graça. Graça é um dom imerecido. Deus dá a salvação a pecadores indignos. Deus nos amou quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Estávamos perdidos e fomos achados; estávamos mortos e recebemos vida. Isso é graça. Deus nos tirou da potestade de Satanás, arrancou-nos da casa do valente e transportou-nos do reino das trevas para o reino da luz. Isso é graça. Estávamos no caminho largo que conduz à perdição, éramos escravos do mundo, da carne e do diabo, mas Deus nos libertou e nos transformou e nos fez assentar nas regiões celestes. Isso é graça. Graça é o que Deus nos dá e precisamos, mas não merecemos.
Em quarto lugar, Deus nos salvou não para que exaltássemos a nós mesmos, mas para que fôssemos troféus de sua graça. A salvação procede Deus, é realizada e consumada por Deus para que ele receba toda a glória. O propósito da salvação pela graça é exaltar a Deus e não o homem. Ninguém poderá chegar no céu, bater no peito e dizer que chegou ali por seus méritos e esforços. Ninguém pode atribuir a si mesmo ou mesmo à sua religião a sua salvação. Todos os que são salvos, o são pela graça, e pela graça somente. Nenhum mérito humano. Nenhuma glória atribuída ao homem. Nenhum holofote sobre o homem. Tudo provém de Deus. Dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. Qualquer glória atribuída ao homem é vanglória, é glória vazia, é idolatria, é abominação para Deus. O próprio Deus diz em sua palavra que não divide sua glória com ninguém. Por toda a eternidade renderemos glória àquele que nos amou, e nos enviou seu Filho, para que, por meio dele, fôssemos salvos. Hoje somos filhos de Deus, herdeiros de Deus, a menina dos olhos de Deus, troféus da graça de Deus!

Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 8 de outubro de 2017

SOLA FIDE

Depois de tratar do SOLA SCRIPTURA, vamos tratar, agora, do segundo pilar da Reforma do Século XVI, o Sola Fide. A salvação é uma conquista das obras? A salvação é o resultado da parceria entre a fé e as obras? Ou a salvação é somente pela fé, independentemente das obras? Essa era a questão na época da Reforma e ainda hoje. A salvação não pode ser pelas obras, pois se assim fosse, o homem precisaria ser perfeito. A lei exige obediência completa (Lc 10.28). O padrão para entrar no céu é perfeição (Mt 5.48). A Bíblia, entretanto, diz que não há justo, nenhum sequer (Rm 3.10). Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus (Rm 3.23). A Escritura chega a dizer que se você guardar toda a lei e tropeçar num único ponto, você se torna culpado de toda a lei (Tg 2.10). Logo, pelas obras da lei é impossível que o homem pecador seja salvo. De igual modo, a ideia de que o homem é salvo pela fé associada às obras é um contrassenso. A salvação não é uma realização do homem nem mesmo um esforço conjunto de Deus e do homem. O sinergismo, ou seja, a ideia de que o homem pode cooperar com Deus em sua salvação está em total desacordo com o ensino das Escrituras. O apóstolo Paulo é enfático: “O homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3.28). E ainda: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9). Destacaremos três pontos importantes para o melhor entendimento do tema:
Em primeiro lugar, somos salvos pela fé independentemente das obras (Rm 3.28). Somos salvos não pela obra que realizamos para Deus, mas pela obra que Deus fez por nós. Deus entregou o seu Filho. Ele morreu pelos nossos pecados. Sua morte substitutiva satisfez as demandas da lei e cumpriu os reclamos da justiça divina. Portanto, a base meritória da nossa salvação é o sacrifício de Cristo em nosso favor. Tomamos posse da oferta da graça pela fé. Recebemos essa salvação gratuita pela fé. A fé é a mão de um mendigo a receber o presente do Rei.
Em segundo lugar, somos salvos pela fé em Cristo e nele somente (At 16.31). A salvação não nos é dada pela fé na igreja, mas pela fé em Cristo. Essa fé não é apenas assentimento intelectual. Até os demônios creem e tremem (Tg 2.19) e eles não estão salvos. Também não é uma fé temporária, apenas para as coisas do aqui e do agora. Muitos confiam em Deus quando precisam de um socorro, mas terminado o problema, voltam novamente as costas para Deus. Essa fé se dissipa como uma neblina, por isso, não é a fé salvadora. A fé salvadora é uma confiança exclusiva na pessoa e na obra de Cristo. É confiar somente nele para a redenção. A Bíblia é enfática: “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4.12).
Em terceiro lugar, somos salvos pela fé para as boas obras (Ef 2.8-10). A fé e as obras não estão em oposição; complementam-se. A fé é a causa da salvação e as obras são a sua consequência. Somos salvos somente pela fé, independentemente das obras, mas a fé que salva nunca vem só. Não somos salvos por causa das boas obras; somos salvo para as boas obras. Somos justificamos pela fé, mas provamos essa justificação pelas obras. Por isso, a fé, se não tiver obras, por si só está morta (Tg 2.17). A verdadeira fé em Cristo é provada aos olhos dos homens pela prática das boas obras. Essas boas obras foram preparadas de antemão para que andássemos nelas (Ef 2.10), de tal forma que, o próprio Deus, que nos salvou pela fé em Cristo, é quem opera em nós tanto o querer como o realizar (Fp 2.13). A salvação é uma obra de Deus desde o seu planejamento até à sua consumação. Ele planejou, executou e consumará nossa salvação, que é recebida pela fé e demonstrada pelas obras.

Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 1 de outubro de 2017

SOLA SCRIPTURA


O brado da Reforma Protestante ecoou de dentro da Escritura. A Reforma não foi a abertura de um novo caminho religioso, mas uma volta às antigas veredas. Não foi uma nova forma de ver a revelação divina, mas uma volta às Escrituras do Antigo e do Novo Testamento. Não foi a adoção de novas doutrinas, mas uma volta à doutrina dos apóstolos. O resgate da autoridade e da centralidade das Escrituras foi o pilar principal da Reforma. Destacaremos aqui quatro pontos importantes:
Em primeiro lugar, a Escritura é a única fonte que nos mostra o que devemos crer. A Bíblia é a nossa única regra de fé. A tradição não está em pé de igualdade com a Bíblia. Os dogmas e decisões dos concílios eclesiásticos precisam estar debaixo da autoridade da Bíblia. A igreja está sob a autoridade da Bíblia. Nenhum igreja ou concílio pode determinar o que devemos crer. O conteúdo de nossa fé vem da Palavra de Deus e dela somente. Nossa base doutrinária procede não da interpretação pessoal deste ou daquele teólogo, mas da Escritura. A Bíblia e só ela é a palavra de Deus infalível, inerrante e suficiente. Não aceitamos nenhuma revelação forânea às Escrituras. Não temos novas revelações. Mesmo que um anjo descesse do céu, para pregar outro evangelho, deveria ser rejeitado como anátema. A palavra de Deus jamais caduca nem fica obsoleta.
Em segundo lugar, a Escritura é a única autoridade que nos ensina o que devemos fazer. A Bíblia é a nossa única regra de prática. Nossa fé determina nossas ações. O que cremos pavimenta o caminho do que fazemos. A teologia é mãe da ética. O credo desemboca na conduta. Assim como um homem crê, assim ele é. Nossas experiências não suplantam a verdade revelada. A Bíblia regula e julga nossas experiências em vez de nossas experiências relativizarem a Bíblia. Não é o que eu sinto que é a norma do meu viver, mas o que Deus diz em sua palavra. Não é que a igreja diz em suas encíclicas ou dogmas que constitui o fundamento de nossas ações, mas o que está registrado na palavra de Deus. A verdade de Deus não é apenas um preceito a ser crido, mas também e, sobretudo, uma norma a ser praticada.
Em terceiro lugar, a Escritura é a única revelação divina que nos aponta para Jesus, o nosso Salvador. Tanto o Antigo como o Novo Testamento enfatizam a pessoa e a obra de Jesus Cristo. O Antigo Testamento mostra Deus separando um povo para si e por meio dele, preparando o mundo para a chegada do Messias. O Novo Testamento mostra como esse Messias veio e o que ele fez para salvar o seu povo. O Antigo Testamento mostra o Cristo da profecia; o Novo Testamento revela o Cristo da história. Patriarcas, profetas, reis e sacerdotes foram um tipo de Cristo. O tabernáculo, o templo, os rituais e as festas judaicas apontavam para Jesus. Tudo era sombra da realidade que se cumpriu em Jesus. Ele é o eixo das Escrituras, o centro da história, o Salvador do mundo. As Escrituras testificam de Jesus e apontam-no como o único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos.
Em quarto lugar, a Escritura é o único conteúdo da pregação da igreja. Não pregamos ao mundo palavras de homens, mas a palavra de Deus. Ela é inspirada, viva, eficaz e penetrante. Ela é inerrante em seu conteúdo, infalível em seu propósito e suficiente em sua mensagem. Não podemos tirar nada dela nem a ela acrescentar coisa alguma. Precisamos pregar toda a Bíblia e só a Bíblia. Não criamos a mensagem, apenas a transmitimos. A palavra é o conteúdo da nossa pregação. Ela é o trigo nutritivo da verdade. Ela é mais preciosa do que o ouro e mais doce do que o mel. É remédio para o enfermo, alimento para o faminto, água para o sedento e luz para o errante. Ela é a espada de dois gumes. Por ela avançamos contra as forças do mal e por ela nos defendemos dos ataques do inimigo. Sua mensagem é penetrante e sempre oportuna. A Escritura não pode falhar. Os céus bem como a terra passarão, mas a palavra de Deus jamais vai passar. Ela é eterna. Ela nos basta. Permanece o lema da Reforma: Sola Scriptura!

Rev. Hernandes Dias Lopes

domingo, 24 de setembro de 2017

A SECULARIZAÇÃO DA IGREJA


Há uma onda de secularização atingindo perigosamente a igreja. Em vez da igreja transtornar o mundo, é o mundo que tem entrado na igreja para transtorná-la e domesticá-la. Em vez da igreja ser um agente de transformação no mundo, ela tem sido um lugar de conformação com o mundo. Longe da igreja inconformar-se com o conformismo do mundo, ela tem se adaptado ao mundo e sido amiga do mundo, com medo da rejeição do mundo. É imperativo, porém, compreender que a amizade do mundo é pior do que a espada do mundo. Ser amigo do mundo é constituir-se em inimigo de Deus. Amar o mundo é andar na contramão do amor de Deus. Conformar-se com o mundo é ser condenado com ele.
A secularização é um processo de acomodação ao modo de pensar e agir do mundo. É deixar de se opor ao mundo para pensar como ele. É capitular-se à sua cosmovisão desprovida da verdade. É viver subjugado pela ditadura do relativismo moral. É cair na armadilha de copiar o mundo para tentar atrai-lo. Muitas igrejas já perderam o vigor espiritual porque enfiaram o pé na forma do mundo. Pensam e agem como ele. Preferem relativizar a verdade de Deus a confrontarem o mundo. Copiam suas festas, imitam sua moda, adotam suas músicas, aderem ao seu lazer e adotam sua filosofia de levar vantagem em tudo. Esquecem-se da palavra de Deus, amam as coisas e usam as pessoas para alcançar seu alvo supremo, a busca do prazer. Nessa faina, buscam o material mais do que o espiritual. Amam os prazeres mais do que a Deus. Ajuntam tesouros na terra e nenhuma riqueza no céu. Fazem investimentos apenas para esta vida e nenhum na vida por vir.
A igreja contemporânea tem perdido a autoridade para chamar o mundo ao arrependimento, pois ela mesma se recusa a arrepender-se. Os escândalos vistos no mundo estão presentes também na igreja. O índice de divórcio na igreja tem sido praticamente o mesmo praticado no mundo. A quantidade de pessoas na igreja que adota práticas heterodoxas em seus negócios é praticamente a mesma daqueles que lesam o próximo para se locupletarem. Chegou o tempo de nos conformarmos com os inconformismos de Deus para nos inconformarmos com o conformismo do mundo. Chegou o tempo de fecharmos as portas do nosso coração para as influências do mundo para não sermos tragados nem condenados com ele. Chegou a hora de sermos governados pelos preceitos da palavra de Deus e não pela modismo do mundo, que jaz no maligno.
Uma igreja secularizada tem sua voz amordaçada, seus pés atados e suas mãos emperradas para a prática do bem. A igreja deve estar no mundo, mas o mundo não pode estar na igreja. A igreja foi tirada do mundo para voltar ao mundo como testemunha no mundo. A igreja influencia o mundo não buscando seu reconhecimento, mas exercendo nele sua voz profética. A igreja impacta o mundo não quando busca sua amizade, mas quando o confronta com a verdade. A igreja torna-se instrumento de transformação no mundo não quando imita o mundo, mas quando chama os pecadores ao arrependimento, apontando-lhes Jesus como o caminho da reconciliação com Deus.
O juízo começa pela casa de Deus. Primeiro a igreja se volta para Deus em arrependimento, depois ela conclama os homens a se voltarem para Deus. Primeiro ela dá um basta na secularização, depois ela se torna uma agência de evangelização. Primeiro, ela se agrada do Senhor, depois ela faz a obra do Senhor. Primeiro ela mostra sua alegria em Deus, depois ela chama o mundo a vir participar do banquete da graça de Deus.

Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 5 de agosto de 2017

05 dicas para pais cujos filhos adolescentes não querem mais ir a igreja

Muitos são os pais que por motivos diversos tem lidado com o "esfriamento" espiritual dos filhos. Na verdade, volta eu meia eu ouço o desabafo de pais e mães, que em virtude da falta de desejo dos filhos de irem a igreja, se deixam vencer pelo desânimo. O que fazer? Perguntam eles. Como lidar com essa situação? 
Pensando em ajudar àqueles que passam por essa triste experiência, resolvi elencar quatro dicas para os pais cujos filhos adolescentes não querem ir mais a igreja:
1-) Ore. Lembre-se que sem oração, nossos esforços são em vão. Portanto, rogue ao Senhor que intervenha no coração dos seus filhos, colocando em seu interior desejo de conhecer o Senhor.
2-) Procure evitar discussões. Na verdade, como pais vocês precisam saber o momento certo para divergir e discutir. Nem sempre é sábio brigar por tudo e em todo tempo.
3-) Tente conversar com eles. Procure o diálogo, descobrindo quais são os reais motivos que fazem com que seus filhos não queiram ir ao culto.
4-) Organize e priorize um culto doméstico e exija a participação deles. Em cada oportunidade exponha a Bíblia, explicando as Escrituras para seu cônjuge e filhos despertando assim interesse na Palavra de Deus.
5-) Dedique mais tempo a eles. Talvez o fato deles não desejarem ir mais a igreja se deva ao fato de que desejam chamar a sua atenção. Isto posto, invista tempo no relacionamento com eles. 
Pense nisso!
Renato Vargens

segunda-feira, 29 de maio de 2017

19 DE OUTUBRO DE 1856: O DIA EM QUE 7 PESSOAS MORRERAM ENQUANTO SPURGEON PREGAVA.

O PREGADOR
Convertido aos 15 anos de idade, no dia 6 de Janeiro de 1850, Charles Haddon Spurgeon seria o mais conhecido e influente pregador da Inglaterra no século XIX. Pessoas vinham de várias partes para ouvir a pregação daquele jovem (ele começou a pregar com 16 anos) que falava com clareza, paixão e autoridade.

A MULTIDÃO
O prédio da igreja de New Park Street não comportava a quantidade de pessoas que fluía para ouvir Spurgeon, como ele mesmo havia dito: “A colheita é grande demais para o celeiro”. Enquanto um novo prédio estava sendo construído as reuniões passaram a ser realizadas no Exit Hall, um espaço bem maior do que a Capela de New Park. No entanto, ainda era insuficiente para acolher as multidões, ávidas para ouvir a pregação da Palavra.

A TRAGÉDIA!
Spurgeon decidiu transferir as reuniões para o maior espaço coberto de Londres naquela época. A cidade entrou em ebulição ao saber que Spurgeon pregaria no Surrey Gardens Music Hall, com capacidade para acomodar 10 mil pessoas.

No dia marcado, 19 de outubro de 1856,  os assentos estavam todos ocupados e milhares de pessoas à porta. Foi um dos maiores eventos em Londres naquele século. Um acontecimento que parou a cidade. Spurgeon ficou espantado ao ver a multidão e pensou em cancelar o culto, mas a multidão queria ouvir a pregação, então ele começou  a pregar...

Um pouco depois do início da pregação, um assecla de satanás gritou: Fogo! Fogo! O desespero tomou conta do lugar. Os ingleses, ainda traumatizados com o incêndio que devastou a cidade de Londres em 1666, começaram a descer as galerias em grande aflição e desespero. Spurgeon não se deu conta até que foi informado da confusão e pediu as pessoas que se retirassem com calma. Um pedido em vão. O lugar estava tomado pelo pânico. Como resultado daquela correria, 7 pessoas morreram e 28 ficaram feridas. Quando soube disso, o próprio Spurgeon sofreu ataque e desmaiou. Muitos pensaram que ele tinha morrido.

A SURPRESA!
Não houve incêndio, foi “apenas” um boato! Após uma acurada inspeção foi contatado que  o prédio estava intacto, não havia o menor indício de fogo. 

Spurgeon foi duramente criticado pela imprensa e responsabilizado pela morte daquelas pessoas. Alguns jornais, que já o perseguiam, aproveitaram aquela tragédia para lançar uma série de ataques e ofensas. Foi um tempo de grande aflição para Spurgeon que tinha apenas 22 ANOS DE IDADE!! Sua alma entrou em agonia e estas mortes sempre assombraram o seu coração.

O SOFRIMENTO
Ele descreveu a sua experiência com as seguintes palavras:

"Apenas o próprio Deus conhecia a angústia do meu espírito triste. As lágrimas eram o meu alimento de dia, e sonhos de terror à noite.
Meu pensamentos eram como facas afiadas que cortavam meu coração em pedaços. Eu não podia ser confortado.
A minha amada Bíblia não me dava nenhuma luz. Não conseguia orar.
Senti que a minha fé tinha morrido e que Deus tinha me abandonado...".

Spurgeon estava no vale da sombra da morte. Sua alma desespero existencial e seu coração esmagado pela tirania daquela tribulação indescritível.

O RECOMEÇO!
No entanto, o Deus que levanta os abatidos, manifestou a sua graça restauradora trazendo conforto  e novo ânimo.

“Como um clarão de um relâmpago minha alma voltou para mim”.
"Estava livre! A porta da minha prisão se abriu".
"Eu saltei de alegria em meu coração".

Spurgeon voltou a pregar. Um ano depois ele pregou para 24 mil pessoas, em um culto de oração convocado pela coroa inglesa em favor da nação (o maior público para o qual ele pregou de uma só vez).

O último dos puritanos, foi devidamente chamado de “O Príncipe dos Pregadores”. Seu ministério foi ricamente abençoado até o fim dos seus dias (31 de janeiro de 1892). Ainda hoje Spurgeon inspira muitos pregadores e edifica a igreja de Cristo por meio dos seus livros e sermões.

SETE LIÇOES BÁSICAS SOBRE A TRAGÉDIA DO DIA 19 DE OUTUBRO.

1) Um boato pode matar.
2) A mentira é filha do diabo, assassino desde o princípio.
3) Uma tragédia, sobretudo quando implica em morte, é sempre uma provação para fé.
4) Ser fiel a Deus não garante imunidade ao sofrimento.
5) Diante da dor, a presença de Deus pode tornar-se imperceptível, mas é real e verdadeira.
6) A graça de Deus é suficiente para sustentar o crente no vale da sombra da morte.
7) Uma derrota no meio do caminho não impede a vitória final

domingo, 28 de maio de 2017

Simplesmente, obedeça!

A fé não é cega, pois está edificada sobre Deus. Por isso, a fé não discute, apenas obedece. Abraão foi chamado o pai da fé e ele demonstrou essa verdade em sua vida. A fé em Deus é provada pela obediência. Não somos o que falamos nem o que sentimos. Somos o que fazemos. Destacaremos, aqui, três episódios na vida de Abraão:
​Em primeiro lugar, Abraão sai de sua terra para ir para uma terra que Deus lhe mostraria. Abraão não discutiu com Deus, não avaliou os riscos nem adiou a decisão. Simplesmente obedeceu. Tinha setenta e cinco anos, quando começou uma nova empreitada em sua vida, movido pela fé. Precisava romper laços, deixar para trás sua terra, seu povo, sua cultura, sua religião. Movido, entretanto, pela confiança em Deus, obedece sem tardança, para formar uma nação e ser o pai de uma grande multidão. A fé é certeza e convicção. Não está edificada sobre sentimentos, mas sobre a maior de todas as realidades, o caráter de Deus. Você tem obedecido a Deus? Tem andado pela fé? Tem descansado no cuidado divino? Onde está sua segurança: em sua nação, em sua família, em sua cultura, em seus bens? Ponha seus olhos em Deus e viva pela fé!
​Em segundo lugar, Abraão, sendo o líder da família, dá a Ló a liberdade de escolha. Houve um conflito entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló. Não podiam viver em harmonia mais. Abraão poderia ter despedido Ló, mas deu a ele a liberdade de escolher para onde queria ir. Ló escolheu as campinas verdejantes e deixou para Abraão os lugares secos. A confiança de Abraão não estava na geografia de suas terras, mas em Deus. Não confiava na provisão, mas no provedor. Não tinha seus olhos postos nos campos da terra, mas no Senhor do céu. Foi nesse momento que Deus prometeu dar a ele tudo quanto podia avistar no Norte e no Sul, no Leste e no Oeste. Mais tarde, Ló foi capturado e levado cativo pelos reis daquela terra e Abraão não hesitou em sair em sua defesa. Enfrentou riscos para salvar seu sobrinho e sua família. Obteve retumbante vitória. Foi-lhe oferecido despojos, mas Abraão recusou. Ele não queria nenhuma riqueza que não viesse das mãos do próprio Deus. Seus olhos não estavam na recompensa dos homens, mas na dádiva de Deus. Coisas materiais não seduziam o coração deste homem, cujo coração estava em Deus.
​Em terceiro lugar, Abraão atende a voz de Deus e oferece a ele seu filho amado. Abraão abriu mão de sua terra, de seus bens e agora, abre mão de seu filho Isaque. Deus ordena Abraão a ir ao monte Moriá, para ali oferecer Isaque em holocausto. Abraão não argumenta com Deus nem adia a viagem de três dias rumo ao monte do sacrifício. Aquele supremo sacrifício era para o pai da fé um ato de adoração. Havia no seu coração a plena convicção de que Deus providenciaria um cordeiro para o sacrifício. Acreditava até mesmo que Deus poderia ressuscitar seu filho. Sua fé não é vacilante. Sua confiança é inabalável. Seus olhos não estão nas circunstâncias nem depende de seus sentimentos. Abraão tem seus olhos em Deus e vive pela fé. Renuncia tudo por Deus. Entrega tudo a Deus. Confia plenamente em Deus. Então, Deus poupa seu filho, providencia um substituto para o holocausto e amplia ainda mais suas promessas e bênçãos a esse veterano da fé. Oh, que Deus nos faça conhece-lo na intimidade! Que Deus nos capacite a viver nessa absoluta dependência! Que tenhamos total desapego das coisas para dependermos plenamente de Deus! Que tenhamos a coragem de entregar tudo a Deus, inclusive nossa vida, nossos bens, nossa família, nossos filhos, nosso futuro. Deus jamais desampara aqueles que nele esperam. Ele jamais fica em dívida com aqueles que nele confiam. Em Deus podemos confiar!

Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 27 de maio de 2017

Como ouvir (e aproveitar) um sermão na igreja?

Como resgatar a escuta de sermões – bons ou nem tanto – para que eles produzam vida e não culpa?

Se existe uma vida leve e libertadora para seguir a Jesus, como vamos interagir com os sermões para que possamos caminhar nesta direção?
Já estive nos dois lados de um sermão medíocre, no do pregador e no do ouvinte! Vamos ver se conseguimos deixar de lado as preocupações e experiências normais com os sermões — ótimos, bons ou razoáveis — e, em vez disso, nos concentrarmos em como podemos resgatá-los como voz de Deus a serviço da vida para a qual Jesus nos chama.
Para resgatarmos a prática de ouvir sermões de modo que eles sejam traduzidos em uma vida livre e libertadora, podemos começar com a epístola de Tiago. Tiago afirma que quando deixamos a Palavra “entrar por um ouvido e sair pelo outro” desprezamos algo muito importante e cometemos um grave erro. Ele insta seus ouvintes a viver “na prática”. Afirma que a pessoa que assim o faz “vai longe e será abençoada por Deus” (Tg 1.22-25).
Por experiência própria, muitos de nós achamos que Tiago não está certo. Nossa experiência nos diz que a prática da fé cristã é penosa. Vejamos duas versões de Efésios 5.3-4 como exemplo:
Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos; nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças. (RA)
Não permitam que o amor se transforme em paixão carnal! Vocês podem cair na ladeira escorregadia da promiscuidade, da perversão ou da cobiça desenfreada. Ainda que alguns gostem de uma fofoca, os seguidores de Jesus devem usar a língua para o melhor. Nada de falar besteira e baixaria. Isso não condiz com o estilo de vida de vocês. Ação de graças sempre deve ser a marca da nossa linguagem.
Fico imaginando se quando ouvimos um texto como esse não pensamos: “Bem, eu não entro nas bancas de revistas pornográficas, não falo mal das pessoas nem conto piadas racistas”. Se reagimos dessa maneira é porque não entendemos o texto. Perdemos a oportunidade de participar do jugo suave de Jesus. Paulo está tratando daquilo que é normal na nova sociedade de Deus.5 Ele está descrevendo aquilo que acontece naturalmente àqueles que compartilham do jugo de Jesus. Não são regras que você tem de obedecer para se livrar do fogo do inferno. Pensando na metáfora de Colossenses 3.12, essas são as novas roupas que vestimos quando começamos a seguir a Jesus.
Como ilustração, vamos falar de maledicência. Há algum tempo, pediram-me para participar de um debate sobre se era razoável os cristãos usarem certos tipos de palavrões. Achei tudo muito estranho. Fiquei pensando por que alguém iria querer falar palavrão. Alguns diziam que às vezes um palavrão era a palavra perfeita para determinado contexto. Outros achavam que seria hipocrisia se, de vez em quando, um cristão não mandasse alguém para aquele lugar ou usasse outro palavrão. Essa ideia é um grave engano para os que estão querendo seguir o seu caminho sob o jugo de Jesus.
Embora as palavras sejam, sem dúvida alguma, importantes e poderosas, não acredito que Paulo esteja pensando apenas nelas. Ele está pensando em algo mais, como a natureza das coisas para aqueles que estão sob o jugo de Jesus. O sentido grego subjacente a esta frase é que não deve haver “mentes sujas entre nós expressando-se em palavras obscenas”.6 Quando prestamos atenção suficiente à realidade interior — a mente de onde procedem as palavras —, saímos de uma preocupação legalista com o que podemos usar para a natureza interior essencial que Paulo tem em mente. Minha contribuição básica para o debate sobre o uso de palavrões é esta: use como referência a regra de ouro. Se você não gosta de ser xingado, então, não xingue os outros. A regra de ouro é chave para prosseguirmos e agirmos em sintonia e em compasso com Jesus.

 USANDO MAL O SERMÃO DOS DOIS LADOS DO PÚLPITO

Infelizmente, os pregadores às vezes sermonizam, isto é, utilizam um estilo de comunicação dogmático, condescendente, manipulador e provocador de culpa. Ainda que o pregador não tenha essa intenção, os ouvintes estão condicionados a ouvirem desse modo. Como milhões de outros, gosto demais da história de A Cabana. O diálogo entre Mack e as pessoas da Trindade mostra como as más compreensões sobre a espiritualidade cristã facilmente interferem na vida leve e suave.
Mack diz a Jesus: Você não quer que a gente estabeleça prioridades que você conhece: Deus em primeiro lugar, depois tudo o que vier em seguida?
Sarayu (o Espírito Santo) responde: O problema de viver por prioridades […] é que enxerga-se tudo em termos de uma hierarquia, uma pirâmide […] e quando você coloca Deus no topo, o que isso realmente significa e como se mede o que é suficiente? Quanto tempo você precisa dar para mim antes de voltar para os seus afazeres no restante do dia, a parte que você está mais interessado?
Papa (Deus Pai) interrompe: Percebe, Mackenzie, eu não quero apenas um pedaço de você e de sua vida. Mesmo que você fosse capaz, o que você não é, de me dar o maior pedaço, não é isso que quero. Quero você inteiro e tudo de todas as suas partes.
Jesus, então, fala mais uma vez: Mack, não quero ser o primeiro em uma lista de valores; quero ser o centro de tudo. Se eu viver em você, então, poderemos juntos passar por tudo que acontece com você.9
Para mim, essa passagem é um retrato clássico tanto do que pode dar errado quanto do que pode dar certo quando resolvemos resgatar a prática de ouvir sermões. De algum modo, precisamos reprogramar nossa escuta de sermões para significar a adoção de um novo modo de pensar a interação com Jesus. Nunca podemos deixar nossa vida com Jesus se tornar um conjunto de princípios despersonalizados. Estar sob o jugo de Jesus é um novo modo de viver a nova história de Deus. Quando ouvimos sermões com isso em mente, eles se tornam parte vital de nossa formação espiritual.
Outra dificuldade com a prática espiritual de ouvir sermões vem de achar que nós sabemos mais do que realmente sabemos. Essa percepção vem de Eugene Peterson. Ele descreve o que isso significa para aqueles que há décadas ensinam a Bíblia, que estão envolvidos em aconselhamento espiritual ou tiveram outra função bastante visível na igreja. Isso passou por minha mente inúmeras vezes:
Há uma distância enorme entre o que eu sou e o que as pessoas pensam de mim. Quanto melhor é a minha atuação [como pastor] e quanto mais cresce a minha reputação, mais me sinto uma farsa. Conheço muito mais do que pratico. Quanto mais vivo, mais adquiro conhecimento e maior se torna a brecha entre o que sei e o que pratico. Pioro a cada dia.10
Talvez você também se identifique com isso. Talvez nem precise ser um profissional eclesiástico para cair nessa armadilha. Como sair dessa? Como podemos resgatar a escuta de sermões para que eles produzam vida e não culpa? Aqui está uma dica: “A obra do Espírito na criação não se limita a levantar perguntas como: ‘Quando isso ocorreu? Como foi que aconteceu?’. Agora perguntamos: ‘Como posso fazer parte disso? Qual é o meu papel nessa história?’. E oramos: ‘Cria em mim…’” (Sl 51.10).11
Sugiro que nós escutemos sermões dessa maneira — não importa o que o pregador esteja dizendo. Por exemplo, suponha que o pregador diga: “Paulo escreveu essa carta no ano XYZ, a tais pessoas, para comunicá-las sobre isso ou aquilo”. Ao ouvir isso, dizemos a nós mesmos: “Uau! Como posso fazer parte disso? Qual é o meu papel nessa história? Como a incorporo em minha vida, meu tempo, meu povo e nos desafios do meu mundo? Agora sim estamos resgatando a prática de ouvir sermões como modo de vida.
• Trecho retirado de Dê Outra Chance à Igreja, de Todd Hunter (Editora Ultimato).

Você poderá gostar também de:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...