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Versículo do Dia

Versículo do Dia Por Gospel+ - Biblia Online

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A Origem do Mal

1. A ORIGEM DO MAL (TEODICÉIA)

“Procurei o que era a maldade [o mal] e não encontrei uma substância, mas sim uma perversão da vontade desviada da substância suprema – de Vós, ò Deus – e tendendo para as coisas baixas: vontade que derrama as suas entranhas e se levanta com intumescência. (Agostinho, Aurélio. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p. 190).

1.1 INTRODUÇÃO
O tema do presente estudo, apesar de receber um nome pouco conhecido, traz à tona uma questão notória e que inquieta a todos: o problema do mal, de onde ele se originou e, principalmente, o que Deus tem a ver com ele.
Por que o mal existe? Qual a razão de Deus tolerá-lo? Tais perguntas fizeram parte da vida e dos pensamentos de todos os homens que creram e dos que crêem em um “Deus soberanamente bom e justo”. A própria Bíblia traz exemplos de homens de Deus que O questionaram sobre esse tema:
“Tu [Deus] és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele?” (Habacuque 1.13)
“Mas Gideão lhe respondeu: Ai, Senhor meu, se o SENHOR é conosco, por que tudo isto [mal, adversidade] nos sobreveio? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram, dizendo: Não nos fez o SENHOR subir do Egito? Porém agora o SENHOR nos desamparou, e nos deu nas mãos dos midianitas.” (Juízes 6.13)

1.2 A ABORDAGEM FILOSÓFICO-CIENTÍFICA

Teodicéia foi uma palavra criada nos meados do sec. XVI, pelo filósofo e jurista alemão Gottfried Wilhelm Leibniz.
Essa palavra deriva do grego Théos = Deus + Diké = Justiça, que por aglutinação formaram o vocábulo “teodicéia”, cujo significado literal é “Justiça de Deus”, ou como foi utilizado pelo filósofo alemão Leibniz: “estudo da justificação de Deus frente à existência do mal”.
Na obra desse filósofo, que aborda o assunto da existência do mal, chamada Escritos de uma Teodicéia, ele apresenta sua visão de Deus, muito parecida com a visão moral (que viria a ser formulada por Kant, um século depois), conforme abaixo:
“As perfeições de Deus são aquelas de nossas almas, mas, Ele as possui em ilimitada medida; Ele é um Oceano, do qual apenas gotas nos são concedidas; há, em nós, algum poder, algum conhecimento, alguma bondade, mas, em Deus estão em sua inteireza. Ordem, proporções, harmonia nos encantam; (…) Deus é todo ordem; Ele sempre mantém a verdade das proporções, Ele torna a harmonia universal; toda beleza é uma efusão de Seus raios.”
Diante de tal posicionamento, nota-se claramente que Leibniz “não colocava o problema do mal em Deus”, mas apenas fazia referência que seria impossível determinar, de uma maneira completa e lógica como e por quê o mal existe, assim como é impossível à uma única estrela determinar a imensidão do universo do qual ela faz parte.
Ou seja, a estrela (exemplo) faz parte do universo, contudo não expressa a completude do universo, logo, a explicação do mal e sua relação com Deus é possível de ser efetuada satisfatoriamente, e é verdadeira, porém incompleta, da mesma forma que a estrela é apenas uma parte de um infinito universo, que no caso são os mistérios de Deus.
Continuando suas explicações sobre a teodicéia, Leibniz afirma:
“Ora, essa suprema sabedoria [de Deus], aliada a uma bondade que é infinita, não pode escolher exceto o melhor. Pois, tal como um mal menos é um tipo de bem, também um bem menos é um tipo de mal se é um obstáculo a um bem superior; e haveria algo a corrigir nas ações de Deus se fosse possível fazer melhor. Como nas matemáticas, quando não há máximo nem mínimo, em resumo, nada haveria a distinguir, tudo é feito de modo igual; ou quando aquilo não é possível, nada é feito: então, pode-se afirmar o mesmo com respeito à sabedoria divina (que não é menos ordenada que as matemáticas) que se não houvesse o melhor (optimum) entre todos os mundos possíveis, Deus não teria produzido.”
Em resumo, para Leibniz, Deus criou o mundo da forma como ele é, porque este é “o melhor dos mundos”. Entretanto essa é uma visão racionalista, isto é, que parte apenas dos pressupostos lógicos para a formulação do conceito de “melhor possível”, levando-se em conta que como Deus é o “melhor moral”, Ele criou o mundo tal como é por ser ele (o mundo) o melhor possível, ou seja, que Deus não poderia ter feito outro mundo melhor que não fosse esse (vinculação).
Contudo, a visão de Leibniz está invertida, como disse o Dr. W. Gary Crampton:
“Leibniz tem uma visão invertida. Deus não escolheu este mundo porque ele é o melhor; ao invés, ele é o melhor porque Deus o escolheu.”
Logo, apenas a visão filosófica e racional não é capaz de explicar e aquietar o homem acerca da questão da existência do mal, portanto é necessária uma teodicéia com bases bíblicas para responder plenamente sobre a existência do mal.

1.3 TEORIAS A RESPEITO DO MAL
Muitas teorias têm apontado que o mal no mundo é fruto da concorrência de dois deuses finitos (maniqueísmo), outros negam totalmente a existência do mal e ainda outros propõe a existência de um deus finito.
Entretanto, citando mais uma vez o Dr. W. Gary Crampton:
“Estas teorias, é claro, estão longe de ser uma teodicéia bíblica. A Bíblia deixa muito claro que o mal não é ilusório. O pecado é real; provocou a queda do homem e a maldição de Deus sobre todo o cosmos (Gn. 3). Também Deus não deve ser visto como menos que uma divindade onipotente e onisciente. Ele é o Criador ex nihilo do universo (Gn. 1:1 e Hb. 1.1-3). Mais ainda, o fato de Deus ser o Criador e Sustentador de todas as coisas vai de encontro a qualquer forma de dualismo. Deus não sofre nenhuma concorrência (Jó. 33.13).”
Explicação:
  1. ex nihilodo latim, que significa do inexistente, do nada.
Portanto, se não há possibilidade da existência de dois deuses (um bom e outro mal, que duelam em nível de igualdade), nem de Deus ser finito, e se o mal realmente existe, deve haver uma explicação para o mal existir, e de que Deus não é seu autor, nem com ele concorda.

1.4 A TEODICÉIA CRISTÃ
1.4.1 A VISÃO DO MAL COMO ELEMENTO DE CONSTRUÇÃO DO CARÁTER

Um dos Pais da Igreja, chamado Ireneu de Lion (130 – 202), ao tratar da existência do mal, apontou que este era necessário para o aperfeiçoamento de todos os homens. Assim, o mal seria algo que contribuiria para o crescimento, fortalecimento e amadurecimento do homem no mundo, sendo este um “vale onde as almas são forjadas”.
Essa idéia é bastante interessante, principalmente para aqueles cristãos que descobriram a graça e o amor de Deus em maior profundidade, justamente nos momentos de aflição ou de sofrimento pelos quais passaram.
Contudo, essa visão não concilia a existência do mal com a também existência de um Deus de amor, que é onipotente e poderia perfeitamente amadurecer o homem sem que este necessitasse ser submetido a um contato com o mal.
E ainda, conforme ensina o Dr. Alister E. McGrath “essa abordagem parece apenas encorajar uma aquiescência [aceitação] em relação à presença do mal no mundo, sem apresentar nenhum direcionamento ou estímulo moral para que o homem resista ao mal ou o supere”, o que é ensinado em Romanos 12.21.

1.4.2 O MAL ORIGINADO DA CRIATURA E NÃO DO CRIADOR
Outra abordagem sobre o assunto trouxe Aurélio Agostinho (354 – 430), que ele formulou através de suas lutas contra o sistema gnóstico e sua evolução: o maniqueísmo. Esse cristão fervoroso cria convictamente que tanto a criação, quanto a redenção eram obras do mesmo Deus, desta maneira, seria loucura pensar que o mal teria sido criado junto com as demais obras de Deus, pois isso colocaria em Deus a raiz do mal.
Conforme Agostinho o mundo fora criado por Deus em uma condição de perfeição absoluta, entretanto, o homem, por fazer mal uso de sua liberdade, condenou a si mesmo e ao mundo à corrupção pelo mal.
È o que ele diz em sua obra Confissões, nas seguintes passagens:
“Quem há mais inocente que Vós [Deus], pois são as próprias obras que prejudicam os pecadores? (…) mas que repouso seguro há fora do Senhor?”
“Assim que a alma peca, quando se aparta e busca fora de Vós o que não pode encontrar puro e transparente, a não ser regressando a Vós de novo.”
Contudo, para que o homem pudesse fazer mal uso de sua liberdade e escolher o mal, este “mal” deveria existir precipuamente [anteriormente] à humanidade. Agostinho apontou que o “mal anterior”, foi a tentação realizada por Satanás sobre Eva e Adão, logo, Deus não poderia ser considerado o responsável pelo mal.
De onde, então, veio Satanás, posto que é uma criatura de Deus, e se Deus cria todas as coisas boas, por indução não poderia ter criado um Diabo?
Agostinho aponta que Deus criou Satanás como um anjo perfeito e sem traço de maldade, mas esse anjo quis se tornar semelhante a Deus, e dele veio a rebelião na qual hoje se encontra o mundo.
A pergunta que viria em seguida seria: Como um anjo, criado bom e perfeito, poderia ter se tornado mal? Segundo o Dr. Alister E. McGrath “Agostinho parece ter se calado em relação a esse ponto”.

1.4.3 O MAL ORIGINADO PELO PECADO

João Calvino (1509 – 1564), o reformador europeu, em sua obra Institutas ou Tratado da Religião Cristã, também aborda a existência do mal, e o expõe de maneira clara, como sendo ele gerado totalmente pelo pecado, primeiro de Lúcifer, depois do homem.
Segundo Calvino, nenhuma ligação pode ser engendrada [realizada] entre a existência do mal na natureza, e Deus como criador dessa natureza, ser também o “criador do mal”, conforme expõe nas Institutas:
“Portanto, lembremo-nos de que nossa ruína deve ser imputada à depravação de nossa natureza, não à natureza em si, em sua condição original, para que não lancemos a acusação contra o próprio Deus, como sendo o autor dessa natureza.”
“Portanto, afirmamos que o homem está corrompido por depravação natural, contudo ela não se originou da própria naturezaque foi criada perfeita por Deus. Negamos que essa depravação tenha se originado da própria natureza como tal, para que deixemos claro que ela é antes uma qualidade adventícia que sobreveio ao homem, e não uma propriedade substancial que tenha sido congênita desde o princípio.(..) Nem o fazemos sem um patrono, porque, pela mesma causa, o Apóstolo ensina que somos todos por natureza filhos da ira [Ef. 2.3].”
Explicação:
  1. depravação natural isto é, que veio de sua escolha pelo mal.
  2. da própria naturezaque foi criada perfeita por Deus.
  3. propriedade substancialaquilo que constitui a base de algo, a origem.
  4. congênitagerado simultaneamente com a Criação.
Por não ser Deus o criador do mal, concluiu Calvino que:
“Como poderia Deus, a quem uma a uma comprazem suas mínimas obras, ser inimigo da mais nobre de todas as criaturas [o homem]? Deus, porém, é antes inimigo da corrupção de sua obra, e não da própria obra.”
Desta maneira, é ensinado que o problema do mal não reside em Deus, mas na corrupção que sofreu a natureza, sendo que esta corrupção foi efetuada, primeiramente por Satanás e, posteriormente, através da sedução de Satanás, pelo homem, que foi criado perfeito.

1.4.3.1 A ORIGEM DO MAL EM SATANÁS

Como havia pensado anteriormente Agostinho, Calvino localizou a origem do mal no mundo como proveniente de Lúcifer que, pecando, tornou-se Satanás, segundo o próprio Calvino ensina:
“Como, porém, o Diabo foi criado por Deus, lembremo-nos de que esta malignificência que atribuímos à sua natureza não procede da criação, mas da depravação. Tudo quanto, pois, tem ele de condenável, sobre si evocou por sua defecção e queda. Pois visto que a Escritura nos adverte, para que não venhamos, crendo que ele recebeu de Deus exatamente o que é agora, a atribuir ao próprio Deus o que lhe é absolutamente estranho. Por esta razão, Cristo declara [Jo. 8.44] que Satanás, quando profere a mentira, fala do que é próprio à sua natureza, e apresenta a causa: ‘porque não permaneceu na verdade’.
De fato, quando estatui que Satanás não persistiu na verdade, implica em que outrora ele estivera nela; e quando o faz pai da mentira, lhe exime isto: que não se impute a Deus a falta da qual ele mesmo foi a causa.”
Explicação:
  1. não procede da criação, mas da depravaçãoDeus criou a Lúcifer, que em grego significa “portador da luz”, contudo este se degenerou, ao querer ser semelhante a Deus, pecando, e se tornando Satanás, que em hebraico significa “adversário”.
  2. De fato, quando estatui que Satanás não persistiu na verdade, implica em que outrora ele estivera nelaou seja, em princípio ele fora um ser bom e perfeito, que por decisão própria se afastou de Deus.
Assim, o mal possui uma origem, não em Deus, mas em uma de suas criaturas perfeitas, que intentou tornar-se maior que seu criador, o que Deus não admite (Is. 42.8).

1.4.3.2 A ORIGEM DO MAL NO HOMEM E SUA EXTENSÃO A TODA CRIAÇÃO

Satanás havia pecado e, consequentemente, foi expulso da presença de Deus e de suas santas atribuições (Is. 14). Um novo mundo havia sido recriado, e nele um novo ser fora feito: o homem, sendo que o primeiro foi chamado por Deus de Adão.
Adão fora criado em perfeição material e espiritual, possuindo em estado completo o livre-arbítrio, e ainda mais: possuindo a inclinação natural para o bem. Deus lhe colocou no Éden e, para tornar válido seu livre-arbítrio, lhe impôs que da “árvore do conhecimento do bem e do mal” não comesse, pois quando o fizesse, “certamente morreria” (Gn. 2.9, 16-17).
Nesse ponto Calvino diz:
“Deve-se, portanto, mirar mais alto, visto que a proibição da árvore do conhecimento do bem e do mal foi um teste de obediência; de modo que, ao obedecer, Adão podia provar que se sujeitava à autoridade de Deus, de livre e deliberada vontade. Com efeito, o próprio nome da árvore evidencia que o propósito do preceito não era outro senão que, contente com sua sorte, o homem não se alçasse mais alto, movido de ímpia cobiça.”
“Portanto, Adão podia manter-se [o livre-arbítrio], se o quisesse, visto que não caiu senão de sua própria vontade. Entretanto, já que sua perseverança era flexível, por isso veio tão facilmente a cair. Contudo, a escolha do bem e do mal lhe era livre. Não só isso, mas ainda suma retidão havia em sua mente e em sua vontade, e todas as partes orgânicas estavam adequadamente ajustadas à sua obediência, até que, perdendo-se a si próprio, corrompeu todo o bem que nele havia.”
Já conhecemos a história, Eva e Adão comeram do fruto proibido e atraíram sobre si a mesma maldição do pecado que estava sobre o tentador, Satanás.
Mais uma vez Calvino explica que:
“Entretanto, ao mesmo tempo é preciso notar que o primeiro homem se alijou [afastou] da soberania de Deus, porque não só se fez presa aos engodos de Satanás, mas ainda, desprezando a verdade, se desviou para a mentira. E de fato, desprezada a palavra de Deus, quebrantada lhe é toda reverência, pois não se preserva de outra maneira sua majestade entre nós, nem seu culto é mantido íntegro, a não ser enquanto atenciosamente ouvirmos sua voz. Conseqüentemente, a raiz da queda foi a falta de fidelidade.”
Logo, a culpa do pecado, e a consequente existência do mal está totalmente atrelada aos atos do homem, que no desejo de ser como Deus (Gn. 3:4-6), Dele se afastou, e por esse afastamento trouxe sobre toda a Terra o efeito devastador do mal, através do pecado (Gn. 3.17).

1.5 HARMONIZANDO AS TEORIAS E APONTANDO PARA UMA TEODICÉIA BÍBLICA

Agora, posto que já pudemos ver, basicamente, as três mais imponentes teodicéias cristãs, é necessário concluirmos e respondermos: afinal de onde o mal veio, e qual o seu propósito no mundo?
Com absoluta certeza, se olharmos para a vida prática, o mal contribui para o aperfeiçoamento do caráter dos cristãos que o suportam e vencem, pois assim a Bíblia ensina em diversas passagens (Sl. 116.15, Tg. 5.10-11, 1Pe. 4.19).
Também, pensando como Agostinho e Calvino, de maneira alguma podemos atribuir a Deus a criação do mal, mas este é decorrência exclusiva da atitude do homem de escolher – quando assim podia fazer livremente – pelo caminho do pecado e não da fidelidade à Deus, mesmo que tenha sido tentado pelo Diabo, visto que possuía completa capacidade de resisti-lo – não o fazendo por livre escolha.
Assim, podemos concluir, sem sombra de dúvidas, que a origem do mal é o afastamento e desobediência à vontade de Deus. Pode parecer muito simplista essa afirmação, mas Aquele que possui Nele mesmo todas as coisas e no qual habita toda a plenitude, assim determinou em sua soberana vontade (Is. 43.13).
Logo, a busca da independência de Deus, primeiramente de Lúcifer, e depois do homem, levou o mundo, que era perfeito, ao atual estado de perversidade e sofrimento (Ec. 7.9).
Entretanto, podemos ter certeza que todas as coisas, sejam boas, sejam más, estão contribuindo para o propósito de Deus (Rm. 8.28-30), expresso em Cristo Jesus (Rm. 5.18-21), que não podemos distinguir claramente agora (Dt. 29.29), mas em breve, quando Ele vier, nós compreenderemos perfeitamente (1Co. 13.12).
Assim, se da existência do mal, deriva mais glória a Deus – pois o mal acentua ainda mais a completa bondade, perfeição, justiça e santidade de Deus – cumpre aos cristãos, com todo temor (Hb. 12.25), se alegrarem por terem sido alcançados e feitos participantes da vocação celestial (Hb. 3:1).

Fonte: Igreja Aliança do Calvário

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