NOSSA MISSÃO: “Anunciar o Evangelho do Senhor Jesus à todos, transformando-os em soldados de Cristo, através de Sua Palavra.”

Versículo do Dia

Versículo do Dia Por Gospel+ - Biblia Online

domingo, 26 de março de 2017

Nunca perca a Esperança

“… Senhor, se tu quiseres, podes purificar-me” (Lc 5.12).

​Há problemas insolúveis, há doenças incuráveis, há causas perdidas, a menos que Jesus realize um milagre. E foi o que ele fez e é o que ele faz. O texto em apreço fala de um homem coberto de lepra que, estando como uma carcaça humana, com seu corpo apodrecendo, vai a Jesus, prostra-se diante dele e, clama: “Senhor, se tu quiseres, podes purificar-me”. Sua doença era incurável, seu problema era insolúvel, sua causa era perdida, mas Jesus estendeu a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E, imediatamente, lhe desapareceu a lepra. Seis verdades são destacadas no texto em tela:
​Em primeiro lugar, o doente (Lc 5.12). Os três Evangelhos Sinóticos narram esse episódio, mas só Lucas, que era médico, nos informa que o homem estava coberto de lepra, ou seja, no estado mais avançado da doença. O homem está apodrecendo vivo. Era um carcaça humana. Um ser nauseabundo. Seu caso era irremediável. Ele vai a Jesus, e humildemente, roga por um milagre e o milagre acontece. O doente não exigiu, rogou. Mesmo sabendo que Jesus tem todo o poder, submeteu-se à sua vontade soberana.
​Em segundo lugar, o médico (Lc 5.13). Ninguém podia tocar um leproso sem ficar impuro. Jesus compadeceu-se do homem, tocou-lhe e disse: Quero, fica limpo! Em vez do impuro contaminar o puro, foi o puro que tocou o impuro e tornou o impuro, puro! Por que Jesus tocou o leproso se um leproso não podia ser tocado? Porque viu que o leproso, a tanto tempo reduzido ao ostracismo da doença, precisava sentir-se amado. Jesus é o médico que tem compaixão e poder. Para ele não tem doença incurável nem causa perdida. Ele não apenas cura as feridas do corpo, mas também lanceta os abcessos da alma.
​Em terceiro lugar, a cura (Lc 5.13b). O texto diz: “… e, no mesmo instante, lhe desapareceu a lepra. Jesus cura-o imediatamente, completamente, eficazmente. Cura-o emocional e fisicamente. Cura-o sem deixar qualquer sequela. Cura-o, apesar de estar coberto de lepra, com o corpo deformado, com a pele necrosada. Cura-o a despeito de sua morte já ter sido decretada pela doença.
​Em quarto lugar, o testemunho (Lc 5.14). Jesus manda o homem ao sacerdote por duas razões. Primeiro, porque o sacerdote era a autoridade sanitária competente para declará-lo publicamente curado. Isso significa que os milagres de Jesus não eram apenas experiências subjetivas, mas fatos concretos e verificáveis. Segundo, porque fazendo isso, Jesus estava protegendo esse homem de quaisquer especulações maliciosas. Ninguém precisava suspeitar da veracidade de sua cura. Jesus estava, assim, devolvendo-o ao convívio familiar, religioso e social.
​Em quinto lugar, o impacto (Lc 5.15). O milagre operado por Jesus produziu tal impacto que, grandes multidões afluíam para ouvi-lo e serem curadas. Mesmo tendo Jesus ordenado ao homem curado para não falar nada para ninguém, ele saiu a propalar esse prodígio divino (Mc 1.44,45). Jesus ordenou a esse homem para se calar e ele proclamou os grandes feitos de Cristo em sua vida; Jesus nos ordena a falar e nós nos calamos. A atitude desse homem denuncia a nossa omissão.
​Em sexto lugar, o retiro (Lc 5.16). Em face das multidões afluírem a Jesus para ouvi-lo e serem curadas, Jesus se retirava para lugares solitários e orava. Por que Jesus fugia das multidões para buscar lugares solitários para orar? Primeiro, porque não queria fortalecer na mente das pessoas a ideia de que ele era apenas um operador de milagres. Ele veio como o Messias de Deus, para morrer pelo seu povo. Seus milagres eram sinais de que ele era o ungido de Deus. Segundo, porque Jesus entendia que a intimidade com o Pai era mais importante do que sucesso no ministério. Deus vem antes das pessoas. Terceiro, porque Jesus, sendo perfeitamente homem, sabia que o poder vem por meio da oração. O resultado desse retiro é que “o poder do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17). Jesus, hoje, está à destra de Deus Pai, de onde intercede por nós. Por isso, por mais dramático que seja o nosso problema, jamais devemos perder a esperança!

Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 25 de março de 2017

Orare et Labutare!!! (Oração e Trabalho!!!)

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“E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).
Esse foi o discurso dos apóstolos no tocante a disputa que havia na igreja primitiva acerca da distribuição diária dos alimentos. Temos aqui a instituição do diaconato. Mas, o que queremos ressaltar é a fala dos apóstolos: “E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4). Não que seja algo degradante ou humilhante servir as mesas, pelo contrário era algo de suma importância. Todavia os apóstolos sabiam da importância e tinham convicção daquilo para o qual foram chamados.
Esse discurso dos apóstolos precisa ser resgatado urgentemente. Há uma falência grande nos púlpitos hoje. Vemos pessoas sendo mal alimentadas por mera negligência ou até por falta mesmo de conhecimento por parte de seus líderes. Se por um lado há uma falência, por outro há o terrível perigo de uma ortodoxia seca, árida e por muitas vezes morta. Uma ortodoxia exacerbada sem nenhum grau de piedade.
No texto de Atos (At 6.4) vemos o equilíbrio dos apóstolos em regar o ministério da palavra com uma vida de oração. Não há como divorciar a oração da palavra e ao mesmo tempo ter um ministério frutífero. É-nos mais do que necessário uma vida séria de oração aos pés da cruz de Cristo para que o Espírito Santo nos traga iluminação acerca da palavra de Deus. Se olharmos para a história da igreja, perceberemos que todo grande expositor das Escrituras eram homens de oração. Calvino, Lutero, Wesley, Whitefield, Spurgeon, Edwards e tantos outros, tinham vidas regadas pela oração.
O ativismo tem roubado de nós horas preciosas na presença do Senhor. Temos tempo pra tudo em nosso tão atarefado dia, menos para nos debruçarmos sobre o Santo Livro e nem para dirigirmos súplicas ao Santo Deus. O que eu acho incrível e ao mesmo tempo muito triste é que Deus vem falando desde o Antigo Testamento sobre isso e até hoje fazemos ouvido de mercador. O profeta Malaquias nos exorta da seguinte forma: “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e de sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do Senhor do Exércitos” (Ml 2.7), e como se não bastasse essa exortação de Malaquias ainda temos a assertiva dos apóstolos.
A dedicação ao estudo da Palavra e à oração é algo raro hoje em dia. Vemos um combate infantil no meio cristão entre dois grupos. Aqueles que estudam e se dedicam à busca do conhecimento e os que se dedicam apenas a buscar uma espiritualidade profunda. E em meio a esses dois grupos, um combate, os que buscam o conhecimento chama os espirituais de ignorantes bíblicos, já os que buscam a espiritualidade profunda se defendem dizendo que “a letra mata!” E quem perde com o isso? O Reino de Deus. 
Atentemos para as palavras dos apóstolos... “oração e palavra”. A ortodoxia deve sempre ser acompanhada pela vida de piedade. Esse foi um dos legados dos puritanos. Eles procuravam viver uma vida de intensa piedade alicerçada, é claro, nas Escrituras. Eles entenderam a assertiva dos apóstolos e a viveram intensamente para a glória de Deus. Infelizmente hoje mais do que qualquer outra época vivenciamos esse combate infantil em uma larga e crescente escala. Aqueles que alcançaram um certo grau de conteúdo teológico se julgam melhores que os demais. No meio reformado, infelizmente ao que parece, as pessoas são medias pelos títulos e não pelo seu caráter, testemunho e frutos. Não estou desmerecendo o conhecimento, de maneira nenhuma, pois a exortação de Oséias queima em meu coração: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento!” (Os 4.6) O conhecimento é mais do que necessário, mas sem a iluminação e a unção do Espírito Santo não passa de mero conhecimento.
Outro exemplo de comunhão entre a ortodoxia e a piedade vem dos Morávios. Eles passaram 120 anos em oração ininterruptamente, tudo isso para que fossem revestidos de poder do alto para que pudessem se entregar sem reservas ao serviço do Senhor. Voltando à Bíblia encontramos Jesus exortando os seus apóstolos que para que pudessem realizar a obra de Deus necessitariam de revestimento de poder do alto. Esse revestimento ocorreu no dia de pentecoste e após o ocorrido Pedro se levantou e pregou poderosamente a Palavra e, pela graça, 3000 almas foram salvas por Deus, mas para que tão extraordinária salvação ocorresse foi preciso revestimento de poder. Pedro já tinha o conhecimento, pois tinha sido doutrinado pelo Supremo Pastor e Mestre, mas lhe faltava poder. E o revestimento só veio (claro que era uma promessa e certamente iria acontecer) depois de intensas reuniões de oração. Oração e Palavra não podem ser divorciadas pelo ego humano. Quer seja pela ênfase dada ao conhecimento pelos reformados quer seja pelas experiências espirituais dos pentecostais, precisamos entender que o que os apóstolos propuseram em At 6.4 está longe de ambas as ênfases. Sou reformado e creio numa ortodoxia regada pela fervorosa e sincera oração, e não somente no conhecimento pelo conhecimento como muitos reformados creem. Creio no Santo Espírito de Deus, mas não posso concordar com as sandices e os desatinos promovidos pelos pentecostais. As coisas de Deus requerem decência e ordem (I Co 14.40).
Nesse primeiro artigo de 2017 quero que repensemos nossas atitudes no tocante a nossa vida devocional. Temos muito o que aperfeiçoar e em contrapartida (e acima de tudo) mais ainda para sermos aperfeiçoados por Deus. O tempo que dedicamos à oração e estudo da palavra precisam ser revistos. A qualidade desse tempo também precisa ser corrigida. Tudo isso deve ser revisto. 
A nossa negligência deve ser abandonada e precisamos voltar as Sagradas Letras o quanto antes.  Precisamos também entrar em nossos quartos fechar a porta e orar ao Pai que está em secreto (Mt 6.6).

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira

sexta-feira, 24 de março de 2017

Pastores não choram?

Meus heróis eram os meus pastores

Fui levado pelos meus pais à igreja com oito dias de idade para consagração, há mais de seis décadas. Assim como acontecera com o Menino Jesus. Passei minha infância e adolescência sob total influência da igreja.

Meus heróis eram os meus pastores. Como se vestiam, como falavam, como oravam, como pregavam, como viviam. Eram minhas referências. Mais tarde descobriria que eram também referências exemplares de meus pais. Mamãe orava pedindo a DEUS que Ele me transformasse como um deles.

Não é de se estranhar que, ao final da minha adolescência, estava convicto de um chamado divino e queria ser como um deles.

Solidariedade regada a lágrimas
Um dos aspectos que me marcaram profundamente era ver esses homens, culto após culto, pregação depois de pregação, reunião de oração após reunião de oração, chorando na presença de DEUS, com tal angústia de alma, que terminavam o culto, a pregação, a oração com olhos inchados e vermelhos.

E o que mais me tocava profundamente era o fato de que eles não choravam por causa de suas necessidades materiais – e estas eram inúmeras e sérias – mas era a favor da igreja em geral e das pessoas em particular.

Nas visitas às casas de membros e não membros, doentes, presos, necessitados em geral, que aconteciam regularmente ao longo da semana e excepcionalmente em qualquer dia e hora, também eram marcados com atos de solidariedade que iam desde o choro diante da tragédia, da dificuldade e da tristeza alheia, como o repartir do pouco que tinham, ou até mesmo ficam sem para que o outro pudesse ter sua necessidade mitigada.

Os anos se passaram e o exercício do ministério pastoral foi tomando outras formas, outros matizes. E como ele difere hoje, em termos gerais, em relação do que acontecia há quatro, cinco décadas atrás!

Chamado pastoral versus planos de carreira

O ministério pastoral moderno tornou-se profissional. Pouco se fala em chamado. Quase nenhuma preocupação com a vocação. O encanto do chamado e a inspiração da vocação, premissas fundamentais para o exercício ministerial, deram lugar a projetos de sucessão familiar e planos de carreira inspirados em exercícios bi-vocacionais.

Os desafios da Igreja-Empresa passaram a exigir homens e mulheres “profissas”, capazes de administrar com eficiência, pragmatismo e competência, como em qualquer outra atividade que precisa ser auto-sustentável, para não dizer lucrativa.

O trato cotidiano das mazelas existenciais, o lidar intenso com a dor, o choro, a tristeza, as perdas, os infortúnios, as desgraças alheias, são hoje tratadas com parcimônia e o mínimo de envolvimento emocional e afetivo. Somente o indispensável para dar um toque de humanidade e manter uma salutar impressão de sensibilidade.

Chorar é coisa rara para um pregador hoje?
Não se costuma ver hoje um pregador chorando no púlpito enquanto transmite sua mensagem. Coisa rara. A gente fica até assustada e sem saber o que fazer de tão incomum que é.

A mensagem é, via de regra, consubstanciada com todos os recursos necessários de embasamento técnico e teológico (nem sempre exegético e muito menos doutrinário), extraídos de fontes respeitáveis, geralmente pelo eficiente processo “Ctrl C, Ctrl V”.

Faz sentido isso.

Pois raramente essa mensagem é gerada com dores de parto, ao longo de horas a sós na presença de DEUS, na quietude do quarto fechado, joelhos no chão, gemidos de alma.

Os pastores da minha adolescência não tinham bibliografia alguma, nenhum comentário bíblico, um ou outro possuía uma surrada “Chave Bíblica” – olhe lá! – nem compêndios, muito menos recursos de Internet, Google, sites especializados.

Eu me lembro de um deles, citando um autor de que não me lembro, afirmar que, “aquele que orou bem, se preparou bem”. E assim, na dependência de DEUS, o Espírito Santo os conduzia como canais, como verdadeiros instrumentos.

Discursos empolgados, mas quase sempre com olhos secos

As orações de hoje se contrapõem às de outrora. Discursos empolgados, inflamados, alguns absurdamente gritados. Mas quase sempre com olhos secos. Com gritos, mas sem gemidos. Com empolgação, mas sem intercessão.

Por isso, pastores de outrora eram homens de olhos molhados pelas lágrimas. Lágrimas de quem entendia a essência do ministério. De quem carregava, como Jesus, os pecados do rebanho e por ele, intercedia como Moisés, disposto a renunciar à vida, caso DEUS não fosse atender tal intercessão.

Hoje predomina o ministério de olhos secos. Secos de lágrimas. Secos de comprometimento. Secos de solidariedade.

O Jesus que chorou ao avistar Jerusalém, chorou diante das irmãs de Lázaro – e deve ter chorado outras tantas vezes quando a Palavra diz que “Ele foi movido de íntima compaixão” – espera seguidores que não exerçam um ministério de olhos secos.

• Sergio Fortes é formado em teologia, direito e administração, sendo mestrando em Ciência das Religiões. Atua como Consultor em logística e assuntos estratégicos. Serve como leigo na Igreja Batista Central de São Bernardo do Campo.

quinta-feira, 23 de março de 2017

5 Benefícios de Cultuarmos em Família Regularmente, por Tom Ascol

Ao longo dos anos, tenho perguntado a grupos de adultos Cristãos quantos deles cresceram em lares onde havia culto familiar regular. No início foi raro encontrar pessoas (tipicamente da minha geração ou mais velhas) que responderam afirmativamente. Nos últimos anos, o número de respostas positivas aumentou dramaticamente — quase exclusivamente as gerações mais novas de crentes. Essa é uma indicação esperançosa e encorajadora de que uma reforma bíblica está ocorrendo.

O culto familiar regular é valioso e traz muitas bênçãos para pais e filhos. Aqui estão cinco benefícios que tenho observado.

1. Planejar regularmente períodos para ler a Bíblia, cantar e orar juntos como família ajuda a estabelecer uma espiritualidade saudável no lar. Quando a Escritura é regularmente lida e discutida, quando os salmos, hinos e cânticos espirituais são regularmente cantados e quando a oração é regularmente oferecida ao Senhor, não é estranho ou mesmo incomum ter conversas espirituais a qualquer momento. Muitas vezes, eventos, conversas e atividades que inevitavelmente ocorrem no curso da vida familiar naturalmente se relacionam com uma parte da Escritura recentemente lida ou discutida. A aplicação do ensino bíblico é mais prontamente feita quando a própria Bíblia é frequentemente lida em conjunto. As perguntas sobre assuntos espirituais não parecem fora de lugar quando a verdade espiritual é regularmente discutida em uma família.

2. O culto familiar é uma ótima maneira para os pais evangelizarem e discipularem seus filhos. Deus coloca essa responsabilidade diretamente sobre os ombros dos pais quando a Escritura nos instrui a criar nossos filhos “na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6:4). Sim, isso significa que os pais devem cuidar para que seus filhos sejam consistentemente integrados na vida de uma igreja biblicamente saudável e estejam regularmente sob a pregação e o ensino da Palavra de Deus naquela igreja. Mas também significa que os pais devem estar diretamente envolvidos em ensinar aos filhos a verdade sobre Deus a partir da Escritura. Como Moisés instruiu os israelitas: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Deuteronômio 6:6-7). Os pais são responsáveis por treinar espiritualmente seus filhos e o culto familiar regular ajuda tremendamente nesse esforço.

3. As crianças podem aprender a adorar corporativamente com outros crentes, ao adorarem consistentemente o Senhor em suas casas. Isso não significa que o culto familiar terá a mesma formalidade da adoração na igreja, mas isso significa que os pais podem mostrar às crianças a importância de estar atentos e reverentes quando a Palavra de Deus está sendo lida, quando o louvor é oferecido a Deus através de cânticos e quando Ele está sendo abordado na oração. A reverência e a atenção são traços que devem ser aprendidos e os pais sábios sabem que seus filhos não os adquirirão naturalmente. É muito mais fácil ensinar as crianças como e por que elas devem ser reverentes nas reuniões do Dia do Senhor na igreja se essas mesmas lições estão sendo reforçadas no ambiente familiar da casa durante a semana. Como pastor, sempre sou encorajado quando vejo os pais assumirem essa responsabilidade seriamente, pois sei que seus filhos estão sendo ensinados a adorar o Deus vivo.

4. O culto familiar regular oferece aos pais oportunidades naturais para encorajar seus filhos a falar sobre suas vidas espirituais internas. “O que essa passagem da Escritura significa para nós hoje?”, “Como devemos responder ao que Deus diz?” e “Você realmente acredita nisso?”. Essas perguntas podem ser pensadas e espontaneamente feitas nessas ocasiões. Os pais podem sugerir como responder à Palavra de Deus oferecendo suas próprias respostas honestas. À medida que as crianças veem seus pais dependendo da graça de Deus, humildemente confessando o pecado e confiando em Cristo, elas serão encorajadas a expressar seus próprios pensamentos, medos, esperanças e desejos. Elas também aprenderão como pedir oração e orar pelos outros.

5. A adoração regular em família proporciona uma oportunidade de testemunhar a verdade e o poder do Evangelho aos convidados em sua casa. Ao mostrar hospitalidade a vizinhos, amigos ou familiares, o ritmo regular do culto familiar não deve ser abandonado. Se é um padrão estabelecido em sua casa, então será natural praticá-lo, mesmo com convidados presentes. Isso deve ser conduzido com sabedoria e humildade, de modo a não se transformar em uma exibição de justiça própria ou de algo condenatório. Uma pergunta simples pode muitas vezes ser suficiente para evitar isso. “Nós normalmente tomamos alguns minutos nesse período para ler a Bíblia, cantar e orar como família. Você se importaria se fizéssemos isso juntos?”. Quando as famílias regularmente adoram a Deus em suas casas e praticam regularmente a hospitalidade, essa oportunidade se apresentará frequentemente.

Estes são cinco benefícios do culto familiar que eu tenho visto e experimentado ao longo dos anos. Que outros você acrescentaria à lista?

Fonte: O Estandarte de Cristo

Pensamos o suficiente quando lemos a Bíblia?

“Todos nós temos uma tendência a pensar que o mundo deve estar de acordo com os nossos preconceitos. A visão oposta envolve algum esforço de pensamento, e a maioria das pessoas iria morrer antes de pensar - na verdade, é o que fazem.”1 A frase é do matemático e filósofo ateu Bertrand Russell (1872-1970). É cutucão oportuno para que cristãos e não cristãos se perguntem se pensam – o suficiente, talvez – quando leem a Bíblia.

Arthur L. Schawlow, prêmio Nobel de Física de 1981, considerou que “somos afortunados em termos a Bíblia, e especialmente o Novo Testamento que nos fala sobre Deus em termos humanos muito acessíveis, embora também nos deixe algumas coisas difíceis de entender.”2 Schawlow via na Bíblia valiosa fonte de conhecimento, da qual não se usufrui sem significativo envolvimento da mente, visto que ela também nos deixa “algumas coisas difíceis de entender.”

Obviamente há os que preferem não ler a Bíblia; desses, muitos se julgam capazes, mesmo assim, de opinar sobre o cristianismo. No meio acadêmico a situação é particularmente curiosa. O Prof. John Suppe, da Universidade de Princeton, membro da Academia Nacional de Ciências dos EUA, parafraseou o que lhe caiu como raio em certa ocasião na capela universitária de Princeton, ainda antes de se tornar cristão convicto: “Vocês [professores e estudantes] conhecem muito bem o seu negócio acadêmico. Mas seu conhecimento do cristianismo é de jardim da infância.”3 Pois para conhecer a proposta cristã é preciso ler e entender – ao menos até certo ponto – o relato bíblico.

Quando lemos a Bíblia, a reflexão cuidadosa – como acontece também em ciência – precisa proceder em estrita conformidade com a natureza objetiva do que está sendo lido e estudado. Assim, por exemplo, é preciso dar aos evangelhos (a parte da Bíblia que trata da história de Jesus) a oportunidade de comunicar sua mensagem; e Jesus precisa ser entendido de acordo com seu próprio discurso. Por isso não “vale” ler passagens bíblicas desconsiderando o contexto, inclusive as intenções nele expressas, ou ainda munido de preconceitos ou premissas especulativas. O evangelho de Lucas, por exemplo, precisa ser lido como um texto escrito pelo motivo exposto logo no seu início. Ali, Lucas informa a Teófilo, seu primeiro leitor, que lhe “pareceu conveniente, após acurada investigação de tudo desde o princípio, escrever de modo ordenado... para que verifiques a solidez dos ensinamentos que recebeste.” (Lucas 1.1-4) Semelhantemente, o evangelho de João precisa ser lido considerando que foi escrito “para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele” (João 20.31). Da mesma forma, é imprescindível lembrar que o Novo Testamento é portador de informação de “testemunhas oculares” (2 Pedro 1.16). E assim por diante.

Com relação ao discurso de Jesus, principal veículo da mensagem do Cristianismo, percebe-se que ele:

- É desafiador: “Eu lhes mostrarei a que se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa” (Lucas 6.47-49).

- É relacional: “Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor... O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei” (João 15.9 e 12).

- Não é endereçado aos autossuficientes: “Respondeu-lhes Jesus: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento” (Lucas 5.31-32).

- É voltado à satisfação e segurança do homem: “O ladrão vem apenas para furtar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10.10). Disso pode resultar em nós a “confiança em que Deus me será fiel em qualquer situação da vida, e em que Ele é o garantidor e o fundamento da minha vida, de forma que minha vida não mais poderá perder seu sentido.” Esse foi o testemunho do Prof. Helmut Thielicke (1908-1986), ex-reitor da Universidade de Hamburgo.

O chamado de Jesus na passagem de Lucas 5 mencionada anteriormente, e suas consequências são explicadas com maior detalhe por Paulo de Tarso:

- “... deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês.” (Romanos 12.2)

- “É preciso que o coração e a mente de vocês sejam completamente renovados.” (Efésios 4.23)

É por isso que a leitura da Bíblia nos leva a “ler” nossa mente de forma crítica, e a reconheceremos nela não o instrumento soberano ao qual tudo se deve submeter, mas o grande instrumento que precisa da “completa renovação” operada por Deus, o soberano. A Bíblia e a mente: precisamos de uma para ler a outra.

Notas
1. Bertrand Russell – The ABC of Relativity, 1a edição, 1925.
2. Em H. Margenau e R.A. Varghese (editores) – Cosmos, bios, theos, Open Court, Chicago, 1992. ISBN 0812691865.
3. John Suppe – “Odinary memoir,” em P. M. Anderson (editor), Professors Who Believe, InterVarsity Press, 1998.



Karl Heinz Kienitz
Tem doutorado em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça. É professor de engenharia em São José dos Campos (SP). É editor do blog Fé e Ciência.

quarta-feira, 22 de março de 2017

A Reforma ainda não acabou, assegura John MacArthur

Prestes a completar 500 anos, a Reforma Protestante ainda não acabou. É o que afirmou o renomado pastor e escritor John MacArthur durante a Conferência Nacional Ligonier, realizada em Orlando, Estados Unidos.
Durante uma palestra a pastores de várias partes do país, ele assegurou que a luta de Martinho Lutero, percursor da Reforma no século XVI, continua até o dia de hoje. Disse ainda que “a batalha pelo Evangelho continua em andamento”.
“O Evangelho sem barganhas não foi resolvido 500 anos atrás, mas estabelecido há 2000 anos. Mesmo assim, continuamos chamando a igreja professante a permanecer fiel à verdade”, disse MacArthur aos presentes.
“A Reforma não acabou. A cada curva na estrada, a cada novo falso mestre que surge para ensinar uma versão ou outra de uma ‘mensagem alternativa’, devemos abordar esse assunto”, assegurou.
MacArthur lembrou que um dos alicerces da Reforma é o “Sola Fide”, ou seja, a salvação vem somente pela fé. “Se a doutrina da ‘Sola Fide’ se sustenta, a Igreja se mantém firme, se isso cair por terra, a Igreja toda entra em colapso”, continuou.
Ele comparou isso com a decisão do Conselho Católico de Trento, que considera a doutrina reformada como “anátema”, termo grego que significa “amaldiçoada”. Fiel ao seu estilo confrontador, ele disparou: “Você acha que existe harmonia entre o catolicismo romano e a doutrina das verdadeiras igrejas evangélicas? Pode esquecer”.
Assim como em vários lugares do mundo, os norte-americanos estão fazendo conferências este ano para refletir sobre o aniversário da Reforma Protestante, que completa meio milênio dia 31 de outubro.
As colocações de McArthur chamam atenção pelo fato de o papa Francisco vir buscando uma aproximação com ramos da igreja protestante – como luteranos e anglicanos – em nome de uma doutrina comum. Com informações de Christian Post

Inveja

“Ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é querer que o outro não tenha.” (Zuenir Ventura)

Diferentemente da ira ou da gula, a inveja é uma condição emocional sorrateira. Ela queima como fogo de palha, por baixo, sem fumaça.

A ira produz erupções violentas; a gula compromete nosso manequim; a preguiça faz nosso chefe reclamar; a luxúria nos afasta até da família mais liberal; mas a inveja dificilmente aparece, pois o comportamento de um invejoso não difere muito do de um crítico, de um ressentido, de um coração magoado.

Nenhuma dessas condições é, propriamente, inveja. Porém, esta pode estar “orquestrando” a todas aquelas, por trás. Ela pode até mesmo produzir elogios e dar presentes. Este foi o caso de Saul, em relação a Davi. O rei entregou ao rapaz um comando em seu exército e lhe ofereceu a mão de sua filha em casamento -- na esperança de fazê-lo “ir a óbito” (1Sm 18.5-29).

Como não sabe criar, o diabo distorce. Então, para produzir a inveja, ele corrompeu a admiração, transformando-a no segundo pecado mais daninho que o ser humano já provou. Admirar é a capacidade de se deixar impactar pelo excepcional, pelo espantoso, de uma forma generosa, abnegada e contente.

Diz-se que a inveja só perde para o orgulho em poder de destruição, em poder de potencializar o que há de pior no ser humano. A inveja é o maestro de nossos outros pecados. E corta para os dois lados: o do invejado e o do invejoso. A inveja é potencialmente homicida e suicida ao mesmo tempo. Esse potencial raramente atinge seu clímax, revelando-se apenas como sentimento mesquinho, do tipo “se não posso ir a esse churrasco, que chova”.

Esse pecado advém de uma necessidade de nos compararmos com os outros. E ao encontrarmos neles motivos de admiração, sofremos, em vez de simplesmente nos alegrarmos. E aí está a obra do diabo: o invejoso sempre se compara e sofre com o bem dos outros que, para ele, é sempre maior e melhor (um problema de autoestima). A grama do quintal do vizinho é sempre mais verde.

Assim, tudo começa com algo vindo de Deus: a capacidade de admirar e de se admirar. E nunca admiramos o trivial ou mesmo algo bom que tenhamos ou sejamos. Normalmente, só o narcisista admira algo que ele próprio tem ou é. Admira-nos aquilo que não encontramos em nós mesmos, como capacidades artísticas, dons, beleza, inteligência, posses etc. Em especial, quando alguém nos “vence” em algum ponto em que nos consideramos fortes.

É aí que o inimigo semeia a inveja, fazendo com que essa admiração se transforme de alegria em sofrimento, sem muita consciência da razão. Passo seguinte, inconscientemente desejamos “vencer” essa competição. Porém, o inimigo não nos dá força para tal. Sugere-nos, ao contrário, o expediente de Caim. Ou o de Saul; com a língua desempenhando o papel da lança. Ou, se precisarmos de ajuda, que fundemos a fraternidade dos “irmãos de José”.

Sentir inveja é pecado. Porém, tornar-se invejoso é ainda mais grave. Vemos em Provérbios 14.30 que ela nos faz adoecer: “a inveja é a podridão dos ossos”. E isso acontece quando esse pecado se instala em nossa alma. De alguma forma perversa, essa atitude “nos ajuda a viver”, criando em nosso coração mecanismos de autojustificação. E o invejoso passa a achar que “o que fizeram com ele justifica sua reação”. Afinal, todos lhe estão devendo.

Aninhada na placenta do nosso coração, ela agora se multiplica em ninhada. Surgem, por exemplo, o ódio, a ira, o homicídio e uma infinidade de pequenas transgressões (cometidas pelo invejoso covarde), com um só objetivo: humilhar ou destruir o invejado. Vêm, então, a difamação, a calúnia, o desmerecimento, a crítica destrutiva, a palavra amarga e uma indisfarçável alegria com o infortúnio do outro. Do “inimigo”.

Resultado, esse pecado nos lança num mundo de trevas. Já não nos alegramos com o que temos ou somos (a não ser que ninguém mais tenha ou seja -- mas aí já não tem graça); já não somos gratos a Deus pelo que nos deu (como pôde o Senhor abençoar aquela criatura!?); já não somos edificantes, e sim desconstrutores. Passamos boa parte da vida a nos comparar com os outros. E nossa baixa autoestima nos faz “admirar” as coisas boas que encontramos neles -- e isso nos consome! Está ficando pesado? Uma paradinha.

Dois amigos passeavam na calçada quando um deles chutou uma espécie de lata velha. Era uma lâmpada de gênio, que, tendo sido acordado, apareceu e disse: “Estive preso nessa lâmpada por muitos séculos e estou muito cansado. Portanto, vocês têm direito a apenas um pedido. Façam logo, pois não tenho tempo a perder”. Um dos amigos, animado, pediu para ficar rico, e foi logo atendido pelo gênio. O segundo amigo viu aquilo tudo e pediu: “Quero que meu amigo volte ao que ele era antes”.

Outra versão, mais dramática, diz que o gênio impôs uma condição para o pedido único: tudo o que um deles pedisse seria dado também e em dobro para o outro. Aí, o amigo invejoso se adiantou e pediu: “Quero que você me tire um olho”.

Aí está a sabedoria popular a nos ensinar que o invejoso não consegue construir. Bastaria aproveitar a chance única e ser muito feliz. Porém, a felicidade do companheiro torna-se um problema. E ele prefere destruir. Nem que precise sofrer.

Mas nem tudo está perdido. Deus colocou recursos espirituais à nossa disposição para vencermos a inveja. Eis alguns, encontrados na literatura como virtudes antagônicas a esse pecado: amor, gratidão, compaixão, misericórdia e lamento.

Examinando cada uma delas, faço minha opção pelo “amor diligente”. Aquele amor dinâmico, capaz de me transformar, pela busca do poder do Espírito de Deus. Ouça Jesus: “...Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Ouça Paulo: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis”. Ainda Paulo: “...Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber...”

Se eu examinar meu próprio coração* e me descobrir invejoso e, por isso mesmo, agredido, humilhado e perseguido por gente que, de “tão boa”, se tornou meu algoz -- e quiser mudar --, buscarei o Senhor em meu quarto e lhe pedirei que me ajude a abençoar, a falar bem “pelas costas”, a elogiar esse “inimigo”. E pedirei mais: que Deus me dê oportunidades e meios (emocionais) de lhe “lavar os pés”. Sabemos que, na medida da resposta de Deus, a minha redenção se manifestará na forma de serviços a esse “inimigo”. Serviços que remodelarão meu coração egoísta em abnegado e generoso, capaz de, solidariamente, alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram. Serviços como aqueles com que meu Mestre serviu. E nessa atitude, “teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.4, 6 e 18).

Assim, mais uma vez, da cruz de Cristo e também da minha; da humilhação, agora voluntária, há de vir a vitória.

* O Ministério da Saúde Espiritual adverte: este texto não deve ser utilizado em diagnósticos de terceiros. Serve apenas para introspecção. Não desaparecendo os sintomas, procure seu pastor.


Rubem Amorese
Autor de Fábrica de Missionários, Louvor, Adoração e Liturgia, Meta-História, Icabode, Excelentíssimos Senhores e Igreja & Sociedade, Rubem Martins Amorese é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. Foi professor na Faculdade Teológica Batista de Brasília (FTBB) por vinte anos e presidente do Diretório Regional – DF da Sociedade Bíblica do Brasil. Foi diretor de informática no Centro de Informática e Processamento de Dados do Senado Federal (PRODASEN) e integrou a Comissão de Inquérito que desvendou a violação do painel eletrônico do Senado Federal.

terça-feira, 21 de março de 2017

Cid Moreira vira youtuber e lança “Canal da Bíblia”

Famoso como apresentador de TV, Cid Moreira além de jornalista e locutor, agora inicia um novo desafio profissional e lança, aos 89 anos seu canal no Youtube.
Com o nome de “Canal da Bíblia”, o material explora sua especialidade nos últimos anos: a leitura de passagens sagradas. Âncora do “Jornal Nacional”, entre 1969 e 1996, Cid não pensa em parar de trabalhar.
“Não concebo a vida sem trabalho. Quando eu era garoto chegava até a juntar esterco para vender e não parei mais. Essa palavra aposentadoria até me irrita. Me recuso. Só Deus vai me aposentar”, afirmou ele ao UOL.
Ele diz que seu canal no YouTube será dedicado à leitura da Bíblia “numa linguagem simples e atual”. A proposta é apresentar ao público um livro por semana, junto com uma série de perguntas, a começar pelo Gênesis.
As gravações são feitas no estúdio de sua casa em Petrópolis, região serrana do Rio. O primeiro episódio foi ao ar no último dia 12 e a promessa é que ele irá publicar um vídeo novo por semana. Embora não seja usuário das redes sociais, ele reconhece que a internet mudou a maneira das pessoas obterem informações.
Evangélico, ele disse que pretende gastar seus últimos anos de vida divulgando a Palavra de Deus. A narração que fez de toda a Bíblia em CDs, em 2001, fez muito sucesso no país, agora ele leva a mesma ideia para a internet. “Tive a fase do rádio, do cinema e do teatro. Durante muito tempo eu só gravava comerciais. São fases. Todas elas eu achei brilhantes. Agora estou numa fase que não troco por nenhuma delas.”, encerra
A ideia de revitalizar o canal –  que já existia – foi do grupo editorial Gol, com apoio da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). Atualizado, ele manterá os vídeos da versão antiga, com narração dos Salmos. Quando o usuário acabar a audição de cada um dos livros, será direcionado a uma página com testes preparados por teólogos e conhecedores da Bíblia.
Quem responder às questões corretamente até o final receberá um certificado oficial da SBB atestando que o texto foi lido, escutado, assistido e compreendido em sua totalidade.

Fonte: gospelprime

Por que até ateus dizem “graças a Deus”?

“Graça, a última palavra perfeita” (Philip Yancey)

A gente não pensa no que fala. Nem sei se fala o que pensa. Aliás, admito que o que menos temos feito é pensar. O fato é que temos muitas expressões idiomáticas interessantes, verdadeiros hábitos linguísticos – presto atenção ao fenômeno quase o tempo todo por causa do irrevogável gosto que alimento pelas palavras; deve ter sido a paixão pela leitura e a formação em Letras.

Uma dessas expressões é “graças a Deus”. Usamos o tempo todo. Até mesmo ateus distraídos o fazem, ou mesmo os conscientes (sim, ateus tem um tipo de fé). Acreditam tratar-se de um mero hábito de linguagem, algo como “que bom”, “ainda bem”, algo do tipo. Mas não é.

Dias desses, o filósofo Luis Felipe Pondé, professor da PUC de São Paulo e colunista da Folha de São Paulo, notou em um instigante artigo, com a sua peculiar (às vezes polêmica, cáustica mesmo) astúcia, que dizer “graças a Deus” é o “reconhecimento intuitivo do fato de que estamos nas mãos da contingência incontrolável e que, por isso mesmo, devemos ‘agradecer’ a ela tudo de bom que (por sorte) nos acontece”, e que isso “está em profunda consonância com a sabedoria israelita antiga e com Eliade e Lutero”. O filósofo acrescenta: “Graças a Deus” é uma profunda forma de reconhecimento da frágil beleza da vida, e uma confissão de humildade que é, sempre, uma forma dessa mesma beleza.

Não concordo com muita coisa que Pondé escreve. Mas ressalto e admiro sua honestidade intelectual, a coragem cortante do seu pensamento, a beleza da sua linguagem e seu estilo rolo-compressor de filosofar, algo que herdou de Nietzsche, nota-se. Recentemente ele se definiu como um ex-ateu. Elogia Jesus de Nazaré, a ética cristã e a enorme herança civilizatória que a tradição judaico-cristã legou a esse nosso ocidente tão ultra individualista e secularizado. Por isso ele me surpreende ao reconhecer que dizer “graças a Deus” é mais que uma muleta idiomática. Vem de muitos lugares profundos da espiritualidade dos hebreus, do nosso débito com o Eclesiastes, por exemplo.

A graça é a soberana e livre providência divina em ação. É o Senhor permitir que coisas boas aconteçam a pessoas ruins, esse sim, é um problema filosófico para quem não crê. Coisas ruins acontecem a pessoas boas, como nos lembra o clássico do rabino Harold S. Kushner, no seu famoso livro escrito quando o mesmo era um jovem rabino e perde de modo trágico seu filho de três anos.

Afinal, o que quer dizer “graças a Deus”?

“Graças a Deus” quer dizer que o acaso não dá conta, não explica nem o mal nem o bem. “Graças a Deus” anuncia que há um sentido no mundo e um mundo de sentido que, apesar de não alcançarmos, está lá, forte e real. Como um mosquito numa barraca de camping: o fato de não o vermos não quer dizer que não exista. “Graças a Deus” então, pode ser assumida como uma expressão de culto, hino, liturgia, devoção, palavra-de-adoração como “aleluia”, “amém”, “Hosana” e “Maranata”. Graças a Deus pela Graça. Graças a Deus pela Fé, pela Redenção, pela Cruz, pela Igreja de Cristo.

Yancey no seu clássico moderno “Maravilhosa Graça” me enleva e resume: “Damos ‘graças’ antes das refeições, somos gratos pela bondade de alguém, sentimo-nos gratificados com boas noticias, congratulados quando temos sucesso, graciosos hospedando amigos, quando uma pessoa nos serve bem, deixamos uma gratificação”. E vai por aí. Fomos e somos agraciados pela Providência o tempo todo, minha gente! O mundo não é tão sem graça como insistem os que não creem. Graças a Deus. Só uma persona non grata não o reconhece.

E dirás naquele dia: Graças te dou, ó SENHOR, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas. (Isaías 12:1)


Gerson Borges
Carioca do subúrbio e paulista do ABCD. É educador, escritor, músico/poeta e pastor na Comunidade de Jesus em São Bernardo (SP). Casado com Rosana Márcia, pai de dois meninos e torcedor do Flamengo e do São Paulo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Você não pode ouvir Deus falar com a Bíblia fechada, diz atriz Sadie Robertson, de Deus Não Está Morto 2

O cinema cristão vem se consolidando como uma importante ferramenta de difusão de testemunhos e mensagens de encorajamento e transformação de vidas, e a atriz Sadie Robertson (Deus Não Está Morto 2), 19 anos, fez uma publicação incentivando as pessoas a lerem a Bíblia Sagrada para que estejam aptas a ouvir a voz de Deus.
A jovem atriz participou do filme Deus Não Está Morto 2 e também do longa-metragem chamado I’m Not Ashamed (“Eu Não Me Envergonho”, em tradução livre), que narra o testemunho de uma aluna cristã que morreu em um atentado terrorista a uma escola em Columbine, em 1999.
Em uma publicação no Instagram, a atriz afirmou que em um período de sua vida, ela omitia um problema durante suas orações, como se pudesse ocultá-lo de Deus: “Eu fazia isso porque eu estava com medo”, escreveu.
Sem entrar em detalhes, Sadie Robertson afirmou que se portou dessa forma porque acreditou que era a solução mais simples: “Eu pensei que talvez eu estivesse fazendo um bem a mim e a Deus em simplesmente não mencionar isso. E essa atitude só criou uma divisão entre eu e meu Criador”, afirmou.
“Havia algo entre nós, impedindo nosso relacionamento, porque eu não confrontava meu problema”, disse, acrescentando que esse problema se tornou um pesado fardo, que a obrigou a contar mentiras para si mesma.
A certa altura, ela disse ter ouvido um chamado de Deus, para que mudasse de postura: “A vida me deu um tapa na cara e antes que eu pudesse bater de volta, eu me encontrei gentilmente abrindo as páginas da Bíblia e vendo toda a verdade que eu precisava saber há tanto tempo”, relembrou.
Dessa experiência, ela tirou uma importante lição: “Você não pode dizer que Deus está em silêncio se sua Bíblia está fechada […] Vocês podem ter medo de Deus, porque vocês o vêem como ‘juiz’. Eu quero oferecer-lhe outros nomes para Ele. O caminho, a Verdade, a Vida, a rocha, amor, paz, o Criador, soberano, Ele é a força quando somos fracos, Ele é o começo e o fim”, explicou.
A postagem, que poderia soar como um desabafo, era na verdade, uma ação evangelística: “Ele sempre me mostrou a redenção, então, hoje, se você fez um nome para quem Deus é, mas nunca abriu a Bíblia para ver ou pediu para receber, quero desafiá-lo a fazer isso. Paz”, concluiu.
Deus Não Está Morto 3
O novo filme da saga que mostra o combate ao ateísmo militante através da defesa da liberdade religiosa deverá chegar aos cinemas norte-americanos no dia 30 de março, como uma espécie de “esquenta” para a Páscoa deste ano, segundo informações do Patheos.
Já o filme I’m Not Ashamed, que ainda não recebeu título oficial em português, deverá estrear no Brasil ainda no primeiro semestre de 2017.

Fonte: gospel+

Conselhos de Salomão

Salomão é o mais extravagante de todos os personagens das Escrituras Sagradas. Pode ser chamado, sem erro, de polivalente, superdotado e exagerado. Viveu mil anos antes de Cristo. Era filho de Davi e “da que fora mulher de Urias” (Mt 1.6). Foi educado pelo profeta Natã (2 Sm 12.24-25). Assentou-se no trono de Israel por decisão do próprio pai (1 Rs 1.28-31). Foi uma expressão da misericórdia divina, uma vez que descendeu exatamente da mulher com a qual Davi adulterou. Seu nome está na árvore genealógica de Jesus Cristo, pois “onde aumentou o pecado, a graça de Deus aumentou muito mais ainda” (Rm 5.20, BLH). Salomão foi um fenômeno quanto à capacidade e à diversidade de trabalho.
Salomão escreveu mil e cinco cânticos e três mil provérbios. Dos três mil provérbios, muito menos da metade está na Bíblia, sob o título Provérbios de Salomão. Se cada versículo de Provérbios fosse um provérbio, teríamos então 915 provérbios, somente um terço de toda a sua produção. Acompanhe alguns de seus conselhos:

1. Evite o mal e caminhe sempre em frente; não se desvie nem um só passo do caminho certo.
2. A riqueza que é fácil de ganhar é fácil de perder; quanto mais difícil for para ganhar mais você terá.
3. Afaste-se das pessoas sem juízo porque gente assim não têm nada para ensinar.
4. Peça a Deus que abençoe os seus planos, e eles darão certo.
5. Corrija os seus filhos enquanto eles têm idade para aprender; mas não os mate de pancadas.
6. Ouça os conselhos e esteja pronto para aprender; assim um dia você será sábio.
7. Procure bons conselhos e você terá sucesso; não entre na batalha sem antes fazer planos.
8. Não seja vingativo; confie no Deus Eterno, e Ele fará a justiça a você.
9. Pense bem antes de prometer alguma coisa a Deus, pois você poderá se arrepender depois.
10. Se você não quer se meter em dificuldades, tome cuidado com o que diz.
11. Não se mate de trabalhar, tentando ficar rico, nem pense demais nisso, pois o seu dinheiro pode sumir de repente, como se tivesse criado asas e voado para longe como uma águia.
12. Não fique contente quando o seu inimigo cair na desgraça. O Deus Eterno vai saber que você ficou contente com isso e não vai gostar. E Ele poderá parar de castigar esse inimigo.
13. Não se revolte por causa dos maus nem tenha inveja deles. Os pecadores não têm futuro; eles são como uma luz que está se apagando.
14. Ninguém se elogie a si mesmo; se houver elogios, que venham dos outros.
15. Jovem, aproveite a sua mocidade e seja feliz enquanto é moço. Faça tudo o que quiser e siga os desejos do seu coração. Mas lembre-se de uma coisa: Deus o julgará por tudo o que você fizer.
(Textos retirados dos Provérbios de Salomão e Eclesiastes, na versão A Bíblia na Linguagem de Hoje: Pv 4.27; 13.11; 14.7; 16.3; 19.18; 19.20; 20.18; 20.22; 20.25; 21.23; 23.4; 24.17; 24.19; 27.2 e Ec 11.9.)

 

domingo, 19 de março de 2017

Casamento – beleza e transcendência

Sob o ponto de vista cristão e bíblico, o casamento é uma instituição natural, inaugurada por Deus logo após a criação do homem e da mulher, que une duas pessoas de sexos diferentes, para viverem em companhia agradável, até que a morte ou a infidelidade contumaz e irreversível de um ou de ambos os cônjuges os separe, com a finalidade saudável de perpetuar a espécie e passar para os filhos as ideias de um Deus não criado, Todo-poderoso, criador e sustentador de todas as coisas visíveis e invisíveis, Senhor e amigo do homem.
Assim posto, o casamento é de origem divina, heterossexual, monogâmico, estável e, salvo casos raríssimos (os que detêm da parte de Deus o dom do celibato espontâneo), indispensável para a realização interior do homem e da mulher.

Qualquer comportamento diferente indica a intromissão do pecado original provocado pela queda do homem e do pecado atual e pessoal.
A prova disso é que, já em Gênesis, encontram-se várias aberrações progressivas, à luz da organização inicial do matrimônio: o início da poligamia (4.19), o início da libertinagem (6.2), o início da sodomia (19.5), o início da relação sexual entre pai e filhas (19.30-38), o início do estupro (34.2), o início da relação sexual entre enteado e madrasta (35.22), o início da prostituição (38.12-19) e o início do desrespeito aos compromissos conjugais (39.7-20). Só não se menciona algum caso de bestialidade (prática sexual com animais), que, talvez, já tivesse acontecido, já que um dos mandamentos de Deus proíbe que alguém se deite com animais (Lv 18.23). Jesus Cristo engloba todas essas “novidades” na área do sexo como “relações sexuais ilícitas” (Mt 5.32), expressão que aparecerá outra vez por ocasião do concílio de Jerusalém (At 15.20, 29).
Salvo essas “relações sexuais ilícitas”, o que fica é o sexo lícito — a relação inteira de um homem com sua esposa ou de uma mulher com o seu esposo, em todas as áreas, inclusive na troca de experiências sexuais, sempre que desejadas, não importando se delas virá ou não uma gravidez.
É preciso perder a noção multissecular aberta ou oculta no mais fundo da consciência humana de que a relação lícita é algo menos santo, ou apenas permitido ou tolerado por Deus. O desejo de acariciar, apalpar, despir e manter um intercurso sexual com o cônjuge é natural, faz parte da criação de Deus e antecede a queda da raça humana (Gn 2.24). É natural para ambos os sexos, não apenas para o homem. O que faz a grande diferença entre relações sexuais ilícitas e relações sexuais lícitas, sem as inovações antinaturais, é o matrimônio.

Fonte: Revista Ultimato

sábado, 18 de março de 2017

O povo de Deus precisa de pregação e de ensino

Ao longo dos anos, não deixei em secreto a minha admiração por homens como Martinho Lutero e João Calvino, que foram tão influentes na recuperação do evangelho durante a Reforma Protestante do século XVI. Eu fico maravilhado com seus intelectos imponentes e capacidade de permanecerem firmes em meio a muitos perigos. O amor deles pela verdade bíblica é um exemplo a ser seguido, e à medida que me aproximo de vinte anos de pregação semanal em Saint Andrew’s Chapel, sou particularmente grato pelo seu modelo pastoral. Os dois homens foram “célebres” em seus dias, mas nenhum deles passou seus anos viajando pela Europa, a fim de consolidar um movimento de seguidores. Em vez disso, ambos se dedicaram à sua vocação primária de pregar e ensinar a Palavra de Deus. Ambos eram pregadores incansáveis ​​— Lutero em Wittenberg, na Alemanha, e Calvino em Genebra, na Suíça. Eles consideraram seriamente o ministério da Palavra de Deus, então, quando eles falam sobre a tarefa do pregador, eu presto muita atenção.
Há mais de uma década, fui convidado a dar uma palestra sobre a visão de Martinho Lutero sobre a pregação e descobri que a preparação para esse exercício era inestimável para meu próprio trabalho como pregador. Descobri também que aquilo que Lutero tinha a dizer sobre a pregação não era apenas para o pastor, mas também para toda a igreja, e é surpreendente quão atuais as suas palavras permanecem em nossos dias.
Uma das ênfases que encontramos repetidamente nos escritos de Lutero é que um pregador deve ser “apto a ensinar”. Em muitos aspectos, essa não é uma grande descoberta, pois ele está apenas reafirmando as qualificações que são estabelecidas no Novo Testamento para os anciãos da igreja (1 Timóteo 3.2). Contudo, considerando o que esperamos dos nossos pregadores hoje, as palavras de Lutero — ecoando a revelação bíblica — precisam ser ouvidas novamente. O conceito de que a tarefa primária do ministro é ensinar está quase perdida na igreja hoje. Quando chamamos ministros para as nossas igrejas, muitas vezes buscamos que esses homens sejam administradores experientes, arrecadadores qualificados de recursos e bons organizadores. Certamente, queremos que eles conheçam algo sobre teologia e Bíblia, mas não tornamos uma prioridade que essas pessoas sejam capacitadas para ensinar as coisas de Deus à congregação. As tarefas administrativas são tidas como mais importantes.
Esse não é o modelo que o próprio Jesus recomendou. Você se lembra do encontro que Jesus teve com Pedro após a sua ressurreição. Pedro negou Jesus publicamente por três vezes, e Jesus restaurou o apóstolo, dizendo-lhe por três vezes: “apascenta as minhas ovelhas” (João 21.15-19). Por extensão, esse chamado é dado aos presbíteros e ministros da igreja porque o povo de Deus que está reunido nas congregações de igrejas em todo o mundo pertence a Jesus. Esse povo são as suas ovelhas. E todo ministro que é ordenado é consagrado e confiado por Deus para o cuidado dessas ovelhas. Nós chamamos isso de “pastorado”, porque os ministros são chamados a cuidar das ovelhas de Cristo. Os pastores são os sub-pastores de Cristo, e que pastor negligenciaria as suas ovelhas de tal modo que nunca tivesse tempo ou preocupação de alimentá-las? A alimentação das ovelhas do Senhor ocorre principalmente através do ensino.
Normalmente, nós fazemos distinção entre pregação e ensino. Pregação envolve coisas como exortação, exposição, admoestação, encorajamento e conforto, enquanto o ensino é a transferência de informação e instrução em várias áreas de conteúdo. Contudo, na prática há muita sobreposição entre os dois. A pregação deve comunicar conteúdo e inclui ensino, e o ensino das coisas de Deus às pessoas não pode ser feito de uma forma neutra, mas deve exortá-las a ouvirem e obedecerem a Palavra de Cristo. O povo de Deus precisa de pregação e de ensino, e eles precisam de mais do que vinte minutos de instrução e exortação por semana. Um bom pastor nunca alimentaria as ovelhas apenas uma vez por semana, e por isso Lutero ensinava o povo de Wittenberg quase diariamente, e Calvino fazia o mesmo em Genebra. Eu não estou necessariamente convocando a essas mesmas práticas em nossos dias, mas estou convencido de que a igreja precisa resgatar algo do ministério de ensino regular que era evidente no trabalho dos nossos antepassados ​​na fé. De acordo com as suas capacidades, as igrejas devem criar muitas oportunidades para ouvirem a Palavra de Deus pregada e ensinada. Culto na noite de domingo, cultos e estudos bíblicos durante a semana, Escola Dominical, estudos bíblicos em casa, dentre outros, dão aos leigos a chance de se alimentarem da Palavra de Deus várias vezes por semana. Conforme a sua capacidade, os membros devem aproveitar o que é disponibilizado para eles como meio de instrução nas verdades profundas da Escritura.
Digo isso não para encorajar a criação de programas por causa de programas, e eu não quero colocar um fardo impraticável nos membros ou na liderança da igreja. Mas a história nos mostra que os maiores períodos de avivamento e reforma que a igreja já viu ocorrem junto com a pregação frequente, consistente e clara da Palavra de Deus. Se quisermos ver o Espírito Santo trazendo renovação para nossas igrejas e nossos países, será necessário haver pregadores que estejam comprometidos com a exposição da Escritura, e membros que busquem pastores que os alimentem com a Palavra de Deus e tirem o máximo de proveito das oportunidades que estejam disponíveis para instrução bíblica.

Por: R. C. Sproul .

A Reforma Protestante e a espiritualidade clássica

A igreja evangélica atual tem origem na Reforma, e ao longo do tempo recebeu a contribuição de diversos movimentos, como anabatismo, puritanismo, pietismo, avivamentos do século 18, sociedades missionárias, fundamentalismo, pentecostalismo clássico e missão integral. O conjunto destes movimentos iniciados com a Reforma é o que conhecemos como protestantismo. Vivemos atualmente sob o impacto do controverso movimento neopentecostal. Foram sopros do Espírito Santo ao longo da história, intervenções de Deus para dentro da realidade humana, com suas instituições, seu poder político e econômico. Nenhum destes movimentos é perfeito -- cada um deles tem luzes e sombras. É um equívoco abraçar algum deles incondicionalmente. A tendência que se observa é abraçar um destes movimentos como a última e definitiva revelação de Deus e excluir os demais, considerando-os inferiores e muitas vezes até hereges.

Como cada um destes movimentos tem aspectos positivos e negativos, torna-se fácil criticá-los e combatê-los, principalmente porque, em geral, a partir da segunda e da terceira gerações após a visitação de Deus, a tendência é o engessamento e a institucionalização, com suas estruturas de poder.

Ser evangélico hoje significa andar nos passos dos reformadores e destas outras contribuições, seja buscando alguma integração, seja na ênfase de uma só delas. No entanto, não se trata de eleger uma ou outra, mas de discernir o sopro do Espírito, que, de tempos em tempos, renova algum aspecto que foi negligenciado ou esquecido da teologia e da prática de Jesus de Nazaré. Trata-se de julgar e reter o que há de bom em cada uma delas e receber com alegria esta preciosa herança, aprendendo com a história e com aqueles que trilharam o caminho da fé, da esperança e do amor antes de nós.

A Reforma aconteceu no século 16. O que podemos aprender dos primeiros 1500 anos da história da Igreja? Muitos evangélicos esclarecidos dizem: nada. Antes da Reforma só existiam duas igrejas cristãs: a romana e a ortodoxa. Lutero e Calvino eram agostinianos e lemos abundantes citações dos Pais da Igreja nas “Institutas” de Calvino. Precisamos confessar, como evangélicos, nosso preconceito e orgulho. Até hoje, olhamos com suspeita para tudo o que aconteceu no seio da Igreja de Cristo anterior à Reforma por considerar esta contribuição como católico-romana e achar que do catolicismo não pode vir nada valioso.

Durante os primeiros 1500 anos de história da Igreja, o Espírito Santo soprou várias vezes. A espiritualidade clássica engloba a contribuição dos santos e doutores da igreja nos movimentos da patrística, da monástica e da mística medieval, isto é, o vento do Espírito anterior à Reforma.

O que se observa hoje é que alguns protestantes se debruçam sobre este período, a espiritualidade clássica, com o desejo de aprender e integrar na experiência evangélica aquilo que há de bom. Evangélicos como Hans Burki, James Houston, Eugene Peterson, Alister McGrath, Richard Foster, Ricardo Barbosa estão redescobrindo a riqueza da espiritualidade clássica, como contribuição vital para a igreja de hoje. Católicos contemporâneos, como Henri Nouwen, Anselm Grun, Thomas Merton e outros, também buscam resgatar esta tradição. A Comunidade de Taizé, fundada pelo reformado Irmão Roger, tem alcançado muitos jovens na Europa e outros países, com sua proposta de reconciliação, integrando o que há de bom nas tradições ortodoxa, católica e reformada.

É uma falácia achar que a Reforma do século 16, apesar de sua importância fundamental, é o único e definitivo mover do Espírito Santo na história da Igreja e que nada de bom aconteceu nos séculos precedentes. Felizmente, para nós, estes antigos movimentos estão documentados e podemos aprender com eles.

Alguns esclarecimentos que se fazem importantes acerca da espiritualidade clássica:
1. Não é um produto. Não é mais uma mercadoria na prateleira religiosa para um mercado ávido por consumir novidades. Trata-se de um olhar mais profundo para os conteúdos e a prática da fé cristã, ancorado na experiência com a Palavra e com o Espírito Santo, para vivermos a vida de Cristo em nós.

2. Não é uma prática mística, alienante, baseada em técnicas religiosas que produzem sensações agradáveis e felicidade instantânea. Suas ênfases no silêncio e na solitude, na meditação e na contemplação não são fins em si mesmos, mas meios para uma vida de santidade e serviço ao próximo. Com a “Lectio Divina”, nós evangélicos podemos resgatar uma leitura bíblica com o coração, com os afetos.

3. Embora a monástica seja malvista pelos evangélicos, é inegável seu impacto no Ocidente. No terceiro século, após a conversão de Constantino e de o cristianismo se tornar a religião oficial do império, homens e mulheres se retiraram em regiões ermas e remotas para orar e ler a Bíblia. Surgiram os mosteiros e as regras. Ao redor do mosteiro floresceu a civilização ocidental: a biblioteca gerou a academia, o espaço do sagrado atraiu artistas, o “ora et labora” desenvolveu tecnologias de cultivo, preparo e conservação de alimentos.

4. O resgate da espiritualidade clássica não busca resultados, ou conquistar o mundo; muito menos causar um impacto na igreja. Em vez disso, se remete ao simples, ao pequeno, ao fraco. Não é para ser “marqueteado”, sistematizado, explicado, reproduzido. Não busca uma recompensa imediata. Não é para ganhar nada; é um caminho para aqueles que amam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, para aqueles que abriram mão do poder e querem simplesmente crescer na comunhão com Deus, ouvir sua voz e responder com dedicação e consagração.

A “multiforme” sabedoria de Deus não é uma experiência de conhecimento que pertence a um indivíduo, a um grupo ou a um movimento. Ela engloba o patrimônio de revelação de Deus por meio da história da Igreja. Ou seja, as muitas vezes que o Espírito Santo revitalizou, renovou, corrigiu, avivou e despertou o povo de Deus de seus desvios e acomodações ao longo dos séculos e através das nações, nas três confissões cristãs: ortodoxa, romana e reformada.

Para isto, há que se vencer o preconceito evangélico, que considera que tudo o que é católico é herético e, ao fazer isto, se autoproclama dono da verdade. Assim rejeita o Pastor de Hermas, Clemente, Justino, Inácio de Antioquia, Orígenes, Policarpo, Pacômio, Antão, Bento, Atanásio, Crisóstomo, Gregório Nazianzeno, Basílio, Agostinho, Bento, Bernardo de Claraval, Francisco de Assis, Tomás de Aquino, Catarina de Siena, Inácio de Loyola, Savonarola, João da Cruz, Tereza D’Ávila, Bartolomeu de las Casas, Tereza de Calcutá e muitos outros. Estou certo de que a leitura dos pais orientais, dos santos místicos e dos doutores do passado e a apreciação do exemplo de suas vidas podem contribuir decisivamente para a igreja do século 21.

E, claro, integrando com a contribuição de John Wycliffe, Jan Huss, Lutero, Calvino, Zwínglio, George Fox, John Bunyan, John Knox, Conde Von Zinzendorf, John Wesley, Jacob Spener, George Whitefield, Charles Finney, Jonathan Edwards, D. L. Moddy, William Carey, Hudson Taylor, David Livingstone, William Booth, Karl Barth, Paul Tillich, Dietrich Bonhoeffer, Martin Luther King, John Stott, René Padilla, Samuel Escobar e tantos outros.

Sim, sou um reformado evangélico: “Sola Scriptura”, “Sola Gratia”, “Sola Fide”, “Solus Christus”, “Soli Deo Gloria”. E aberto para aprender e integrar a espiritualidade clássica em minha experiência cristã. Aprecio e sou edificado com o que aconteceu em Niceia (325), Monte Cassino (529), Assis (1223), Wittenberg (1517), Westminster (1647), Azuza Street (1905), Medellin (1968), Lausanne (1974) e com outros momentos em que o Espírito soprou na história da Igreja. É importante e promissor este diálogo entre a Reforma Protestante e a espiritualidade clássica, integrando o que há de bom nestes movimentos.

E prossigo no meu caminho: na intimidade com o Pai, sob a direção da Palavra e a inspiração do Espírito Santo; buscando a santidade de Cristo e, com a Igreja, anunciando o evangelho e servindo aos pobres. Quando falho, me arrependo, experimento a graça perdoadora e recomeço.


• Osmar Ludovico da Silva foi pastor durante trinta anos e hoje dedica-se a dirigir grupos de formação espiritual. Mora com a esposa, Isabelle, em Lauro de Freitas, BA, e participa da Igreja Batista de Vilas do Atlântico. É autor de “Meditatio” e se identifica com a missão integral e a espiritualidade clássica.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Fariseus Pós-modernos

Fariseus pós-modernos são aqueles que veem as pessoas como "leprosas" por causa de suas mazelas existenciais e espirituais. Fariseus pós-modernos agem sem misericórdia em relação ao próximo carente do perdão divino. Fariseus pós-modernos têm dificuldade em perceber a graça do Pai nas situações do cotidiano dos homens.

Fariseus pós-modernos valorizam a notoriedade a qualquer preço e desconhecem a relevância da significância. Fariseus pós-modernos produzem um barulho intenso na intenção de expor publicamente o pecado alheio, e escondem com maestria os seus próprios desacertos. Fariseus pós-modernos preferem orbitar entre o julgamento atroz e a falta de amor.

Fariseus pós-modernos criam normas demais e oferecem vida de menos. Fariseus pós-modernos têm um discurso legalista e deixam de propagar a graça divina revelada em Jesus. Fariseus pós-modernos apontam com altivez o que "os outros têm de fazer" e são insensíveis ao que "eles mesmos devem fazer".

Fariseus pós-modernos vivem amparados pela hipocrisia e vivem distantes da integridade. Fariseus pós-modernos se autopromovem, mas são incapazes de reconhecer as virtudes de seu próximo. Fariseus pós-modernos tocam suas "trombetas" e sufocam o "som de vida" que é produzido pelos fiéis.

Fariseus pós-modernos não vivem os valores do Reino de Deus e rechaçam aqueles que desejam promovê-lo. Fariseus pós-modernos não experimentam Deus no cotidiano e questionam aqueles que o fazem com simplicidade e sinceridade. Fariseus pós-modernos são guias cegos que conduzem pessoas para o "atoleiro da religião", que vai sufocando aos poucos aqueles que começaram a respirar o "ar fresco do evangelho".

Fariseus pós-modernos promovem opressão e são incapazes de ensinar o caminho da vida em Cristo Jesus. Fariseus pós-modernos põem fardos pesadíssimos nos ombros dos outros e eles mesmos são incapazes de carregar, confirmando a advertência de Cristo nos evangelhos. Fariseus pós-modernos caminham na "estrada da arrogância" e cada vez mais se distanciam da proposta de humildade apontada por Jesus.

Fariseus pós-modernos estão, de certa forma, alinhados aos princípios dos seus antepassados que foram condenados veementemente por Jesus em seu ministério. Fariseus pós-modernos anunciam uma mensagem de condenação e se distanciam da esperança trazida pela encarnação, paixão, morte e ressurreição de Cristo. Fariseus pós-modernos precisam ser denunciados com coragem por aqueles que experimentaram da graça divina, do agir restaurador do Espírito Santo e que cumprem a missão dada por Cristo.

Evaldo Rocha é escritor e pastor batista.
Email: evaldonrocha@uol.com.br

O tipo de oração que nos mantém na mediocridade

Uma das coisas mais importantes que o cristão deve adotar como prática diária, sem dúvidas, é a oração. Pois é através dela que estabelecemos aquele contato mais íntimo e pessoal com Deus. Orar é tão importante quanto pregar, pois Jesus ensinou ambas as cosias aos seus discípulos. Mas existe um tipo de oração, conforme a proposta do título deste meu texto, que devemos evitar, pois ela ou nos torna ou nos mantém na mediocridade.
Ao ensinar seus discípulos, em Mateus 6, a partir do versículo nove, Jesus diz à eles que quando fossem orar, dois “elementos” deveriam ser considerados: Deus e o próximo. Deus deve ser considerado como aquele que está acima, que perdoa, e que tem uma vontade soberana –– (Rm 12.2)  que é maravilhosa, e precisa ser aceita por nós. O próximo deve ser considerado como sendo dependente da paternidade de Deus (“pai nosso”), carente de que se estabeleça o Reino de Deus na terra (“venha a nós o vosso Reino”), que, assim como nós é passivo de erros e que precisa de perdão (“perdoais as nossas ofensas”), que precisa, também, da provisão divina (“o pão nosso de cada dia…”).
Não são raras às vezes em que nos ajoelhamos e consideramos somente o nosso “eu” e Deus como elementos essenciais para que realizemos uma oração. As ocupações do dia a dia, os problemas e as situações nos afetam de tal maneira, e com tamanha intensidade, que não empregamos mais a primeira pessoa do plural (“nós”) ao falarmos com o Pai. Só que não é somente empregar a primeira pessoa do plural como mero modo de se expressar como faziam os reis da idade média, na tentativa de mostrar pompa e poderio, mas viver o “nós”.
Ou seja, quando eu pensar na minha condição de filho diante de Deus –– na oração devocional ou mesmo naquele tipo de oração constante (1 Ts 5.17)––, devo considerar que ele tem muito mais filhos, que existe muito mais gente que precisa de perdão e de perdoar, de que a vida não se resume só ao meu existir, pois, se assim procedemos, diminuímos não só nossa oração, mas também a importância de Deus e do próximo no todo da existência.
Deus trata com cada um de nós de maneira individual, é claro, e isto não está sendo negado aqui. O que estou querendo evidenciar é a necessidade de enxergarmos a grandiosidade que elementos nos levam a ver, para que possamos ver e viver de um modo menos complicado.
Quando vejo que tenho necessidade de receber perdão de Deus, e que para isso eu preciso, antes, perdoar, vou considerar que o próximo, no espectro da oração do “nós”, também enfrenta os mesmos problemas que enfrento, pois não estou falando de um mal que me é inerente, mas que é inerente à humanidade. Considerando isso, vou ter a percepção de que, se estamos abaixo do mesmo Deus, vivendo os mesmos problemas e carecemos das mesmas soluções. Assim,  meu/seu coração estará mais apto a ser misericordioso, pois meus problemas refletem no próximo e os dele/s em mim, e as mesmas agonias que você sofre por ter errado e precisar do perdão, ele/s também sofre/m.
O “nós” a ser considerado aqui é aquele transcende nossa família, nossos amigos, nossa congregação, nossa cidade, nosso País, nosso continente. Deus está acima de mim e de todos eles. Deus me perdoa e os perdoa. Deus me é providente e providente para cada um deles. O medíocre é aquele que reduz o espectro de sua visão, concentrando, ou só em si, ou só no próximo. Considere mais o nós na oração e na vida, e deixe a mediocridade de lado, pois ela nos faz perder as honrarias que Deus tem para nós (Fp 2. 4–8).


Fernando Pereira
Jornalista e acadêmico dos cursos de História e de Teologia.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Mulher é liberta das drogas e quer ser teóloga

Nunca é tarde para se ter uma vida transformada. Silvia Regina Ferreira (59) precisou de quase 40 anos para ter um encontro com Cristo e uma nova vida. Seu testemunho foi divulgado pela Convenção Batista de São Paulo. Ela ficou presa por 25 anos e foi drogadita por mais 14.
“Fui treinada pra ser bandida”, disse lembrando que saiu de casa aos 10 anos e de como viveu nas ruas até os 18. “O marido de minha mãe bebia muito, e batia nela. Daí eu sai de casa, fiquei nas ruas e me envolvi com a criminalidade”.
Em 1975, aos 18, Silvia foi presa. A alegria de criar a filha de 9 meses fica para trás. Ela jamais soube o que é ser mãe. “Minha filha ficou com minha mãe, que estava grávida esperando meu irmão. Ela registrou minha filha no nome dela. Quando sai… Ela não me aceitou, como não aceita até hoje”, relatou.
As drogas também fizeram parte da vida de Silvia. “Fui fazer droga. Fazer “pedra”. Depois de alguns meses estava viciada. Mesmo sem usar. Só com o cheiro daquilo. Quando descobri que estava viciada fiquei com raiva de tudo e de todos, até de Deus”.
O fundo do poço foi a cracolândia. “Fui para as ruas. Fiquei aqui, na Cracolândia. Levava droga de um lugar pra outro pra ter dinheiro e pedras. O crack rouba tudo seu. Ele rouba sua alma”.
A mudança começou a ser plantada com uma criança. “Um dia apareceu uma criança que me pediu ajuda. Pensei no meu neto que poderia ser daquele mesmo tamanho. Fui me recobrando. Mas não conseguia sair da dependência. Já tinham se passado dez anos que eu estava na rua. Eu vou morrer… Mas eu tinha problema com os “amarelinhos” (cor da camisa na Cristolândia). A polícia eu até enfrentava. Mas eles, quando via de longe, fugia. Um dia, a Fernanda (Mazzini), me deu um abraço e disse no meu ouvido que Jesus me amava. Isso mexeu comigo. Ela mexeu com meu coração”.
Silvia estava exausta da vida nas drogas. “Eu me sentia muito cansada. Já estava com 40kg, mas a droga nos amortece. Eu lembro que ainda fiz um trato com Deus e disse que se eu saísse das drogas eu ia servi-Lo de verdade. Eu ia arrumar um jeito”. Sendo apoiada pelo Ministério Cristolândia ela percebeu que nem todo mundo era ruim. “Eu quero me batizar e pedi pra Deus que queria ver meu irmão. Daí, me falaram que eu ia ganhar um “presentaço”. Era meu irmão, Davi. Ele tinha ligado”.
Ao saber do contato de seu irmão, Silvia ficou muito emocionada. “Chorei muito. Fiquei muito contente. E ele havia feito a mesma coisa que eu fiz. Disse que se me encontrasse iria descer às águas. A gente tava indo para Aracaju. Chorei muito. Fiquei muito contente. Daí, confirmei meu voto com Deus. Eu me batizei lá. Ele me falou: “Graças a Deus eu te achei. Por isso eu sou crente”.
Com nova vida, novos sonhos
Hoje, resgatada por Jesus e perto dos 60, Silvia deseja servir ao Senhor como teóloga batista.
Precisou superar primeiro a falta de instrução, vencida há três anos. “Quando a gente quer, eles sonham com a gente”, afirmou sobre o apoio da Missão Cristolândia.
Paulista nascida em abril de 1957, ela gosta de hebraico, língua que estuda no Centro Integrado de Educação e Missões (Ciem), no Rio de Janeiro. Membro da PIB de São Paulo, ela estagia na PIB do Andaraí (RJ).
Seu encontro com a teologia ocorreu em um seminário em Campinas.  “Ouvi sobre a conversão de Paulo e não entendi. Porque aquele homem tão ruim de repente vira um apóstolo. Como? Por quê? Comecei a perguntar. O pastor tentou me explicar e disse: Por que você não tenta fazer teologia?. Não dei muita bola. Mas um dia a Geane (Campos) estava pregando e me lembrei do meu voto de servir a Deus e falei a ela: Geane, eu quero ser teóloga”.

Fonte: gospelprime

Rádio Trans Mundial discute Reforma Protestante em congresso


Evento, que tem o tema “De volta à Palavra: o futuro da Igreja”, será realizado na Igreja Batista Central.
Em 17 e 18 de março, a Rádio Trans Mundial realiza a segunda edição do Congresso RTM 2017, na Igreja Batista Central, em Campinas/SP. Com base no tema “De volta à Palavra: o futuro da Igreja”, Luiz Sayão fala sobre João, Itamir Neves fala sobre Paulo e Vagner Vaelatti fala sobre Pedro.
O tema dos Congressos RTM de 2017, “De volta à Palavra: o futuro da Igreja”, foi inspirado nas celebrações aos 500 anos da Reforma Protestante, comemorados em 31 de outubro deste ano. Seu objetivo é olhar para a vida de João, Paulo e Pedro, destacando como esses apóstolos valorizaram as Escrituras e foram usados pelo Espírito Santo para registrar as palavras inspiradas por Deus.
Uma das razões para a Reforma Protestante acontecer foi o pouco valor que se dava à Palavra de Deus. Os reformadores defendiam práticas religiosas simples, com base apenas na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus, em oposição à forma dos cultos da Igreja oficial da época e às regras que estavam além das Escrituras. Eles também propuseram o fim da intermediação do sacerdote entre Deus e os indivíduos, enfatizando o sacerdócio universal de todos os cristãos.
Dois fatores contribuíram para a popularização da Bíblia no final da Idade Média: a invenção da imprensa, em meados do Século XV, que simplificou e barateou substancialmente a produção dos livros, e a obra dos chamados eruditos bíblicos, que começaram a estudar a Bíblia nos originais hebraico e grego e produziram valiosas edições críticas desses originais. Com a difusão do conhecimento de grego e hebraico, começaram a surgir traduções para o alemão, o italiano, o espanhol, o francês, o tcheco, o inglês e outros idiomas europeus.
Em um momento em que se dá pouco valor ao estudo e aprofundamento bíblico e em que se enfatizam promessas e bênçãos que a própria Palavra não registra, é necessário voltarmos à genuína mensagem das Escrituras.Quando ouvimos a pregação de “outro evangelho” (Gl 1.6-9), é necessário chamar a atenção do povo de Deus para a Palavra que vivifica, transforma e adverte. Venha participar e priorize a Palavra de Deus em sua vida! Ela é o melhor método para não pecarmos e não desagradarmos a Deus.
Serviço
Congresso RTM 2017 – Campinas/SP
Data e horário:
17 de março às 19h30 e 18 de março às 16h e às 19h
Local: Igreja Batista Central de Campinas – Rua Dr. Quirino, 930 – Centro, Campinas/SP
Valor: R$30 – Inclui livro, caneta e slides das palestras.

Fonte:  http://www.transmundial.com.br/

Comigo aconteceu assim – e com você?

A nova seção da revista Ultimato “Aconteceu Comigo – Meu encontro com Jesus”, que começou na edição 364 – a primeira de 2017 –, apresenta relatos de conversão e é também o nosso tema no Portal durante o mês de março. Para acompanhar de perto os diferentes relatos, acesse www.ultimato.com.br/assunto/aconteceucomigo.

Para quem é cristão – seguidor de Cristo – há em sua vida um “evento” de virada, um momento em que deixa de ser quem era e passa a ser um novo homem ou uma nova mulher. Alguns conseguem identificar o dia em que isto aconteceu. Outros só conseguem se dar conta desta virada olhando para trás e percebendo as mudanças em sua vida. Há mistério neste terreno! Um de nossos hinos traduz a experiência assim: “Fui a Jesus que me convidou, bem nenhum havia em mim. Mas ele me salvou”.

A conversa de Jesus com Nicodemos é esclarecedora. Jesus diz a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Para alguns, a resposta ‘equivocada’ de Nicodemos [“Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez?”] não é sinal de sua ignorância, mas de seu entendimento da dificuldade que envolveria este processo. Jesus continua: “Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo”. [Jo3.1.3-7, RA]

Uma leitura no Novo Testamento em busca de relatos de “viradas” nos ajuda a aprofundar no assunto. Curioso que a palavra conversão quase não aparece. Um dos poucos textos é este: “Não vim chamar à conversão os justos, mas sim os pecadores” (Lc 5.32). Na maior parte dos relatos as experiências se traduzem em tornar-se seguidor de Jesus, reconhecendo sua autoridade como Filho de Deus. Que variedade de experiências! A “virada” pode ser contada de muitas formas:

A saciedade de uma sede incessante, por Jesus, a Água Viva – no caso da mulher junto ao poço.

A saída de um lamaçal de pecado, a volta ao lar e o reencontro com o Pai, que está sempre em busca daquele que se perdeu – no caso do Filho Pródigo.

O redirecionamento dos afetos e das ambições para um tesouro que não se deteriora – no caso de Zaqueu.

Uma visão a mais – no caso do cego Bartimeu, curado pela Luz do Mundo.

Um súbito e intenso reconhecimento de seu pecado e humildade para desejar outra vida, à beira da morte – no caso do ladrão ao lado de Jesus na cruz.

Um profundo sentimento – e uma extravagante expressão – de gratidão pelo perdão de seus muitos pecados – no caso da mulher pecadora, intrusa no jantar servido por Simão.

A cura dupla – da pele e da alma – de um dos dez leprosos.

O conhecimento intelectual dos planos de Deus para salvar o mundo e um assentimento a isto, culminando no batismo, para o oficial da rainha de Candace.

Uma simples concordância em largar o trabalho de suas vidas para aceitar o convite irresistível de Jesus, e passar a segui-lo – no caso dos irmãos pescadores, João e Tiago, Pedro e André.

Uma guinada na direção de suas convicções, seus planos, sua energia, após a visão do próprio Jesus – no caso de Paulo.

Uma aceitação voluntária em continuar nos ensinos da avó e da mãe – no caso do jovem Timóteo.

E – para você – como foi sua experiência? Seu encontro com Jesus?

Klênia Fassoni
É diretora administrativa da Editora Ultimato.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Você está pronto para ser impopular?

O cristianismo vive uma situação insólita: é tratado por seus inimigos como uma ideologia predominante e vilipendiado sem descanso por pertencer ao status quo.
O problema é que esta predominância não se traduz mais em impacto cultural na sociedade. Se o Ocidente é uma construção do cristianismo, sua destruição, como não poderia deixar de ser, ocorre exatamente através da ação do anticristianismo.
A globalização é anticristã, não no sentido escatológico apenas, mas na imputação do multiculturalismo como ideologia cool.
E, por óbvio, num mundo que exalta o multiculturalismo, uma crença que se propõe única e exclusivamente correta, se tornará impopular.
O cristianismo bíblico é impopular.
Se por um lado o aumento do número de evangélicos no país pode ao menos trazer esperança, por outro, é fato consolidado que este aumento não tem demonstrado ainda efeito qualitativo. As igrejas abarrotadas são, quase sempre, as que mercadejam prosperidade material.
Não conseguimos imaginar, portanto, que muitos destes novos convertidos permaneceriam se seus interesses não fossem prontamente atendidos. Mesmo que extrema, a analogia com a perseguição sempre se reveste de importância, afinal, se de uma hora para outra o cristianismo se tornasse proibido aqui e fosse punido com tortura e morte, quantos será que aguentariam?
Não é possível, portanto, quantificar o cristianismo brasileiro somente a partir dos frequentadores de igrejas, já que este método não permite distinguir servos de Deus de palermas interesseiros que estão lá atrás de carro zero.
O cristão verdadeiro é aquele que não negocia sua fé, e que não coaduna com princípios mundanos quando eles se distanciam das ordenanças bíblicas.
E, geralmente, numa realidade em que o pensamento intelectual, a inclinação acadêmica e a ocupação midiática são progressistas, o cristão verdadeiro adquire impopularidade. Lidar com isso é mais do que alguns podem suportar enquanto perseguição, de modo que abrem mão de princípios para serem aceitos nas rodas de amigos.
Por isso, encontramos cada vez mais, e menos desavergonhados, aquela espécie quase extraterrestre: o cristão de esquerda, ou seja, aquele que se diz cristão, ao mesmo tempo em que apoia uma ideologia que desde seu nascedouro só fez e faz afrontar e combater todo e qualquer cristianismo.
Inúmeros “cristãos” querem viver sem nenhuma coerência em relação às ordenanças bíblicas, sem qualquer renúncia ou arrependimento. Podem endossar listas e censos de evangélicos, mas não o são. Não abrem mão de sua própria visão de mundo e a nada renunciam. Não abrem mão da popularidade nos ambientes de predomínio progressista.
Viver o que Cristo ensinou hoje é impopular. Haverá tempo, e breve está, em que muitas de nossas posições serão proibidas e criminalizadas.
Cada um deverá decidir se continua ou apostata.
Você está pronto?

Por Renan Alves da Cruz

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